Mostrando postagens com marcador Geopolítica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Geopolítica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Geopolítica: Quais são e o que querem os territórios que brigam por independência?

Não é de hoje que territórios e países em diferentes partes do mundo buscam independência. O ano de 2014 foi agitado neste quesito. Da Crimeia, que foi recentemente anexada à Rússia em um controverso processo, à Escócia, que desejava a independência em relação ao Reino Unido, assim como Irlanda do Norte e País de Gales, à Catalunha, na Espanha, vários movimentos tentaram obter ou persistem na ideia de separação. 
Os movimentos separatistas surgem por diferentes motivos. Podem ter cunho político, étnico ou racial, religioso ou social. Em sua maioria, trata-se de colônias ou territórios pequenos que se sentem desvalorizados pelos governos principais de seus países e buscam na independência uma forma de valorizar e garantir mais direitos e investimentos à sua população.
A Europa é o continente que mais vivencia essa situação de “desejo de independência”. Tal situação preocupa a União Europeia, que teme que caso um grupo separatista ganhe a causa provoque um efeito cascata nos demais movimentos.
Quando uma região ou território se torna independente mudam-se fronteiras, alianças, relações econômicas e blocos, e os “novos” países têm que iniciar uma série de reformas, criando instituições próprias como Banco Central, Forças Armadas, entre outras, e o “novo” país precisa ser reconhecido por outros países.
Conheça os principais territórios e países que, atualmente, desejam a separação ou ainda buscam o reconhecimento de sua independência, e os objetivos de cada um.

REINO UNIDO

O Reino Unido é um país europeu formado por Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. Sua capital é Londres, a mesma da Inglaterra, o que já aponta uma liderança desse país no bloco. Essa liderança, enxergada como favorecimento por uns, é um dos motivos do surgimento de movimentos separatistas nos demais países.
Arte/UOL
Mapa do Reino Unido
Escócia: Em 2014, a Escócia realizou um plebiscito para se tornar independente em relação ao Reino Unido. Em um dia histórico, 53% dos 3,6 milhões de eleitores votaram pelo “não”. Os partidários da independência, liderados pelo SNP (Partido Nacional Escocês), maioria no parlamento, buscam mais liberdade constitucional e autonomia fiscal, o que, segundo os críticos, estão centralizadas demais na Inglaterra. Outro objetivo é criar um fundo de reserva com o valor obtido na exploração de petróleo do Mar do Norte, cerca de £1 bilhão, ou US$ 1,6 bi, de acordo com os cálculos da ala favorável à separação.
País de Gales: Também deseja se separar do Reino Unido. Em um referendo em 2011, 63,49% dos eleitores votaram a favor da atribuição de maiores poderes à Assembleia Nacional de Gales. O partido Plaid Cymru é um dos principais promotores da ideia de separação. O objetivo da campanha é construir um Estado Nacional Autônomo.
Irlanda do Norte: Os irlandeses devem realizar um plebiscito sobre a independência em relação ao Reino Unido em até quatro anos. Em 1921, após a guerra de independência irlandesa contra o Reino Unido, Londres assinou uma trégua com Dublin e, dois anos depois, fundou o Estado Livre Irlandês. Nesse processo, o governo britânico ficou com seis dos nove condados que compõem a região do Ulster, província irlandesa. O objetivo da independência é juntar esses seis territórios à República da Irlanda. A independência é também uma das principais bandeiras do IRA (Exército Republicano Irlandês).

ESPANHA

O país convive há anos com os desejos de independência dos catalães e bascos, motivados, principalmente, pelo desejo de manter suas tradições culturais.
Arte/UOL
Mapa da Espanha
Catalunha: Um referendo sobre a independência acontece em novembro de 2014; a Espanha já declarou que o referendo é inconstitucional. O movimento de independência catalão é antigo. A Catalunha se considera um território a parte. É uma comunidade autônoma, tem autossuficiência legislativa e competências executivas, além de ter o próprio idioma, o catalão. Com a independência querem mais autonomia e o fortalecimento da sua cultura. Caso isso ocorra, Barcelona, uma das principais cidades turísticas da Espanha, se tornará a capital do novo país.
País Basco: Localizado no norte da Espanha, a oeste da França, busca separação desde 1959, quando nasceu o grupo separatista ETA (sigla para “País Basco e Liberdade”). O grupo propagou pela luta armada o desejo de independência, o que o fez ser considerado uma organização terrorista pela União Europeia e EUA. Em 2011, o ETA anunciou o fim da luta armada, mas segue em busca da separação. Com língua própria e um Parlamento desde 1980, os bascos ainda não têm território. Embora a região tenha autonomia desde a constituição espanhola de 1978, os separatistas querem que Espanha e França reconheçam a independência do País Basco que compreende os territórios de Álava, Guipúzcoa, Vizcaya, Navarra e Baixa Navarra, Lapurdi e Zuberoa, esses três últimos, territórios do País Basco Francês.

EX-UNIÃO SOVIÉTICA

Muitos movimentos separatistas que existem hoje na área da antiga União Soviética (composta pelos países Rússia, Ucrânia, Bielorrússia, Transcaucásia, Estônia, Lituânia, Letônia, Moldávia, Geórgia, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguizão e Tadjiquistão) ainda remontam da época do final do país, em 1991, que deu à região uma nova configuração, com novos países. Muitos territórios ainda brigam pelo reconhecimento de sua independência.
Arte/UOL
Área da antiga URSS - hoje separada em países e territórios que buscam o reconhecimento de sua independência
Ossétia do Sul (Geórgia): Com o fim da URSS essa área foi entregue à Geórgia. A partir daí, uma série de conflitos ocorreu entre russos e georgianos pelo controle da região. A Ossétia do Sul declarou independência em 2008, reconhecida apenas por Rússia, Venezuela, Nicarágua, Nauru e Tuvalu. EUA, UE (União Europeia) e ONU não reconhecem a separação. Os ossetianos do sul querem se juntar à Ossétia do Norte, uma república autônoma dentro da federação russa. A independência valorizaria mais a tradição dos ossetianos, que têm identidade e cultura diferentes dos georgianos e uma língua própria.
Abecásia (Geórgia): A Abecásia se considera um Estado independente desde a derrota das forças georgianas na guerra de 1992-1993. No entanto, sua independência não foi reconhecida pela ONU.
Nagorno-Karabakh (Azerbaijão): Em Nagorno-Karabakh a maioria da população é armênia. O território declarou sua independência em relação ao Azerbaijão, mas esta não foi reconhecida por nenhum país. O desejo dos separatistas é unir-se ao território da Armênia.
Transdnístria (Moldávia): Localizada na fronteira da Ucrânia com a Moldávia, a região do Leste Europeu declarou independência do governo moldávio em 1990. Moscou, apesar de não reconhecer a independência deu apoio econômico e político. Em um referendo de 2006, a região reiterou sua vontade de se separar e de uma eventual anexação à Rússia -- quase metade da população é de etnia russa. A Transdnístria tem sua própria moeda, Constituição, Parlamento e bandeira, mas quer ser reconhecida como um Estado independente e a anexação à Rússia.

OUTRAS PARTES DA EUROPA

Flanders (Bélgica): Com uma população de 6,4 milhões de habitantes, Flandres busca sua independência completa da Bélgica. A causa é defendida por partidos da ala conservadora, como o Vlaams Belang. A crise econômica que abala o país desde 2009 ajudou esses partidos a reforçarem a necessidade da separação. O objetivo é instituir a República de Flandres, que seria composta pelas regiões de Flandres, Bruxelas e Valônia.
Arte/UOL
Mapa da Bélgica
Ilha de Córsega (França): Na terra natal de Napoleão Bonaparte a vontade de tornar-se um território independente existe desde 1976. Quem mais difunde esse ideal é a FLNC (Frente de Libertação Nacional da Córsega), movimento político nacionalista e de luta armada. Os moradores da ilha tem seu próprio idioma e se referem ao resto da França como “continente”. Em 2013 o FLNC reiterou que continuará sua luta pela separação. Os nacionalistas querem mais autonomia em relação à França, que consideram enxergar a ilha apenas como reduto turístico e de exploração imobiliária.
Arte/UOL
Mapa da França
Padania (Itália): A unificação da Itália na segunda metade do século 19 não eliminou as diferenças regionais de seus territórios. Desde 1991 a Liga Norte (Lega Nord), grupo criado pelo político Umberto Bossi, defende a separação de uma área da região norte chamada de 'Padania'. Para o grupo, a região sul atrapalharia o progresso no norte do país. De acordo com a proposta, a Padania seria constituída por onze regiões da atual Itália (Lombardia, Veneto, Piemonte, Emilia-Romagna, Ligúria, Friuli, Trentina, o vale de Aosta, Úmbria, Marcas e Toscana), com uma população de 34 milhões de pessoas.
Arte/UOL
Mapa da Itália com a marcação de qual seria a região da Padania
Kosovo (Sérvia): Declarou sua independência da Sérvia em 2008, é reconhecido por vários países, mas não é membro da ONU. Sérvia, Rússia, China e outros países também não reconhecem a separação. Por esse motivo, sua independência não é tida como bem-sucedida. A separação visa preservar e garantir direitos e liberdades para a majoritária população albanesa do Kosovo, que não era vista com bons olhos pelo governo sérvio, que operou várias ofensivas militares contra o território.
Arte/UOL
Mapa da Sérvia

OUTRAS PARTES DO MUNDO

Quebéc (Canadá): O movimento de independência é liderado pelo PQ (Parti Québécois). No entanto, contra eles pesam os resultados de dois referendos sobre a questão, um em 1980 e outro em 1995, onde o “não” saiu vitorioso. Mesmo assim, o PQ quer convocar um terceiro referendo. A principal motivação é cultural. A maioria da população da província do Quebéc descende de franceses – o que faz do francês a língua principal--, ao contrário das outras províncias, onde a maioria descende de ingleses ou escoceses. A forte influência francesa tornaria a província sensivelmente diferente do resto do país. Os separatistas consideram ainda que a província não é beneficiada economicamente pelo governo canadense.
Arte/UOL
Mapa do Canadá
Tibete (China): O Tibete manteve o status de país independente entre 1911 e 1950. A situação mudou com a chegada de Mao Tsé-tung ao poder. Em 1963, a região foi nomeada Região Autônoma e hoje tem um governo apoiado pela China, que não abre mão de controlar o território. Os que defendem a independência consideram que a região está em atraso em relação às demais províncias costeiras chinesas, embora a China alegue ter levado progresso e benefícios materiais ao Tibete. Além disso, a população local enfrenta uma forte concorrência por emprego com os chineses e veem na ‘dura’ política chinesa uma ameaça às tradições religiosas e a liberdade.
Arte/UOL
Mapa da China
República Turca do Chipre do Norte (Chipre): Parte do território da ilha de Chipre que se considera independente desde 1983 e vive de acordo com as próprias leis sem, no entanto, ter sua independência reconhecida pela comunidade internacional. A região foi invadida pela Turquia em 1974 após um golpe militar greco-cipriota. A independência é reconhecida apenas pela Turquia, o que impossibilita a entrada do país na União Europeia, grupo do qual o Chipre faz parte.
Arte/UOL
Mapa do Chipre
Curdistão (Iraque): Considerada a área mais estável do Oriente Médio, o Curdistão iraquiano já é uma região autônoma, mas ainda busca sua plena independência. Além do Iraque, a área do Curdistão se distribui pela Turquia, Irã, Síria, Armênia e Azerbaijão. Os curdos são um grupo étnico com sua própria língua e cultura, diferentes das populações árabe, persa e turca predominantes na região. As diferenças culturais, a estabilidade econômica (a área é rica em petróleo) e a visão não tão radical da religião motiva os curdos iraquianos a desejarem a independência.
Arte/UOL
Mapa do Iraquefonte: UOL

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Noruega, o país mais próspero do mundo

Em 100 anos, passou de um dos países mais pobres da Europa para ser sinônimo de riqueza e justiça social, com um PIB per capita de US$ 100 mil

Jamil Chade, enviado especial - O Estado de S.Paulo
TONSBERG - Como milhões de imigrantes pelo mundo, Simone Brannstrom decidiu deixar seu país em busca de uma vida melhor. Acabou encontrando trabalho num restaurante no Porto de Tonsberg, cerca de 100 quilômetros de Oslo, na Noruega. "Aqui ganho muito mais que em meu país", diz Simone. Mas ela não vem da África, do Sudeste Asiático ou de algum país empobrecido. Loira, de olhos azuis e sorriso fácil, Simone vem da Suécia, um dos países mais ricos do mundo. Ela e milhares de outros jovens suecos optaram nos últimos anos por cruzar a fronteira e trabalhar na Noruega, espécie de oásis regado a petróleo.
A Noruega foi o país que menos sentiu a crise europeia - Marius Fuskum/Divulgação
Marius Fuskum/Divulgação
A Noruega foi o país que menos sentiu a crise europeia
Quarenta anos depois da descoberta do petróleo no Mar do Norte, a Noruega conseguiu traduzir esse recurso natural em prosperidade e igualdade. Pela primeira vez em 2014, um país terá um Produto Interno Bruto per capita acima de US$ 100 mil e, segundo a ONU, jamais uma sociedade atingiu nível de desenvolvimento humano igual ao de Oslo. O salário mínimo é de 4,8 mil, cerca de R$ 14 mil, o desemprego é de 2% e, mesmo em uma era de austeridade, o sistema do bem-estar social se manteve intacto.
A Noruega foi um dos poucos países a atravessar a crise global sem grandes impactos e, nas últimas eleições, o único debate era o que fazer com o dinheiro que sobra nos cofres públicos.
Ao contrário do que o petróleo causou no Oriente Médio ou Venezuela, o dinheiro desse recurso natural foi administrado de forma a criar uma situação inédita. Em 100 anos, a Noruega deixou de ser um dos países mais pobres da Europa, convivendo com o gelo e a escuridão por metade do ano, para se transformar em sinônimo de riqueza e justiça social. 
"Para muitos países, a descoberta do petróleo foi um problema. Mas nós conseguimos administrá-lo bem", declarou ao Estado Erling Holmoy, chefe da divisão de Estatísticas do governo da Noruega.
As contas demonstram isso. O país tem o maior fundo soberano do planeta, estimado em US$ 815 bilhões e os cofres do Estado estão abarrotados. O Estado norueguês comprou 1% de ações em bolsas de todo o mundo, investe em 3,2 mil empresas e, com apenas metade de seu superávit, poderia quitar as dívidas da Grécia. "A realidade é que estamos nadando em dinheiro", declarou Frode Rekve, que comanda o Instituto Norueguês de Mídia.
Hoje, a renda gerada pelo petróleo chega a US$ 40 bilhões por ano ao Estado. Um a cada três dólares obtidos pelas autoridades em Oslo vem do subsolo marinho. Mais da metade das exportações vem do setor de energia e o país já é o oitavo maior exportador mundial. Em termos per capita, a produção de barris na Noruega chega a ser superior à da Arábia Saudita.
Independente apenas desde 1905, a Noruega rejeitou em duas votações nos últimos 40 anos a ideia de fazer parte da União Europeia.
Estatais. Mas o modelo norueguês também tem outro componente: a forte presença do Estado em praticamente todos os campos da economia. Segundo especialistas, essa tendência começou depois da 2.ª Guerra Mundial, quando o governo nacionalizou empresas ligadas à Alemanha. Assim, o Estado ficou com 44% das ações da Norsk Hydro, tem participação de 37% na Bolsa de Valores de Oslo e em dezenas de empresas.
O capitalismo de Estado fez com que economistas ironizassem a situação chinesa. Uma piada contada entre analistas aponta que, no fundo, o modelo desenvolvido pelo Partido Comunista Chinês nos últimos dez anos não passa de uma cópia do modelo norueguês existente há meio século. Hoje, o Estado controla a petroleira Statoil, o grupo de telecomunicações Telenor, a fabricante de fertilizantes Yara, e o maior banco do país, o DnBNor.
Os sinais de prosperidade podem ser vistos em qualquer segmento. No início do ano, o governo da Noruega inaugurou uma ponte que acabou com o isolamento de um vilarejo com 74 moradores, no centro do país. A obra custou US$ 20 milhões.
As contas positivas e o sentimento de que os recursos são de todos também transformaram a maneira pela qual empregados e patrões negociam. Em Oslo, nada é como no resto do mundo. Os sindicatos, por exemplo, negociam a cada ano seus salários, dependendo das necessidades do setor exportador e para garantir que o produto nacional continue competitivo no mercado global. Nas eleições, partidos prometem não cortar impostos.
O sistema de bem-estar social permite que os homens cuidem de seus bebês e, a cada ano, o governo destina 2,8% do PIB para apoiar famílias em tudo que precisam para ter filhos. Mesmo aqueles que decidem não levar as crianças para creches recebem, a cada mês, um cheque de 200 para ajudar nos gastos.
A lei estabelece uma licença-maternidade de nove meses para a mãe, mas também quatro meses de licença para os pais. Nesses meses, quem paga o salário dos pais é o Estado. No ano passado, dois ministros do governo chegaram a se afastar de seus cargos pelo prazo determinado em lei, justamente para cuidarem de suas crianças.
Na avaliação do governo, esse incentivo para as mulheres e leis para garantir a igualdade de gênero são positivas para a economia. Hoje, empresas são obrigadas a dar 40% das vagas em seus conselhos para mulheres. Setenta e cinco por cento delas trabalham fora e, para o governo, isso representa maior atividade na economia e um número maior de pessoas pagando impostos.
Em recente entrevista ao New York Times, o primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, foi taxativo. "A lição da Noruega é a participação feminina na economia. Isso ajuda no crescimento, nas taxas de natalidade e no orçamento", declarou.
O imposto de renda é elevado, atingindo 42%. Mas existe um consenso de que o valor é justo para manter o sistema e que, de uma certa forma, tudo é devolvido em serviços. O Estado paga do berçário ao enterro, financia estudantes e até banca férias.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

1% da humanidade controla 50% do PIB mundial

GENEBRA – Metade da riqueza do mundo está nas mãos de apenas 1% da população mundial. Dados divulgados hoje pela ong Oxfam revelam o tamanho da disparidade social no planeta e num processo que ganhou força desde 2008, quando a crise mundial afetou em especial as classes médias.
A desigualdade social é considerada como tão profunda hoje que começa a assustar até os organizadores do Fórum Econômico Mundial de Davos, considerados como os arautos do capitalismo. Um informe preparado pela entidade que nesta quarta-feira começa seu encontro na estação de esqui na Suíça revela que as disparidades sociais são riscos reais para a estabilidade internacional. Entre os riscos para o mundo, Davos aponta que a disparidade é o maior deles.
Mas é o estudo da Oxfam que traz os dados mais reveladores. 85 fortunas mundiais acumulam a mesma riqueza que 3,5 bilhões de pessoas. Ou seja, metade da humanidade. Na prática, 1% das pessoas controlam 50% do PIB do planeta. O documentos será apresentado aos magnatas do mundo em Davos, muitos dos quais são até hoje apontados como os responsáveis por ter incentivado um cenário de irresponsabilidade financeira.
Desta vez, serão confrontados com números claros. Nos EUA, 95% do crescimento gerado após a crise de 2008 ficou nas mãos de 1% da população.
Na Europa, as dez pessoas mais ricas do Velho Continente mantém fortunas equivalentes a todos os pacotes de resgate dados aos países da região entre 2008 e 2010, cerca de 200 bilhões de euros.

http://blogs.estadao.com.br/jamil-chade/2014/01/20/1-da-humanidade-controla-50-do-pib-mundial/

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Comparação entre a nova escravidão e o antigo sistema

A assinatura da lei Áurea, em 13 de maio de 1888, decretou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sob outra, porém o trabalho semelhante ao escravo se manteve de outra maneira. A forma mais encontrada no país é a da servidão, ou ‘peonagem’, por dívida. Nela, a pessoa empenha sua própria capacidade de trabalho ou a de pessoas sob sua responsabilidade (esposa, filhos, pais) para saldar uma conta. E isso acontece sem que o valor do serviço executado seja aplicado no abatimento da conta de forma razoável ou que a duração e a natureza do serviço estejam claramente definidas.
A nova escravidão é mais vantajosa para os empresários que a da época do Brasil Colônia e do Império, pelo menos do ponto de vista financeiro e operacional. O sociólogo norte-americano Kevin Bales, considerado um dos maiores especialistas no tema, traça em seu livro “Disposable People: New Slavery in the Global Economy” (Gente Descartável: A Nova Escravidão na Economia Mundial) paralelos entre esses dois sistemas que foram aqui adaptados pela Repórter Brasil para a realidade brasileira.
brasil
antiga escravidão
nova escravidão
propriedade legal
permitida
proibida
custo de aquisição de mão-de-obra
alto. a riqueza de uma pessoa podia ser medida pela quantidade de escravos
muito baixo. não há compra e, muitas vezes, gasta-se apenas o transporte
lucros
baixos. havia custos com a manutenção dos escravos
altos. se alguém fica doente pode ser mandado embora, sem nenhum direito
mão-de-obra
escassa. dependia de tráfico negreiro, prisão de índios ou reprodução. bales afirma que, em 1850, um escravo era vendido por uma quantia equivalente a r$ 120 mil
descartável. um grande contingente de trabalhadores desempregados. um homem foi levado por um gato por r$ 150,00 em eldorado dos carajás, sul do Pará
relacionamento
longo período. a vida inteira do escravo e até de seus descendentes
curto período. terminado o serviço, não é mais necessário prover o sustento
diferenças étnicas
relevantes para a escravização
pouco relevantes. qualquer pessoa pobre e miserável são os que se tornam escravos, independente da cor da pele
manutenção da ordem
ameaças, violência psicológica, coerção física, punições exemplares e até assassinatos
ameaças, violência psicológica, coerção física, punições exemplares e até assassinatos
Observação: As diferenças étnicas não são mais fundamentais para escolher a mão-de-obra. A seleção se dá pela capacidade da força física de trabalho e não pela cor. Qualquer pessoa miserável moradora nas regiões de grande incidência de aliciamento para a escravidão pode cair na rede da escravidão. Contudo, apesar de não haver um levantamento estatístico sobre isso, há uma grande incidência de afrodescendentes entre os libertados da escravidão de acordo com integrantes dos grupos móveis de fiscalização, em uma proporção maior do que a que ocorre no restante da população brasileira. O histórico de desigualdade da população negra não se alterou substancialmente após a assinatura da Lei Áurea, em maio de 1888. Apesar da escravidão ter se tornado oficialmente ilegal, o Estado e a sociedade não garantiram condições para os libertos poderem efetivar sua cidadania. Por fim, as estatísticas oficiais mostram que há mais negros pobres do que brancos pobres no Brasil. Outro fator a ser considerado é que o Maranhão, estado com maior quantidade de trabalhadores libertos da escravidão, é também a unidade da federação com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a que possui a maior quantidade de comunidades quilombolas.

http://reporterbrasil.org.br/trabalho-escravo/comparacao-entre-a-nova-escravidao-e-o-antigo-sistema/

sábado, 23 de março de 2013

Veja os principais momentos da trajetória política de Hugo Chávez


O presidente venezuelano, Hugo Chávez, morreu após uma longa luta contra o câncer. Veja a seguir os principais fatos de sua trajetória política.
Veja os momentos que marcaram sua carreira política:
- 4 de fevereiro de 1992: O tenente-coronel Hugo Chávez fracassa em uma tentativa de golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Após permanecer dois anos na prisão, o então presidente Rafael Caldera concede anistia a Chávez.
- 6 de dezembro de 1998: Chávez vence as eleições presidenciais com 56% dos votos.
- 2 de fevereiro de 1999: Chávez assume a presidência e convoca um referendo para designar uma Assembleia Constituinte com a missão de escrever uma nova Carta Magna, que foi aprovada em 15 de dezembro em um plebiscito com mais de 70% dos votos.
- 30 de julho de 2000:  Chávez, cumprindo o previsto na nova Constituição, convoca eleições e é reeleito com 56,9% dos votos.
- 10 de dezembro de 2001: O presidente enfrenta sua primeira greve nacional, convocada por empresários e apoiada pela maior central sindical, contra leis consideradas confiscatórias.
- 11 de abril de 2002: O alto comando das Forças Armadas venezuelanas derrota Chávez, após um confronto nas imediações do Palácio presidencial de Miraflores que terminou com 19 mortos. O incidente ocorreu depois de uma grande manifestação em Caracas, convocada pelo setor empresarial e pela maior confederação de trabalhadores, para exigir a renúncia do presidente. A manifestação é desviada por dirigentes opositores para o Palácio presidencial, o que provocou o confronto.
- 12 de abril de 2002: O líder empresarial Pedro Carmona assume o poder e dissolve os poderes do Estado.
- 13 de abril de 2002: Chávez é restituído à presidência por militares leais e por uma enorme mobilização popular.
- 2 de dezembro de 2002:  Tem início uma greve petroleira com o objetivo de tirar Chávez do poder.
- 15 de agosto de 2004:  Chávez vence com 59% dos votos um referendo revocatório convocado pela oposição para destituí-lo.
- 4 de dezembro de 2005: A oposição decide boicotar as eleições parlamentares e o chavismo conquista todas as cadeiras da Assembleia Nacional.
- 3 de dezembro de 2006:  Chávez é reeleito presidente com 62% dos votos.
- 2 de dezembro de 2007: Uma reforma da Constituição proposta por Chávez, que inclui a reeleição ilimitada, é rejeitada em referendo.
- 23 de novembro de 2008: O chavismo vence as eleições regionais e municipais, mas perde nos Estados mais populosos e em Caracas.
- 14 de janeiro de 2009: A Assembleia Nacional aprova uma emenda à Constituição, que permite a reeleição indefinida do presidente.
- 15 de janeiro de 2009:  A emenda é aprovada em referendo.
- 26 de setembro de 2010: A oposição dividida obtém mais votos nas eleições legislativas, mas os governistas conquistam 60% das cadeiras do Parlamento.
- 30 de junho de 2011: Em uma mensagem à nação, Chávez afirma que foi operado em Cuba de um tumor cancerígeno.
- 20 de outubro de 2011: Chávez diz estar curado de câncer, após passar por tratamento de quimioterapia.
- 26 de fevereiro de 2012: Chávez é operado de um novo tumor na mesma região de onde foi retirado o primeiro. De março a maio, é submetido a um tratamento de radioterapia em Cuba, que o faz se retirar da vida pública.
- 9 de julho de 2012: Chávez assegura que está "totalmente livre" do câncer.
- 31 de julho:  O presidente assina em Brasília a entrada da Venezuela no Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai (suspenso) e Uruguai).
- 9 de dezembro: Chávez anuncia retorno do câncer e declara vice Nicolás Maduro como seu potencial sucessor .
- 11 de dezembro: É submetido à quarta cirurgia relativa ao câncer.
- 18 de fevereiro de 2013: Vindo de Cuba, Chávez retorna a Caracas para continuar tratamento contra câncer em hospital militar.
- 5 de março: Chávez morre em Caracas aos 58 anos.
Com AFP

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Retrospectiva 2011 - Os protestos que abalaram o mundo

Mohamed Bouazizi, 26 anos, era um vendedor ambulante numa cidadezinha na zona rural de Túnis, capital da Tunísia. Na manhã de 17 de dezembro de 2010, teve a barraca de frutas confiscada pelas autoridades. Humilhado e sem meios de sustentar a família, ateou fogo ao próprio corpo em frente à sede do governo. Morreu no hospital 18 dias depois.

A morte do tunisiano foi o estopim de revoltas que se espalharam no mundo árabe em 2011 e influenciaram outras revoltas na Europa, Estados Unidos e América Latina. A chamada “primavera árabe”, ainda em curso, foi um fato inédito na região. Pela primeira vez na história, ditadores e dinastias foram depostos do poder pela população, exasperada com a alta do preço dos alimentos e a falta de liberdade.

Quatro regimes autoritários chegaram ao fim, na Tunísia, Egito, Líbia e Iêmen, dando início a processos de transição em países sem partidos, Constituição ou sequer registros de eleições livres. Na Líbia, Muamar Kadafi, há 42 anos no poder, teve um final trágico: capturado por rebeldes em 20 de outubro, foi executado e exibido como troféu. Em outros países, manifestações têm sido reprimidas com violência. Na Síria, o governo de Bashar al-Assad teria matado entre 4 e 5 mil pessoas, reprimindo protestos ainda em curso que visam a sua deposição.

Protestos de rua também agitaram capitais do continente europeu, que enfrenta a pior recessão econômica desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em maio, 58 cidades espanholas foram tomadas por manifestantes do grupo “Indignados”, às vésperas das eleições regionais. Nos dias seguintes, o movimento reuniu até 8 milhões de espanhóis no país e em outras 16 capitais estrangeiras.

Por motivos diversos, Londres foi palco de uma onda de violência que deixou cinco mortos e mais de 3 mil detidos pela polícia. Tudo começou em 9 de agosto, quando 120 pessoas marchavam contra a morte de um rapaz de 29 anos, ocorrida durante uma ação da polícia londrina. Na madrugada, gangues iniciaram distúrbios que se estenderam até 10 de agosto por outras cidades do Reino Unido.

Na América Latina, os chilenos foram às ruas para protestar contra o sistema de ensino. Em 26 de agosto, confrontos entre policiais e manifestantes causaram a morte de um jovem de 16 anos. Os sindicatos aderiam ao movimento, até que, em setembro, conseguiram forçar o governo a negociar as reivindicações dos grupos estudantis.

Porém, nenhum movimento inspirado na “primavera árabe” foi mais global que o “Ocupe Wall Street”. Iniciado em Nova York em 17 de setembro, logo se alastrou pelas principais cidades norte-americanas e outras metrópoles mundiais (incluindo Brasil). O alvo dos rebeldes são a especulação financeira e as políticas neoliberais, responsabilizadas pela crise de 2008.
 

Sustos nas bolsas

O ano de 2011 foi também aquele em que a população mundial atingiu a marca de 7 bilhões de habitantes, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas). O número representa desafios para viver nas cidades, que já concentram 70% da população.

China e Índia são os países mais populosos com, respectivamente, 1,35 bilhão e 1,2 bilhão de habitantes, posição que se inverterá até 2025; nesse ano, de acordo com as projeções, estaremos a um quarto de século dos 9,3 bilhões de habitantes no planeta. E como será o mundo em 2050?

O olhar sobre 2011 oferece mais incertezas do que respostas. Mesmo na zona do Euro, com potências econômicas como Alemanha, França e Reino Unido, o ano foi de abalos na economia e na política. Ameaçada pela recessão e a crise dos débitos fiscais, a Europa teve que aprovar pacotes de ajuda a países como a Grécia, que anunciou um calote de 50% da dívida pública para evitar a moratória. Como resultado da crise, líderes políticos, entre eles o polêmico premiê italiano Silvio Berlusconi, perderam o cargo junto com a confiança do mercado e dos eleitores.

Um dos momentos mais dramáticos aconteceu em 5 de agosto, quando a agência de classificação de risco S&P rebaixou a nota da dívida americana para AA+ (fato que não acontecia desde 1917). O motivo foi a insegurança deixada pela disputa entre os partidos Democrata e Republicano sobre a elevação do teto da dívida, para evitar um calote histórico do governo americano.

Contudo, o presidente norte-americano Barack Obama teve uma importante vitória no ano que lembrou uma década dos ataques do 11 de Setembro. Em 1o de maio, Osama Bin Laden foi morto em uma operação militar nos arredores de Islamabad, capital paquistanesa. A guerra contra o terrorismo custou US$ 1,18 trilhão aos cofres americanos, em gastos militares com duas guerras, no Afeganistão e no Iraque.
 

Tsunami

Na Ásia, uma das piores tragédias de 2011 foi o terremoto no Japão, ocorrido em 11 de março. O tremor de 8.9 de magnitude provocou um tsunami no Oceano Pacífico que devastou a região noroeste do país, matando 20 mil pessoas e causando vazamento na usina nuclear de Fukushima.

Já no continente africano, as tragédias, como é usual, têm causas humanas. Em 20 de julho, a ONU anunciou crise de fome no Chifre da África, que inclui Djibuti, Etiópia, Quênia, Somália e Uganda. A epidemia de fome afeta 12,5 milhões de pessoas e já é considerada a pior do século. A situação é mais grave na Somália, onde metade da população passa fome e 15 crianças morrem por hora.

No Brasil, o primeiro ano do mandato da presidente Dilma Rousseff foi caracterizado pela queda de sete ministros, em razão de denúncias de irregularidades, e pelo aumento do prestígio internacional do país, que deve superar o Reino Unido e se tornar a sexta maior potência econômica do mundo, atrás dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.