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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A ANTROPÓLOGA QUE MORA NA FAVELA PARA ENTENDER OS CONSUMIDORES PARA AS EMPRESAS

Hilaine Yaccoub tem 35 anos e é antropóloga. Em 2011 ela se mudou para a Barreira do Vasco, uma das mais de mil favelas da cidade do Rio de Janeiro. Quando chegou, a favela ainda não estava pacificada e era dominada pelo tráfico de drogas. Passou alguns sufocos. Uma noite, estava em sua antiga casa, em Niterói, e precisava ir até a favela buscar um computador que já estava na casa recém-alugada. "Tinha um relatório para entregar e os dados estavam lá", conta. Já era uma da manhã e sua casa ficava a 200 metros da principal boca de fumo (ponto de venda de maconha) da comunidade. "Os traficantes costumavam atirar nos postes de luz para que a rua ficasse toda escura e ninguém visse nada. Nesse dia, ela tomou fôlego, entrou na favela e seguiu rumo à sua casa. "Passei pelos traficantes, cumprimentei todos eles e fui em frente. Tive muito medo".
A realidade na Barreira do Vasco agora é outra. Em 12 de abril deste ano foi inaugurada a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na comunidade, localizada na zona Norte da cidade. Hilaine estuda os hábitos de vida e de consumo de homens, mulheres, crianças e adolescentes locais. Depois de morar por quase um ano na favela, ela agora passa três dias da semana por lá, num quartinho alugado. Com a chegada da UPP, seu trabalho ficará ainda mais rico. "Vou poder fazer um retrato de como as pessoas viviam antes, durante e depois da pacificação", diz. Sua ideia é permanecer na Barreira do Vasco até 2014.
Hilaine Yaccoub (Foto: Divulgação)
Munida de câmera fotográfica e seu iPhone, Hilaine registra em fotos, vídeos e áudios o dia a dia dos moradores da Barreira do Vasco. Todo esse material é precioso para o trabalho que ela e outros onze antropólogos fazem na Consumoteca, um grupo que realiza pesquisas de observação direta e participativa. Hilaine e seus colegas dão sentido prático aos estudos antropológicos. Hoje eles pesquisam desde hábitos de consumo dos brasileiros endinheirados à forma que as pessoas vivem nas favelas. Cada um é especialista em um determinado grupo ou tipo de consumo: luxo, popular, adolescente, infantil, feminino. Entre seus clientes estão grandes empresas como a Eudora, marca do grupo Boticário, e o Club Social, marca de biscoito da Mondelez (ex-Kraft Foods). Veja a seguir algumas das impressões que a antropóloga fez da vida na favela carioca.
O começo
Em 2007 Hilaine fez sua primeira incursão num bairro bem pobre do Rio de Janeiro. “Ainda não era uma favela, mas já era um lugar bem carente”, conta. Ela foi contratada pela Ampla, concessionária de energia, para pesquisar por que as pessoas fazem os chamados gatos – as ligações clandestinas de energia elétrica. Mas seus amigos e vizinhos não sabiam que ela trabalhavam para a empresa. Sabiam apenas que ela era antropóloga e estava fazendo uma pesquisa. “As agências da Ampla estavam sendo apedrejadas por lideranças locais, então meu chefe ficou com medo de represálias e me pediu para não contar para quem eu trabalhava”. Hilaine alugou uma casa, que mobiliou com móveis bem populares, e passou oito meses no local. Descobriu que o que leva as pessoas a fazerem ligações irregulares de luz é algo bem mais complexo do que se imagina. "As pessoas não acham que têm de pagar por algo que, para elas, é um bem público. Antes da privatização do setor, era o governo, através das estatais, que fornecia energia elétrica para a população. Então elas acham que é um serviço sem dono, que não precisa ser pago", afirma.
Morando na favela
Depois dessa primeira experiência, a antropóloga seguiu seus estudos e, em 2011, se mudou novamente de sua cidade natal, Niterói, para a favela. Ela decidiu ir para a Barreira do Vasco, favela que na época tinha dezenas de pontos de droga, e onde as concessionárias de energia elétrica do Rio de Janeiro não atuam. Todas as ligações de luz são irregulares. No início, a mudança foi tímida. Hilaine alugou uma casa que ficava mais nos arredores da favela. A experiência não foi tão interessante porque ela não estava inserida de verdade na vida local.
Ela optou, então, por alugar um quarto dentro de uma casa mais no meio mesmo da favela. Aí conseguiu estabelecer dois tipos de relações: as horizontais, com os vizinhos da rua, e as verticais, com os demais moradores da casa (raramente as casas nas favelas são térreas). “O começo foi muito complicado. As pessoas ficavam desconfiadas e se perguntavam: quem é essa moça que entra e sai da favela com uma câmera na mão?”, conta ela. Sua vida ficou mais fácil porque ela logo conheceu a presidente da associação de moradores da Barreira do Vasco que a apresentou para a comunidade.
O trabalhoJá faz algum tempo que a “favela” está na moda. O crescimento do emprego, da renda e a redução da desigualdade permitiram que, entre 2003 e 2011, 40 milhões de pessoas migrassem das classes D e E para a classe C. Esse fenômeno chamou e ainda chama a atenção de milhares de empresas de dentro e de fora do Brasil. Todas querem entender melhor os costumes, desejos e necessidades desses consumidores para conquistá-los.
Para Hilaine, é preciso ter cuidado e conhecimento para estudar os hábitos dessas pessoas. “Muita empresa olha quem mora na favela como se essas pessoas fossem índios urbanos. Uma gente exótica”, diz. Como antropóloga, o que ela quer é vê-los como qualquer outra pessoa, de qualquer outro lugar. E dar espaço para que eles mostrem como vivem, como pensam e o que querem da vida. "Entro dentro da casa das pessoas. Vejo o que elas comem, como elas usam os eletrodomésticos e eletroeletrônicos que compram, como elas cuidam da saúde e da aparência".
HILAINE YACCOUB: “MUITA EMPRESA OLHA QUEM MORA NA FAVELA COMO SE ESSAS PESSOAS FOSSEM ÍNDIOS URBANOS. UMA GENTE EXÓTICA” 

Novos amigosEla já está tão inserida na favela que tem dezenas de amigos. Circula por todos os lugares, vai a festas, casamentos, batizados. “Levo meu namorado para passear lá e participo de tudo”, diz ela. A antropóloga conta que a generosidade é um das características mais fortes dos seus novos amigos. “É raro ir na casa de alguém e não comer nada. Sempre me oferecem mil coisas”.
Hilaine conta que o convívio direto com os moradores locais permitiu que ela descobrisse que mesmo dentro da favela há várias classes sociais. “Tem o pessoal que se deu bem e hoje tem carro importado, mas não sai de lá porque fora da comunidade não é conhecido de ninguém e a pessoa quer ser reconhecida. Tem os universitários, os que ainda estão melhorando de vida e aqueles que seguem dependentes dos programas do governo como o Bolsa Família”.

http://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Vida/noticia/2013/04/antropologa-que-estuda-favela-para-empresas.html

quarta-feira, 14 de março de 2012

Crise do Euro - União monetária faz dez anos na Europa

Há dez anos, em 1º de janeiro de 2002, entrou oficialmente em circulação o euro, a moeda única corrente em países que compõem a União Europeia (UE). Na época, o lastro monetário simbolizava a integração do continente que, no século 20, enfrentou duas guerras mundiais e uma divisão ideológica que quase provocou uma terceira. Hoje, porém, o euro é sinônimo de incertezas, numa crise que ameaça a futuro da segunda maior economia do planeta.

A Eurozona é composta por 17 dos 27 Estados-membros da União Européia: AlemanhaÁustriaBélgicaChipreEslováquiaEslovêniaEspanhaEstônia, Finlândia,  FrançaGréciaIrlandaItáliaLuxemburgoMaltaPaíses Baixos e Portugal. Na ocasião em que o euro foi instituído, Dinamarca, Suécia e Reino Unido optaram por não aderir ao projeto e mantiveram suas moedas locais.
O euro é usado diariamente por 332 milhões de europeus. A moeda também é a segunda maior reserva monetária internacional e a segunda maior comercial, atrás somente do dólar americano.
Apesar disso, a Europa enfrenta desde 2009 uma crise de débitos que ameaça a estabilidade do bloco, obrigando os governos a fazer reformas impopulares. Em 2012, o desafio dos líderes europeus será manter todos os países integrantes da Zona do Euro, de modo a impedir o enfraquecimento da aliança.

Desde 1999, a moeda que passou a ser usada pelos europeus há uma década já era corrente entre os mercados financeiros. Nesse ano, os governos aboliram moedas locais como o marco alemão, a lira italiana, a peseta espanhola e o franco (belga e francês) nas transações comerciais entre países. O objetivo era unir mais as nações, em um bloco com maior representação política, e gerar mais desenvolvimento econômico, pois o sistema monetário integrado facilitaria o comércio e os negócios entre os países.

Nos primeiros anos, tudo caminhava bem e os europeus estavam entusiasmados com a novidade. E, mesmo não correspondendo às projeções mais otimistas, houve crescimento de até 15% na economia da UE. Outro benefício da adoção da moeda única foi o controle da inflação, que em média não ultrapassa os 2%. Empresas também pouparam dinheiro com os custos de transações cambiais – somente na indústria automobilística, a economia chegaria a 500 milhões de euros por ano.

 Grécia
Os problemas começaram com a crise econômica de 2008, que atingiu o “calcanhar de Aquiles” da Zona do Euro. Em uma década de moeda única, não houve uma política fiscal comum que regulasse o mercado, deixando o sistema exposto a especulações de alto risco e endividamento desmedido dos Estados.

O colapso iniciou-se na Grécia, berço da democracia ocidental. O país gastou muito além do que seu orçamento permitia em programas sociais, na folha de pagamento dos servidores públicos, em pensões e outros benefícios. Para pagar as contas, o Estado adquiriu empréstimos junto a instituições bancárias.
A dívida pública grega atingiu 124,9% do PIB (Produto Interno Bruto), mais do que o dobro permitido na Eurozona (60%). O déficit no orçamento, isto é, a diferença de quanto o país gasta e quanto arrecada, correspondia a 13,6% do PIB grego em 2009, índice mais de quatro vezes a porcentagem tolerada de 3%.
A crise atingiu outros países da Zona do Euro, que também estão em condições fiscais debilitadas, como Irlanda (déficit de 14,3% do PIB), Espanha (11,2%) e Portugal (9,4%). Os déficits orçamentários desses governos, que tiveram de socorrer a economia injetando recursos públicos durante a crise e sofreram queda de receitas, são os piores desde o período da Segunda Guerra Mundial.
Além disso, a ameaça de anunciarem “calotes” em suas dívidas causou desconfiança nos mercados. Como consequência, tornou-se mais difícil para empresas e governos refinanciarem suas dívidas, aprofundando a recessão no bloco. Em 2010, no auge da crise, o euro acumulou perdas de 14% perante o dólar.
Os Estados enfrentaram a situação com programas e pacotes de estímulo ao mercado. Entre as medidas, algumas impopulares, como aumento dos impostos e corte em programas sociais, que afetaram o modelo de justiça social do capitalismo europeu.
Política
"Indignados na Espanha"
Atingida no bolso, a população reagiu com protestos em toda a Europa, alguns mais organizados, como o movimento dos “Indignados” na Espanha. Na esteira da crise, nove presidentes e primeiros-ministros foram destituídos do cargo, entre eles o premiê grego George Papandreou e o italiano Silvio Berlusconi.
No plano político, a Europa parece também ter regredido. A insatisfação com a economia fez também ressurgir partidos de direita e grupos de extrema direita, aprofundando divisões ideológicas. Ainda que compartilhem moeda, bandeira e instituições em comum, cisões entre governos mostram que falta unidade política aos europeus, pondo em risco o plano de integração.
A despeito de todos os problemas, o risco do fim do euro é mínimo, pois os prejuízos seriam compartilhados por todos. Se a moeda fosse abolida, poderia haver uma valorização muito grande de moedas nacionais fortes como o marco alemão. Isso prejudicaria as exportações da Alemanha, gerando desemprego em massa no país. Mesmo a saída de algum membro, como a Grécia, é algo que se tenta evitar a todo o custo, pois afetaria a estabilidade do bloco.

José Renato Salatiel

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

10 anos de Brics

A força dos emergentes

José Renato Salatiel*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Há dez anos o economista inglês Jim O’Neill cunhou o acrônimo Bric para se referir a quatro países de economias em desenvolvimento – Brasil, Rússia, Índiae China – que desempenhariam, nos próximos anos, um papel central nageopolítica e nos negócios internacionais.

O acrônimo ganhou uso corrente entre economistas e se tornou um dos maiores símbolos da nova economia globalizada. Neste quadro, os países emergentes ganharam maior projeção política e econômica, desafiando a hegemonia do grupo de nações industrializadas, o G7 (formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão).

Desde 2009, os líderes dos países membros do Bric realizam conferências anuais. Em abril do ano passado, a África do Sul foi admitida no grupo, adicionando-se um “s” ao acrônimo, que passou a ser Brics.

No grupo estão 42% da população e 30% do território mundiais. Nos últimos dez anos, os países do Bric apresentaram crescimento além da média mundial. Estima-se que, em 2015, o PIB (Produto Interno Bruto) do Brics corresponda a 22% do PIB mundial; e que, em 2027, ultrapasse as economias do G7.

A China é o “gigante” do grupo. A abertura da economia chinesa, mediante um conjunto de reformas, tornou o país a segunda maior economia do planeta, atrás somente dos Estados Unidos e ultrapassando Japão e países da Europa.

A economia chinesa é maior do que a soma de todas as outras quatro que compõem o grupo. O PIB chinês, em 2010, foi de US$ 5,8 trilhões, superior aos US$ 5,5 da soma de todas as outras – Brasil (US$ 2 trilhões), Rússia (US$ 1,5), Índia (US$ 1,6) e África do Sul (US$ 364 bilhões).

Mas os chineses enfrentam hoje desafios em áreas como meio ambiente e política, alvos da pressão internacional.

Brasil

A inclusão do Brasil no Brics trouxe uma projeção internacional positiva, que dificilmente seria alcançada de outro modo e em um curto período. Como resultado, o país tem hoje representação nas principais cúpulas internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e o G20.

O Brasil entrou no grupo em razão do crescimento econômico, ocorrido principalmente a partir de 2005. Esse crescimento foi possível por causa do controle da inflação, com a implantação do Plano Real, em 1994, e o aumento das exportações para países como China, principal parceiro comercial, a partir de 2001.

Com a estabilidade econômica, veio a confiança do mercado e o aumento do crédito para empresas e consumidores. O setor privado contratou mais gente, gerando mais empregos, e houve aumento de salários, fazendo que, entre 2005 e 2006, 30 milhões de brasileiros migrassem das classes D e E para a C, a classe média. Contribuíam também, para isso, programas sociais como o Bolsa Família. Assim, mais pessoas passaram a consumir, aquecendo o mercado de varejo.

Desigualdade

Os programas do governo Lula também tiveram reflexos no âmbito da justiça social. Na última década e meia, o país foi o único entre os Brics a reduzir a desigualdade, de acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Porém, mesmo assim, a distância entre ricos e pobres no Brasil ainda é a maior entre os países emergentes.

A desigualdade é medida pelo índice Gini, que caiu de 0,61 para 0,55 entre 1993 e 2008 (quanto menor o valor, melhor o índice). Nos demais países do Brics, houve aumento. Mesmo assim, o Gini do Brasil é o maior entre eles e o dobro da média dos países ricos: no Brasil, 10% dos mais ricos ganham 50 vezes mais do que os 10% mais pobres.

Outro desafio para o país é fazer ajustes na política econômica. A divulgação do resultado do PIB do terceiro trimestre deste ano, que registrou uma variação zero em relação ao trimestre anterior, apontou a desaceleração da economia. Para sair da estagnação, o governo terá que fazer reformas, inclusive no sistema de tributação, para estimular o investimento por parte do setor privado.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Líderes europeus aprovam adesão da Croácia à UE

BRUXELAS, Bélgica, 24 Jun 2011 (AFP) -Os líderes europeus autorizaram nesta sexta-feira a adesão da Croácia à União Europeia (UE), com a aprovação da conclusão das negociações preparatórias com Zagreb, iniciadas em 2005.

Reunidos em Bruxelas, os líderes europeus aprovaram uma declaração na qual pedem a adoção de "todas as decisões necessárias para que as negociações de adesão com a Croácia sejam concluídas até o fim do mês de junho".

Isto equivale a autorizar a entrada de um país candidato no bloco.

A assinatura do tratado de adesão acontecerá antes do fim do ano, completa o texto.

A declaração insiste que a Croácia, que será o segundo Estado da antiga Iugoslávia, depois da Eslovênia, a entrar para a UE, deve prosseguir com os esforços de reforma, sobretudo no que diz respeito ao judiciário e aos direitos fundamentais.

domingo, 19 de junho de 2011

Europa prepara um balão de oxigênio financeiro para a Grécia

A Europa se apressava neste domingo a dar um pouco de oxigênio à Grécia para que possa enfrentar suas necessidades financeiras imediatas, ao mesmo tempo em que prepara um plano de resgate de longo prazo que tranquilize os mercados, temerosos da falência do país. Reunidos em Luxemburgo, os ministros das Finanças da zona do euro preveem aprovar o desbloqueio da próxima parcela do empréstimo previsto no primeiro resgate financeiro, de 110 bilhões de euros, prometidos em 2010 a Atenas por parte da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Provavelmente 12 bilhões de euros serão liberados no começo de julho: 8,7 bilhões de euros por parte dos europeus e 3,3 bilhões procedentes do FMI, que condicionou o pagamento à "aprovação de reformas da política econômica" na Grécia. O Parlamento grego prevê aprovar nos próximos dias novas medidas de austeridade e privatizações, para conseguir essa ajuda, apesar do descontentamento social que sacode o país e que esta semana forçou uma reforma do governo.

Mas a liberação da parcela de 12 bilhões de euros em empréstimos, embora evite a bancarrota imediata da Grécia, só dará ao país um alento temporário, até setembro. Com uma dívida equivalente a 150% de seu Produto Interno Bruto (PIB) e uma economia que não consegue levantar a cabeça, Atenas necessita imperativamente de um segundo resgate.

Mas as divisões entre os europeus não permitem pressagiar a aprovação de um plano antes de meados de julho. Esse pacote poderia chegar a 100 bilhões de euros a serem liberados até o final de 2014, contando, desta vez, não só com empréstimos dos países da zona do euro e do FMI, mas também com a soma obtida das privatizações programadas na Grécia e a participação de credores privados.

Vários países, com Alemanha à frente, primeira economia da zona do euro, exigem o envolvimento dos controladores privados da dívida grega neste novo resgate, para evitar onerar exclusivamente o contribuinte e um país que participa da união monetária. "A falência (da Grécia) pode contagiar Portugal e Irlanda e, devido a seu alto endividamento, a Bélgica e Itália, antes mesmo que a Espanha", preveniu o chefe dos ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Risco soberano do Brasil fica abaixo dos índices dos EUA

O ministro Guido Mantega (Fazenda) comemorou hoje a queda do risco soberano do Brasil abaixo dos índices dos Estados Unidos. Em seu comentário, chegou a "tirar onda" com o país da América do Norte.

"Não posso resistir a fazer o comentário de que pela primeira vez na história o Risco Brasil é menor do que o risco dos EUA", disse ele, afirmando que a presidente Dilma Rousseff "ficou muito satisfeita com a questão de o Brasil ter risco menor do que os Estados Unidos".

Segundo Mantega, o fato de o "Credit Default Swap", ou CDS, (instrumento de proteção contra o risco de um devedor não cumprir suas obrigações) do Brasil tem sido negociado abaixo do norte-americano "mostra que nós estamos praticando uma política econômica correta" e que o Brasil "vem impondo respeito do resto do mundo".

Ainda que circunstancial, o índice mostra que, na prática, investidores vêem mais risco de calote dos Estados Unidos que do Brasil.

FMI

Mantega, que deu entrevista no Palácio do Planalto para falar do café da manhã de governadores do Norte e Nordeste com a presidente, respondeu ainda sobre a corrida para dirigir o FMI.

Segundo ele, o Brasil só tomará uma posição após os dois candidatos finalistas --a ministra das Finanças francesa Christine Lagarde e o presidente do Banco Central mexicano Agustín Carstens-- passarem pela sabatina com a direção do FMI.

Ele voltou, entretanto, a reforçar a posição brasileira de que países emergentes precisam ter mais voz no organismo.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NOVO BLOCO ECONÔMICO UNE PAÍSES LATINO AMERICANOS

América Latina aprova criação de novo bloco regional sem os EUA

Os presidentes dos países da América Latina e do Caribe aprovaram, nesta terça-feira em Cancún, no México, a criação de um novo bloco que represente todas as nações da região sem a participação do Canadá e dos Estados Unidos.

O organismo se chamaria, temporariamente, Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos e iniciaria suas atividades a partir de julho de 2011 – data da próxima Cúpula da América Latina e do Caribe em Caracas, na Venezuela.

“Finalmente há um consenso sobre isso, também houve discussões intensas”, disse o presidente do México, Felipe Calderón. Segundo ele, o novo bloco deve “impulsionar a integração regional e promover a agenda regional em encontros globais”.

Até agora, os líderes ainda não incluíram Honduras no novo grupo regional.

O bloco seria uma alternativa à Organização dos Estados Americanos (OEA) – o principal fórum das relações regionais nos últimos 50 anos. A OEA tem sofrido críticas de seus próprios membros após uma série de embates políticos e comerciais entre países da região e os Estados Unidos.

Princípios

O novo organismo foi aprovado pelos 25 chefes de Estado e de governo que participaram da Cúpula no México.

Segundo o comunicado divulgado pelos líderes, o bloco terá entre seus princípios promover o respeito ao direito internacional, a igualdade dos Estados, evitar o uso de ameaça de força e trabalhar a favor do meio ambiente na região.

Além disso, o organismo deve promover a integração política da região assim como o diálogo com outros blocos. As regras de operação definitivas deverão ser adotadas no evento de Caracas, no próximo ano, ou na Cúpula que ocorrerá no Chile, em 2012.

'Substituição'

O presidente de Cuba, Raúl Castro, elogiou o anúncio sobre a aprovação do novo bloco, que incluiria o país, diferentemente da OEA.

Cuba foi suspensa da Organização dos Estados Americanos em 1962 por causa do sistema político socialista da ilha. Em 2009, a OEA decidiu aceitar novamente os cubanos no bloco, mas Cuba rejeitou.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já havia expressado seu apoio à proposta, afirmando que seria uma ação para distanciar a região da “colonização” americana.

Um representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que não acredita que o novo bloco substituirá a OEA. Os termos do novo organismo e a eventual substituição do Grupo do Rio e da Cúpula da América Latina e do Caribe pelo novo bloco ainda não foram esclarecidos.

Segundo o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, “é muito importante que não tentemos substituir a OEA”. “A OEA é uma organização permanente e tem suas próprias funções”, disse.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A importância da agropecuária brasileira

A produção agropecuária é uma atividade desenvolvida no espaço rural, em áreas que se encontram ocupadas pelo setor primário da economia no qual destaca-se a agricultura, a pecuária e as atividades extrativistas.
Os tipos de produções citadas têm como finalidade principal atender o mercado de alimentos e de matéria-prima. O espaço rural é caracterizado pela tranqüilidade e presença de cobertura vegetal original, animais silvestres entre outras.

Resumidamente, a produção no espaço rural é composta basicamente pela agropecuária, expressão usada para designar de forma agrupada a atividade pecuária e a agricultura.
Desde muito tempo que a agropecuária desempenha um papel de grande importância no cenário da economia nacional, além disso, é uma das primeiras atividades econômicas a serem desenvolvidas no país.

Outro ponto a ser destacado acerca da relevância que a agropecuária possui no Brasil é quanto à ocupação do território que teve início com a produção de cana-de-açúcar, posteriormente do café e, por fim, a pecuária, que conduziu o povoamento do interior do país.

A atividade agropecuária no Brasil representa 8% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e gera emprego para pelo menos 10% da população economicamente ativa do país.

A produção agropecuária tem como objetivo destinar seus produtos, tais como grãos, frutas, verduras e também carne, leite, ovos dentre outros, para abastecer o mercado interno e especialmente o mercado externo. Sem contar as matérias-primas.

São vários os fatores que favoreceu o acelerado crescimento desse tipo de produção no Brasil, dentre os principais estão:

- Grande população com perspectivas de mercado interno, generosa oferta de áreas propícias ao desenvolvimento de tais atividades e o processo de modernização e mecanização da produção rural.

- Irregularidades da superfície favoráveis à ocupação rural e a boa fertilidade em grande parte do território.

- A configuração climática foi determinante para a consolidação de culturas tropicais e criação de animais, uma vez que as temperaturas são altas durante todo o ano em grande parte do território.

O Brasil, como produtor rural, ocupa o primeiro lugar no mundo em produção de café, cana-de-açúcar, laranja e de bovinos, além de segundo e terceiro respectivamente na produção de soja (2º), milho (3º), suínos (3º) e eqüinos (3º).

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Conheça as principais instituições multilaterais

Organismos ou organizações internacionais, também chamados de instituições multilaterais, são entidades criadas pelas principais nações do mundo com o objetivo de trabalhar em comum para o pleno desenvolvimento das diferentes áreas da atividade humana: política, economia, saúde, segurança, etc.

Essas organizações podem ser definidas como uma sociedade entre Estados. Constituídas por meio de tratados ou acordos, têm a finalidade de incentivar a permanente cooperação entre seus membros, a fim de atingir seus objetivos comuns. Atuam segundo quatro orientações estratégicas:

· Adotar normas comuns de comportamento político, social, etc. entre os países-membros;

· Prever, planejar e concretizar ações em casos de urgência (solução de crises de âmbito nacional ou internacional, originadas de conflitos diversos, catástrofes, etc.);

· Realizar pesquisa conjunta em áreas específicas;

· Prestar serviços de cooperação econômica, cultural, médica, etc.

Abaixo, algumas das mais relevantes organizações internacionais:

ONU - Organização das Nações Unidas

Foi criada pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial e tem como principal objetivo manter a paz e a segurança internacionais. Proíbe o uso unilateral da força, prevendo contudo sua utilização - individual ou coletiva - para defender o interesse comum dos seus países-membros. Seu principal objetivo é manter a segurança internacional e pode intervir nos conflitos não só para restaurar a paz, mas também para prevenir possíveis enfrentamentos. Também incentiva as relações amistosas entre seus membros e a cooperação internacional.

UNESCO - Organização das Nações Unidas para educação, ciência e cultura

Foi criada em 1945 pela Conferência de Londres e tem como objetivo contribuir para a paz através da educação, da ciência e da cultura. Visa eliminar o analfabetismo e melhorar o ensino básico, além de promover publicações de livros e revistas, e realizar debates científicos. Desde 1960, atua também na preservação e restauração de espaços de valor cultural e histórico.

OCDE - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico

É um fórum internacional que articula políticas públicas entre os países mais ricos do mundo. Fundada em 1961, substituiu a Organização Europeia para a Cooperação Econômica, criada em 1948, no quadro do Plano Marshall. Sua ação, além do terreno econômico, abrange a área das políticas sociais de educação, saúde, emprego e renda.

OMS - Organização Mundial da Saúde

É uma agência especializada em saúde, fundada em 7 de abril de 1948 e subordinada à ONU. Sua sede é em Genebra, na Suíça. Tem como objetivo principal o alcance do maior grau possível de saúde por todos os povos. Para tanto, elabora estudos sobre combate de epidemias, além de normas internacionais para produtos alimentícios e farmacêuticos. Também coordena questões sanitárias internacionais e tenta conseguir avanços nas áreas de nutrição, higiene, habitação, saneamento básico, etc.

OEA - Organização dos Estados Americanos

Criada em 1948, com sede em Washington (EUA), seus membros são as 35 nações independentes do continente americano. Seu objetivo é o de fortalecer a cooperação, garantir a paz e a segurança na América e promover a democracia.

OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte

Foi criada em 1949, no quadro da Guerra Fria, como uma aliança militar das potências ocidentais em oposição aos países do bloco socialista. Formada inicialmente por EUA, Canadá, Bélgica, Dinamarca, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido, a OTAN recebeu a adesão da Grécia e da Turquia (1952), da Alemanha (1955) e da Espanha (1982).

BIRD - Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento

Com o objetivo de conceder empréstimos aos países membros, o BIRD, também conhecido como Banco Mundial, oferece financiamento e assistência técnica aos países menos avançados, a fim de promover seu crescimento econômico. É formado por 185 países-membros e iniciou suas atividades auxiliando na reconstrução da Europa e da Ásia após a Segunda Guerra Mundial.

FMI - Fundo Monetário Internacional

Criado para promover a estabilidade monetária e financeira no mundo, oferece empréstimos a juros baixos para países em dificuldades financeiras. Em troca, exige desses países que se comprometam na perseguição de metas macroeconômicas, como equilíbrio fiscal, reforma tributária, desregulamentação, privatização e concentração de gastos públicos em educação, saúde e infraestrutura.

OMC - Organização Mundial do Comércio

Trata das regras do comércio entre as nações. Seus membros negociam e formulam acordos que, depois, são ratificados pelos parlamentos de cada um dos países-membros. Tem como objetivo desenvolver a produção e o comércio de bens e serviços entre países-membros, além de aumentar o nível de qualidade de vida nesses mesmos países.

OIT - Organização Internacional do Trabalho

Tem representação paritária de governos dos seus 182 Estados-membros e de organizações de empregadores e de trabalhadores. Com sede em Genebra, Suíça, a OIT possui uma rede de escritórios em todos os continentes. Busca congregar seus membros em torno dos seguintes objetivos comuns: pleno emprego, proteção no ambiente de trabalho, remuneração digna, formação profissional, aumento do nível de vida, possibilidade de negociação coletiva de contratos de trabalho, etc.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O QUE É BIOCOMBUSTÍVEL???

Chamamos de biocombustível ao combustível produzido a partir de biomassa, ou seja, material constituído por substâncias de origem orgânica (vegetal, animal e microrganismos), cuja utilização pode ser feita a partir de sua forma bruta (como a madeira) ou de resíduos agrícolas, florestais e pecuários (como excrementos de animais); e, também, a partir do lixo orgânico.

Alguns estudiosos defendem o uso dos biocombustíveis, apontando para duas vantagens principais: a significativa redução de gases poluentes e o fato de serem fontes renováveis de energia (ao contrário dos combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão mineral).

Veja, a seguir, alguns tipos de bicombustíveis:

1. Biodiesel: combustível obtido a partir de óleos vegetais. Pode ser utilizado em motores diesel, puro ou misturado ao diesel fóssil, numa proporção de 1% a 99%. Principais culturas voltadas ao biodiesel:
a) Soja: é responsável pela produção de, pelo menos, 80% do biodiesel fabricado no Brasil.
b) Mamona: é a segunda cultura que mais atraiu investimentos por parte das usinas de biodiesel, principalmente pelo fato de existirem incentivos fiscais às indú
strias que compram a produção de pequenos agricultores.
c) Dendê: como matéria-prima para biodiesel, ainda não tem importância comercial.
d) Algodão: há um crescente interesse em utilizá-lo como fonte de biodiesel.
e) Pinhão-manso: utilizado na Ásia e na África como matéria-prima para a produção de agrocombustíveis. Quanto ao Brasil, a utilização ainda está em fase de estudos.

2. Etanol: do grupo dos alcoóis (onde se inclui também o metanol), é um álcool incolor, solúvel em água e extraído através do processo de fermentação da sacarose, de produtos como a cana-de-açúcar, milho, uva e beterraba.

3. Hidrogênio: a possibilidade de uso do hidrogênio como combustível é promissora, mas ainda se encontra em estudos.

Críticas ao biocombustível
Alguns cientistas, contudo, alertam que certos tipos de biocombustível podem causar impacto pior que o do petróleo no aquecimento global.

Paul Crutzen, por exemplo, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995, afirma que um combustível derivado de colza (espécie de couve cultivada na Europa) produz 70% mais gases causadores do efeito estufa do que o óleo diesel convencional, enquanto que o álcool de milho, produzido nos EUA, chega a ser 90% pior que a gasolina.

A sugestão de Crutzen é de que a produção de biocombustível use plantas que não dependam de muitos insumos e muita energia na colheita, pois algumas culturas necessitam de grande quantidade de adubo, e o uso desse insumo pode causar a emissão de gases-estufa que neutralizam - ou superam - o volume de CO2 absorvido. Grande número de fertilizantes também libera óxido nitroso (N2O), muito mais nocivo ao clima que o dióxido de carbono.

Segundo o cientista, os biocombustíveis não podem ser vistos como a panaceia mundial para combater a crise do clima.