quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Cinco cuidados para uma boa resposta - Repostagem

Reportagem da UOL vestibulares, vale a pena dar uma lida.

Cinco cuidados para uma boa resposta
Sueli de Britto Salles
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O que significa escrever bem? Seria essa habilidade avaliada apenas na prova de redação? A grande preocupação de alunos e professores com as provas de redação em concursos e vestibulares faz com que, muitas vezes, crie-se um véu de esquecimento sobre a importância da boa escrita nas questões discursivas. Essa é uma falha grave e precisa ser corrigida.

Assim como nas provas de redação, todos os tipos de questões que precisam de respostas escritas (ou seja, as que não são objetivas, como os testes) avaliam o candidato em suas habilidades de leitura, interpretação e produção de texto. Isso acontece porque não basta que o candidato tenha conhecimento do assunto questionado: a pergunta precisa ser bem compreendida para que a produção da resposta esteja adequada ao que foi solicitado.

A dificuldade na elaboração de respostas discursivas é um problema que acompanha a maioria dos estudantes em todo o período escolar. Para lidar com este problema, observemos algumas de suas possíveis causas.

Resposta excessivamente objetiva

Perguntas orais, normalmente, recebem respostas curtas, diretas. Assim, diante da pergunta: "Qual a capital da Argentina?", comumente se responde apenas: "Buenos Aires". Entretanto, esse excesso de objetividade não é adequado para provas escritas, pois nesse caso a resposta não passará de palavras soltas que, isoladamente, não possuem sentido. A primeira dica importante para responder às questões discursivas de qualquer disciplina, é a visão da resposta como um pequeno texto, que deve possuir sentido completo.

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Tema certo, resposta errada

No nervosismo decorrente da prova, o candidato lê a pergunta e, feliz por conhecer o assunto e ansioso por responder logo, passando para a próxima questão, registra seu pensamento de qualquer jeito, sem reler o que escreveu. Resultado: muitas vezes expõe muitos dados ligados ao tema, mas não responde ao que foi perguntado.

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Pergunta objetiva, resposta prolixa

Na insegurança de dar uma resposta curta e errar, o candidato opta por escrever tudo que sabe sobre o assunto, inclusive a resposta esperada, mas sem destacá-la. O problema, porém, é que o avaliador não saberá se o candidato realmente sabe a resposta ou está arriscando colocar vários dados para ver se algum preenche o solicitado. Resultado: prejuízo na nota.

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Resposta incompleta

Algumas perguntas são divididas em tópicos. Em alguns casos, isso vem marcado claramente (item a, b, c...), mas em outros não, ou seja, durante a redação da pergunta encontram-se várias solicitações. Em ambos os casos, o candidato deve ficar atento para responder a todas essas solicitações, criando um texto com todas as informações necessárias.

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Excesso de abstrações em questão dissertativa

As questões dissertativas, normalmente, trazem um tema polêmico, que deve ser analisado de modo crítico, num espaço relativamente longo (cerca de quinze linhas). O problema é que, por ter mais espaço que o normal para responder uma pergunta, o candidato pode cair em divagações abstratas, ou perder-se na hora de organizar o conjunto de informações de que dispõe sobre o tema.

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E não se esqueça de revisar os aspectos gramaticais, como ortografia, acentuação, regência, concordâncias e sintaxe, garantindo que todas as frases estejam corretas e bem construídas. Vale a pena gastar um pouco mais de tempo com a elaboração das respostas para garantir o máximo de pontuação em cada uma delas. Uma resposta bem elaborada pode valer muito mais do que duas com notas parciais.
Sueli de Britto Salles é mestra em língua portuguesa, leciona em cursos universitários e participa de bancas corretoras de redações em vestibulares.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos


Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos

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"Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados", justificou o ministro Richard Lochhead (à esq.)
 Foto: Dave Donaldson/Flickr/CC
A Escócia vai proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território, para preservá-lo “verde e limpo”, afirmou no domingo, 9 de agosto, o ministro dos Assuntos Rurais, Richard Lochhead.
Segundo nota do ministério, o governo escocês tomou como base as novas regras europeias que permitem que os países recusem individualmente “culturas geneticamente modificadas autorizadas pela União Europeia”.
“Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados, e preocupa-me que a permissão do cultivo transgênico na Escócia possa trazer prejuízos para a nossa imagem de país limpo e verde, pondo em causa o futuro do setor de alimentos e bebidas, que vale 14.000 milhões de libras”, justificou Lochhead.
De acordo com uma decisão de janeiro do Parlamento Europeu, todos os países da União Europeia podem apresentar razões socioeconômicas, ambientais e de ordenamento do território para se opor ao cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território.
O governo britânico é favorável às culturas geneticamente modificadas, mas as políticas agrícolas estão descentralizadas e, portanto, decididas pelos governos autônomos.
(Via Agência Lusa)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Aposentadoria: No Brasil, previdência é um desafio para o futuro

Como você imagina a sua renda no futuro? De 2009 para cá, o envelhecimento da população é uma tendência em muitos países e seu reflexo pode ser observado no consumo, mercado de trabalho, organização familiar e nos gastos do governo com saúde e previdência social.
Cada país pode ter o seu modelo próprio de previdência. No geral, o objetivo é o mesmo: garantir recursos financeiros à população mais velha ou que precisa de assistência e proteção quando esta se afasta do mercado de trabalho por diferentes motivos -- doença, invalidez ou idade avançada.
No Brasil a Previdência Social é um direito social assegurado na Constituição ao trabalhador registrado (há a opção privada, para qualquer indivíduo, em qualquer idade). A principal fonte de recursos para pagar as despesas da aposentadoria pública é a cobrança de um tributo em folha de pagamento.
Para manter o sistema em equilíbrio, o país precisa ter um número maior de pessoas no mercado de trabalho em relação ao número de beneficiados na previdência. Outra forma de equilibrar o sistema é alocar recursos para a previdência oriundos de outras fontes de arrecadação do governo.
Chama-se de deficit previdenciário o resultado negativo do cálculo a partir da diferença entre a arrecadação dessas contribuições e as despesas com os benefícios. Nos últimos anos, o Brasil acumula sucessivos deficits devido a um possível conjunto de fatores: a deterioração dos postos de trabalho, o emprego informal (sem carteira assinada), a má gestão dos recursos e o envelhecimento da população.
Em relação ao fator demografia, quanto maior é a expectativa de vida de uma população, maior é o gasto do governo com a aposentadoria dos trabalhadores. Uma pesquisa da ONU sobre Envelhecimento no Século 21 apontou que, entre os idosos, a segurança financeira representa a maior preocupação.
Nas últimas décadas, o Brasil viu sua população idosa aumentar em um ritmo mais rápido do que o previsto (devido à queda da fecundidade e ao aumento da expectativa de vida do brasileiro, que subiu para 74, 9 anos, segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Assegurar o bem-estar da população mais velha e equilibrar as contas da seguridade social é hoje um desafio para o futuro do país.
Atualmente o governo brasileiro alega que o sistema previdenciário não seria sustentável ao longo dos próximos anos. Para conter as despesas, o governo propôs endurecer as regras de acesso aos benefícios da previdência.
Em junho de 2015, o Congresso aprovou o mecanismo 85/95, que prevê mudanças no cálculo da aposentadoria. Com a nova regra, a soma da idade + o tempo de contribuição deve ser de 85 anos para mulheres e 95 anos para homens. A partir de 2017, o mecanismo será gradativamente acrescido em 1 ponto até 2022. Assim, em 2017 as idades passam para 86/96, em 2019 para 87/97, em 2020 para 88/98, até chegar em 90/100 em 2022.
A mudança gradativa foi uma decisão da presidente Dilma frente à proposta inicial aprovada no Congresso. O argumento foi que com o aumento da expectativa de vida, os gastos com aposentadoria dos idosos seriam acrescidos, elevando as despesas públicas e provocando um deficit previdenciário.
Hoje, a previdência consome 22,7% da despesa total do governo brasileiro. Uma pesquisa internacional apontou que os gastos previdenciários equivalem a 11% do PIB no Brasil e a 6% do PIB nos EUA, sendo que a proporção da população norte-americana acima dos 60 anos (16% da população total) é o dobro da brasileira (8% da população total).
Para especialistas, a valorização do salário mínimo -- que corrige os benefícios --, a aposentadoria precoce e o excesso de pensões são fatores que ajudam a elevar os gastos do governo com a previdência.
Por isso, equilibrar as contas públicas é um dos pontos centrais da mudança já que o Brasil viverá uma transição demográfica a partir de 2030, quando a previsão do IBGE indica que a população brasileira vai atingir seu pico e terá o maior número de pessoas trabalhando. A população jovem, entre 15 e 29 anos, deve cair muito a partir desta data.
Essa mudança de perfil na população torna urgente a discussão sobre o modelo de aposentadoria, já que os idosos de amanhã estão no mercado de trabalho hoje, e o governo precisa preparar seu orçamento para não ter o mesmo problema que países europeus, por exemplo.
A crise econômica da Europa não foi motivada por questões previdenciárias, mas esse item na despesa teve um peso considerável num cenário de alto endividamento público. Com um perfil de população mais velha -- visto como avanço e sinônimo de qualidade de vida -- os gastos sociais tornaram-se insustentáveis com a estagnação das economias desde 2009.
Um exemplo é a Grécia, ao lado da Itália, o país que mais gasta com previdência. Lá a renda em metade dos lares vem da aposentadoria e 45% dos aposentados vivem sob a linha da pobreza. Em meio à crise, a redução no valor pago às pensões, como exigem alguns, poderia reduzir os gastos, mas levaria a um aumento da população pobre e traria outros problemas ao país.
Toda essa discussão passa por garantir um bom envelhecimento e estabilidade aos mais velhos. Embora para uns a imagem de uma população mais idosa caracterize um país como frágil e incapaz, mudanças de comportamentos e novas tecnologias sugerem que não é bem assim.
Muitas pessoas preferem trabalhar mais que o tempo previsto, por exemplo, mesmo numa idade avançada. Muitos iniciam uma nova atividade para não ficarem parados. E será que gerações futuras vão desejar trabalhar mais tempo? Se sim, isso aumentaria o tempo de arrecadação do governo e a produtividade do país.
Ao longo da história, as mudanças demográficas criaram desafios importantes para as sociedades. Muitos países fizeram reformas, se adaptaram a novos cenários. Até 2030 o Brasil tem um curto tempo para definir como vai tratar a sua melhor idade.

BIBLIOGRAFIA

Artigo Previdência do trabalhador: uma trajetória inesperada, de Mariana Batich. 2004. Disponível online
O direito à velhice: Os aposentados e a previdência social, de Eneida Gonçalves de M. Haddad (Cortez; 2000)
Andreia Martins

segunda-feira, 20 de julho de 2015

DICA DE FÉRIAS: Geografia e Cinema

Vi esse post no Guia Abril do Estudante, vi só alguns. Vou começar a ver uns hoje.
segue ai o post.
Para aproveitar o finzinho de julho, preparamos um terceiro especial de filmes – desta vez, para ajudar você a estudar Geografia e mais um pouco de História. E a lista será dupla, com uma parte dedicada apenas a documentários.
As indicações foram feitas pelos professores de Geografia do Cursinho do XI, Alexandre Eneias Gobbis e Paulo Cezar.
Ficção:
Lincoln (2012). Dirigido por Steven Spielberg, o filme foi lançado em janeiro deste ano no Brasil e mostra a luta de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos de 1861 até seu assassinato em abril de 1865, para aprovar a 13ª Emenda, que abolia a escravidão no país, em 1865. (Leia mais aqui).
Os Miseráveis (2012). A história se passa na França do século XIX entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832.
Valsa Com Bashir (2008). Filme israelense sobre a 1ª Guerra do Líbano, no início dos anos 80.
Persepolis (2007). É sobre o início da nova República Islâmica e como ela passou a controlar como as pessoas deveriam se vestir e agir.
Munique (2005). Dirigido por Steven Spielberg, fala sobre um ataque terrorista que aconteceu nas Olimpíadas de Munique de 1972, quando um grupo palestino denominado Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e matou integrantes da equipe olímpica israelense.
Tropa de Elite 1 e 2 (2007 e 2010). Sobre a violência urbana no Rio de Janeiro.
1984 (1984). Adaptação do livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, que aborda o tema do totalitarismo.
Tempos Modernos (1936). Filme de Charles Chaplin que aborda a Revolução Industrial.
Daens – Um grito de Justiça (1992). O filme se passa na segunda metade do século XIX, período considerado como a Segunda Revolução
Industrial, que apresentou grande avanço tecnológico e científico.
Germinal (1993). Baseado no romance  de mesmo nome de Émile Zola, aborda os movimentos grevistas de um grupo de mineiros no norte da França do século XIX contra a exploração.
Documentários:
O Dia que durou 21 anos (2011). O documentário mostra a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964.
Capitalismo: Uma história de amor (2009). Filme de Michael Moore sobre o capitalismo, a liberdade e os Estados Unidos.
Chove sobre Santiago (1976). Sobre o golpe militar no Chile em 1973.
O contestado (2012). Sobre a Guerra do Contestado, ocorrida entre 1912 e 1916, que envolveu milhares de civis e militares e colocou Paraná e
Santa Catarina em disputa por questões territoriais.
Terra para Rose (1987). Documentário sobre a formação do MST.
O veneno está sobre nossa mesa (2011). Sobre o uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos no Brasil.

domingo, 7 de junho de 2015

Boko Haram: conflito e atrocidades na Nigéria

Em 14 de abril de 2014, o sequestro de 276 meninas em uma escola secundária do vilarejo de Chibok, na Nigéria, revelou ao mundo as atrocidades cometidas pelo grupo terrorista Boko Haram, que busca impor a lei islâmica no país.
O sequestro em massa das estudantes inspirou a criação da hashtag #BringBackOurGirls, que mobilizou campanhas na internet para resgatar as vítimas. Neste mês, um ano após o ocorrido, o episódio foi lembrado em protestos, vigílias e cerimônias em diversas partes do mundo.
Nesse período, 50 das meninas conseguiram fugir, mas a maioria ainda está desaparecida. As vítimas que escaparam relatam que foram estupradas, forçadas a se casar com militantes e serem doutrinadas na ideologia do grupo, que ainda ameaçou vendê-las como escravas e usá-las como mulheres bomba. A escola de onde elas foram sequestradas continua fechada.
No entanto, o horror e a violência continuam na Nigéria e o episódio de Chibok é apenas uma das facetas da atuação brutal do Boko Haram. A região nordeste enfrenta conflitos que envolvem o grupo terrorista, as forças militares nigerianas e milícias de autodefesa.
A Anistia Internacional divulgou um relatório que aponta que desde o início de 2014 até março de 2015 o grupo foi responsável pelo sequestro de mais de duas mil mulheres e meninas e pela morte de mais de cinco mil civis em 300 invasões e ataques no nordeste do país.
Homens e meninos foram assassinados ou obrigados a se juntar aos combatentes.  Além disso, os ataques estão provocando uma onda de refugiados e mais de um milhão e meio de pessoas se viram obrigadas a fugir de suas casas.
As escolas continuam sendo um dos principais alvos de ataques. Mais de 300 escolas foram destruídas na região nordeste e pelo menos 196 professores e estudantes foram mortos. E nas aldeias controladas pelo grupo, jovens pararam de estudar e está sendo imposta a sharia, lei tradicional islâmica.

Origem

O Boko Haram nasceu em 2002 e seu nome significa “educação ocidental é pecado”. O grupo foi fundado por Mohammed Yusuf, um líder religioso extremista que admirava o movimento Taliban no Afeganistão. Em 2009, ele foi morto por policiais e a nova liderança, Abubakar Shekau, aumentou a escalada de ataques e buscou desestabilizar o governo nigeriano.
Desde 2003, os insurgentes já fizeram milhares de vítimas em atentados contra instalações de segurança, instituições públicas, igrejas e escolas. Seu maior objetivo é impor um Estado Islâmico na Nigéria.
Assim como outros grupos extremistas islâmicos e jihadistas no mundo, o Boko Haram acredita que a cultura ocidental corrompe o Islã e quer impor a sharia, a lei tradicional islâmica. Além disso, o grupo condena a educação ocidental e proíbe mulheres de frequentar a escola.
Em junho de 2014, Abubakar Shekau chegou a proclamar a criação de um califado na cidade de Gwoza. Os Estados Unidos e a ONU acreditam que o Boko Haram tem conexões com os jihadistas da Al-Qaeda, o Estado Islâmico (EI) e grupos extremistas no Mali. O líder Shekau já anunciou lealdade ao EI, que atua na Síria e Iraque.

Resposta

O Boko Haram atua em uma das regiões mais pobres da Nigéria e que tem maioria mulçumana. O país tem uma tradicional rivalidade entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, principalmente cristão. A grande pobreza, a religião e o desemprego facilitam ao Boko Haram o recrutamento de novos guerrilheiros.
Em 2013, o governo da Nigéria estabeleceu estado de emergência na região nordeste e o Exército tem feito ofensivas a aldeias controladas pelo grupo e em locais suspeitos de abrigar os militantes. Porém, analistas internacionais consideram a atuação do governo nigeriano como fraca e lenta.
A Anistia Internacional estima que o Boko Haram tenha cerca de 15 mil combatentes. Para diplomatas, existe uma forte resistência do governo da Nigéria em intensificar a repressão aos insurgentes. Em março deste ano, o país teve eleições para presidente e Muhammadu Buhari, o adversário do presidente Goodluck Jonathan, ganhou. Em entrevistas após as eleições, o novo líder declarou que vai intensificar o combate ao Boko Haram.
A ONU fez um apelo para a necessidade de intervenção internacional contra o Boko Haram e alertou sobre o perigo do grupo começar a atuar em países vizinhos à Nigéria. Para a organização, é necessária uma atuação militar regional contra o avanço dos jihadistas na África. Hoje, países vizinhos como o Chade, Níger e Camarões estão apoiando as forças militares nigerianas em suas fronteiras. Os EUA também sinalizaram apoio militar à cooperação regional.
Carolina Cunha

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sete lugares que vivem à espera da próxima catástrofe

terremoto que aconteceu no sábado no Nepal causou pelo menos 5.000 mortes. Infelizmente, não foi uma surpresa: especialistas há muito tempo alertavam sobre a possibilidade de um terremoto no país. A última vez apenas uma semana antes do tremor, afirmando que poderia ser um desastre comparável ao de 1934, que deixou entre 7.000 e 12.000 mortos. De fato, foi o quarto terremoto no Nepal de magnitude superior a 6 graus na escala Richter desde 1980 e o maior desde o sismo de 1934, que atingiu 8,1 graus nessa escala.
Não é a única região do mundo que vive sob ameaça constante de um desastre natural. Vamos examinar algumas.
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1. Nepal: a catástrofe previsível


Nesse caso, o alarme vinha não tanto do fato desses terremotos serem (em parte) esperados, mas porque suas consequências seriam especialmente graves, levando em conta que Katmandu cresce cerca de 6,5% a cada ano e que muitos nepaleses moram em prédios que não estão preparados para esses desastres, segundo explicou a revista The Atlantic em um artigo intitulado precisamente “O terremoto que estava por vir no Nepal”. Para fazer uma comparação, o mesmo terremoto na Califórnia seria 100 vezes menos fatal.A Cruz Vermelha Britânica explicou, em outubro de 2014, que o Nepal é a 11a região do mundo sob risco de terremotos, em especial o vale de Katmandu. Não podemos nos esquecer que a cordilheira do Himalaia é resultado do movimento entre placas tectônicas sob a Ásia Central, que convergem cerca de 4 ou 5 centímetros a cada ano. As escaladas ao Everest e a outros picos da região costumam ser acompanhadas de tremores, e a região registra grandes terremotos a cada 70 anos, aproximadamente.

2. O Pacífico: The Big One

As regiões de mais risco de terremotos estão localizadas nas fronteiras das placas tectônicas: na costa americana do Oceano Pacífico, do Chile ao Canadá, e no Japão. Também são regiões de risco a Ásia Central (do Himalaia ao Irã) e o Mediterrâneo: Marrocos, Argélia e Turquia.
Na Costa do Pacífico dos Estados Unidos e do Canadá comenta-se sobre The Big One, o próximo terremoto de grande magnitude que ocorrerá na região, que está na falha de San Andreas. Segundo a BBC, “tanto no sul da Califórnia como na região da baía de San Francisco existe uma probabilidade superior a 90% de que nas próximas décadas ocorra um sismo de mais de 7 graus de intensidade”.
O Escritório dos Serviços de Emergência da Califórnia lembra que, mesmo com os planos de emergência previstos, “os cidadãos terão de se virar sozinhos por pelo menos 72 horas”, um conselho que se repete em outras regiões de risco como no Canadá e no México, país afetado por cinco placas tectônicas.
Segundo Luis Pablo Beauregard explicou no EL PAÍS, “os tremores no México mudam a vida”. Por exemplo, os cidadãos preferem morar no último andar ou no primeiro, para evitar o risco de morrerem esmagados. Também há serviços que enviam alertas ao celular com um minuto de antecedência sobre um terremoto, tempo que pode ser suficiente para se proteger.
O termo “the big one” também é usado no Japão, que em 11 de março de 2011 sofreu o maior terremoto já registrado no país, causando quase 16.000 mortes. O terremoto, que foi seguido por um tsunami, também provocou estragos na central nuclear de Fukushima e deslocou o país em 2,4 metros.
O geólogo Donald R. Prothero afirma em seu livro Catastrophes que os terremotos parecem ser os desastres naturais que “inspiram mais medo e temor”. As razões são complexas, escreve, mas a maioria dos psicólogos concorda que um dos principais elementos que causam medo dos tremores é que “não são previsíveis”. E acrescenta: “A maioria dos desastres naturais, incluindo furacões e tornados, tempestades e inclusive vulcões, costuma dar algum tipo de aviso”. No entanto, “ninguém pode prever os terremotos com sucesso a curto prazo”.
Em vermelho, as regiões com maior risco de terremotos. / U. S. GEOLOGICAL SURVEY
A professora e advogada Susan Estrich diz que quando se mudou para Los Angeles, o fato de se preparar para um terremoto fazia com que vivesse com medo diante da possibilidade de uma dessas catástrofes. É preciso considerar que esses preparativos incluíam deixar na creche uma sacola com um brinquedo e um objeto familiar para seus filhos, além do contato de alguém que não morasse no estado da Califórnia, caso não fosse possível localizá-la. Mas, segundo seu relato, chega-se ao ponto em que a pessoa tem de perceber que “não pode se preocupar com o que não pode prever” e é preciso aprender a viver com o medo dos terremotos. E conclui: “Hoje será outro lindo dia aqui em Pompeia”.

3. O Vesúvio: morar nas encostas de um vulcão

Mais de 600.000 pessoas moram nas encostas e arredores doVesúvio, o vulcão que sepultou Pompeia e Herculano no ano 79. Desde então, entrou em erupção em cerca de 30 ocasiões, sendo a última em 1944, quando destruiu 88 bombardeiros norte-americanos. A população teve tempo de se salvar. E inclusive de assar castanhas e acender cigarros na lava. No entanto, na erupção de 1906 cerca de cem pessoas morreram.
Segundo um alerta de um especialista japonês em 2013, o vulcão poderia voltar a entrar em erupção. As autoridades italianas têm previsto um plano de ação que evacuaria mais de meio milhão de pessoas em 72 horas. Os mais precavidos (ou pessimistas) acreditam que seria necessário se preparar para uma erupção mais violenta e repentina do que foi previsto nos planos, mas a verdade é que a população está mais preocupada com o tráfico e a criminalidade.
O Vesúvio visto de Nápoles. / GETTY IMAGES

4. Java: 30 vulcões e 120 milhões de pessoas

O Vesúvio não é, absolutamente, o único vulcão ativo que implica num risco. De fato, mais de 500 milhões de pessoas vivem perto de vulcões: 8% da população mundial. Embora seja arriscado viver perto de uma destas montanhas, não podemos esquecer que a maioria está inativa durante muito tempo e proporciona minerais, energia térmica e solos férteis. Só em Java (Indonésia) vivem 140 milhões perto de 30 vulcões, como lembra a National Geographic. O Merapi matou 60 pessoas em 1994 por causa de uma nuvem de gás e outras 353 em 2010. Em 2006, alguns habitantes locais se negavam a ser evacuados, já que consideravam que a montanha era sagrada. No ano passado, entrou em erupção o Sinabug, em Sumatra (outra ilha da Indonésia com atividade vulcânica). Morreram 15 pessoas. Java e Sumatra também correm risco de inundações, avalanches, tsunamis e secas.
E não é só: na semana passada lemos como no Chile foram evacuadas 70.000 pessoas que vivem perto do vulcão Calbuco, que entrou em erupção depois de 43 anos de inatividade. No México, o vulcão Popocatépetl está a 50 quilômetros de Puebla e por estes dias está com atividade de baixa intensidade. O monte Fuji, no Japão, está inativo há mais de 300 anos, mas no ano 2000 e em 2001 terremotos de fraca intensidade fizeram temer que estivesse despertando. O vulcão poderia ameaçar a vida de cerca de oito milhões de pessoas na região de Tóquio.
O monte Sinabung em janeiro de 2014. / BINSAR BAKKARA / AP
Quando o vulcão é um supervulcão que só entra em erupção uma vez em centenas de milhares de anos, misturam-se a fascinação e o temor. O supervulcão de Yellowstone é “milhares de vezes mais poderoso que um vulcão normal”, explica a revista Vox. Se entrasse em erupção, a nuvem de cinzas cobriria regiões de vários estados: Wyoming, Montana, Idaho e Colorado, podendo chegar inclusive a cidades como Los Angeles, San Francisco, Portland e Seattle. O risco é muito pequeno, já que esse vulcão só teve uma grande erupção três vezes na história: há 2,1 milhões de anos, há 1,3 milhão de anos e há 664.000 anos.

5. As Maldivas: destinadas a desaparecer

As Maldivas são um paraíso de areias brancas e águas azul-turquesa, mas como lembrou a BBC, 80% de suas 1.200 ilhas (200 delas habitadas) estão a pouco mais de um metro acima do nível do mar, que por sua vez está subindo 0,9 centímetro ao ano: “Em 100 anos as Maldivas poderiam se tornar inabitáveis” e os 400.000 cidadãos do país teriam de ser evacuados.
A capital, Malé, está rodeada por um muro de três metros de altura, o que não é de estranhar se levarmos em conta as frequentes inundações provocadas pelas marés (para não falar do tsunami de 2004). O governo das Maldivas está tentando aliviar os efeitos da mudança climática reflorestando as ilhas e observando de perto a erosão das praias, mas também estão sendo construídos mais resorts de luxo para o turismo. A revista Business Insider lembrou que as Maldivas não são as únicas ilhas que correm esse risco: a lista inclui Kiribati, as Seychelles, as ilhas Torres, Tegua e as ilhas Salomão, entre outras.
Rakkedhoo, um dos atóis das ilhas Maldivas, que poderiam desaparecer se o nível do mar continuar subindo. / GETTY IMAGES

6. Oklahoma: o beco dos tornados

O Tornado Alley (beco dos tornados) é uma ampla região dos Estados Unidos situada entre o Texas e Dakota do Norte onde são frequentes os tornados entre abril e setembro, quando o ar frio do Canadá se encontra com o ar tropical do Golfo do México. Só na região metropolitana de Oklahoma, onde vive 1,3 milhão de pessoas, houve mais de 120 tornados desde 1890. A região não passou mais de cinco anos sem um tornado (entre 1992 e 1998), embora a série tenha acabado com quatro em 13 de junho. Apesar de que os sistemas de detecção melhoraram muito, continuam havendo vítimas mortais. 11 pessoas morreram em maio de 2013, também em Oklahoma, quando aconteceu o tornado mais largo da história dos Estados Unidos. Três delas eram “caçadores de tormentas”.

7. Haiti: sem proteção natural para tormentas, furacões e terremotos

O Haiti é a metade ocidental da ilha Espanhola e foi colônia francesa entre 1697 e 1804. A outra metade é a República Dominicana, antiga colônia espanhola. Tal como explica Jared Diamond em Colapso, enquanto os espanhóis estavam muito ocupados com seus problemas em outras partes do mundo, os franceses se dedicaram ao cultivo intensivo da cana-de-açúcar e cortaram árvores para exportar madeira. Além disso, utilizaram a ilha como porto em seu tráfico de escravos africanos. O Haiti continuou explorando a cana-de-açúcar depois de sua independência e sofreu ditaduras sangrentas como as de “Papa Doc” Duvalier e seu filho.
Em consequência disso, esta metade da ilha ficou na pobreza e desmatada. Tal desmatamento também é responsável pelo fato de a chuva não encontrar obstáculos ao cair pelas encostas das montanhas, por isso não só os furacões, mas também as tempestades tropicais são um risco por causa dos deslizamentos de terra: em 2004 morreram 2.600 pessoas durante uma dessas tempestades. De fato e conforme aponta a revista Wired, o desmatamento poderia ter contribuído para o terremoto de 2010, depois da erosão provocada pelos dois furacões e pelas duas tormentas tropicais de 2008.
Mulher estende roupa entre os escombros do terremoto do Haiti, em 2010. / GORKA LEJARCEGI

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Agrotóxicos: Brasil é o maior consumidor mundial em 2014

Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos, pragas ou plantas no ambiente rural e urbano. Plantas absorvem parte dessas substâncias e esses resíduos acabam parando na maioria da mesa dos brasileiros, em alimentos que comemos todos os dias. 
Essas substâncias não estão presentes apenas em alimentos in natura como frutas, legumes e verduras, mas também em produtos alimentícios industrializados, que têm como ingredientes o trigo, o milho e a soja, por exemplo. Elas ainda podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos e até no leite materno. 
Em abril de 2015, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou um relatório sobre o uso de agrotóxicos nas lavouras do país e seus impactos sob o meio ambiente e à saúde. Segundo o instituto, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e utiliza agrotóxicos em larga escala. Para o agricultor, os agrotóxicos são recursos para combater as pragas, controlar o aparecimento de doenças e aumentar a produção. 
Em dez anos, a venda de pesticidas no mercado agrícola brasileiro aumentou de R$ 6 bilhões para R$ 26 bilhões. Atualmente, o país ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio  de 5,2 kg de agrotóxico ao ano por pessoa. 
Além de danos ambientais, a equipe do Inca alerta sobre os riscos de doenças como o câncer. Segundo o relatório, o que faz um alimento saudável é sua composição. Os agrotóxicos na alimentação podem alterar o funcionamento normal das células do corpo humano, causando mutações e maior probabilidade do desenvolvimento de doenças no futuro. 
No Brasil, cerca de 450 substâncias são autorizadas para uso na agricultura. O Inca alerta ainda sobre o uso de muitos princípios ativos que já foram banidos em outros países. Dos 50 produtos mais utilizados na agricultura brasileira, 22 são proibidos na União Europeia. 
Em 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um levantamento com amostras de alimentos em todo o país. No estudo, 25% apresentavam resíduos de agrotóxicos acima do permitido. O uso indiscriminado e abusivo desses produtos e a falta de fiscalização em relação a níveis seguros de substâncias aumenta o risco para a saúde dos brasileiros. 
Para o Inca, antes de liberar a venda de defensivos agrícolas, o Brasil precisa de pesquisas sobre os potenciais efeitos e riscos à saúde humana decorrentes da exposição aos químicos, particularmente sua relação com determinados tipos de câncer.  
A relação entre o consumo de agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer e outras doenças já é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma pesquisa publicada na revista científica “The Lancet”, em março deste ano, pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), classifica cinco agrotóxicos como prováveis agentes cancerígenos: tetraclorvinfós, parationa, malationa, diazinona e o glifosato. Esses agentes são liberados no Brasil, mas apenas o glifosato possui registro de produto. Em abril de 2015, a Anvisa anunciou que vai revisar a liberação do uso do produto no país. 
Em 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrascp) divulgou um relatório com estudos que comprovam que agrotóxicos fazem mal à saúde e provocam efeitos nocivos com impactos sobre a saúde pública e a segurança alimentar e nutricional da população. 
Segundo o relatório, as intoxicações agudas por agrotóxicos afetam principalmente os trabalhadores rurais que entram em contato com doses altas desses químicos via pele ou pelos pulmões. Eles podem apresentar problemas como irritação da pele e olhos, coceira, cólicas, vômitos, diarreias, espasmos, dificuldades respiratórias, convulsões, desregulação endócrina e até a morte. 
Já as intoxicações crônicas podem afetar toda a população que consome os alimentos com resíduos de agrotóxicos. Os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos podem levar vários anos para aparecer, dificultando a correlação com o agente. 
Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.

Meio ambiente, transgênicos e agrotóxicos

Um fator que colaborou para colocar o Brasil no topo do ranking de consumo foi a liberação do uso de sementes transgênicas (geneticamente modificadas) no país. O cultivo dessas sementes exige o uso de grande quantidade de agrotóxicos. 
Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. São mais de 42 milhões de hectares de áreas plantadas no país com esse tipo de semente, principalmente na produção de soja e milho. 
Os agrotóxicos também contaminam o meio ambiente. A pulverização dos químicos acontece em sua maior parte por avião, contaminando o ar da região e áreas próximas, como cidades vizinhas que podem receber o químico levado pelo vento. Isso afeta animais como abelhas e insetos, que são importantes para o equilíbrio do ecossistema. No solo, os químicos podem influenciar na falta de compostos orgânicos e microorganismos e podem contaminar a água de córregos, rios, lençóis freáticos ou aquíferos.  
Alimentos orgânicos são aqueles que não usam fertilizantes sintéticos, agrotóxicos ou pesticidas em seu método de cultivo. Os solos são enriquecidos com adubos naturais tornando esse tipo de alimento mais saudável e nutritivo. Apesar dos benefícios, o alimento orgânico é mais caro no Brasil, pois a produção é de baixa escala e a maior parte é proveniente da agricultura familiar, o que impacta no custo de distribuição e comercialização. 
O uso de agrotóxicos se intensificou no Brasil na década de 1970, quando o governo buscou fomentar a produção de agrotóxicos para estimular o crescimento do agronegócio e garantir alta eficiência produtiva. Nesta época, o financiamento bancário para compra de sementes era atrelada ao adubo e o agrotóxico. Atualmente, a indústria química de defensivos agrícolas é isenta de impostos. 
Uma das soluções para reduzir o uso dessas substâncias seria investir em projetos de larga escala de agroecologia, um meio ecologicamente correto e viável de se manejar e cultivar as plantas. Neste tipo de plantio, podem ser usadas técnicas conhecidas por engenheiros agrônomos e que não utilizam  químicos, como sistemas de irrigação eficiente, biofertilizantes que agem como inseticidas biológicos, alternância de plantações e rotação de espécies, adubação com restos orgânicos, compostagem, entre outros. 
Países como a França, o maior produtor agrícola da Europa, já estão desenhando planos para a promoção de um modelo agroecológico, que concilie os níveis de produtividade e o impacto ambiental. 
 Por Carolina Cunha

quarta-feira, 29 de abril de 2015

CALENDÁRIO VESTIBULAR 2016 - UNICAMP, UNESP E ITA

eja as datas:
Calendário Unicamp 2016
3/8/2015 a 3/9/2015Período de inscrições
22/11/2015Primeira fase
14/12/2015Convocados para a segunda fase
17, 18 e 19/1/2016Segunda fase
12/2/2016Divulgação da primeira chamada
16/2/2016Divulgação da segunda chamada
Calendário Unesp 2016
14/9/2015 a 13/10/2015Período de inscrições
15/11/2015Primeira fase
13 e 14/12/2015Segunda fase
5/2/2016Divulgação do resultado
Calendário ITA 2016
1/8/2015 a 15/9/2015Período de inscrições
15, 16, 17 e 18/12/201515, 16, 17 e 18/12/2015
30 ou 31/12/2015Divulgação do resultado

quinta-feira, 23 de abril de 2015

DICAS PARA PROVAS DE MÚLTIPLA ESCOLHA

Essa postagem surgiu de uma aula que se questionava porque não conseguia o desempenho esperado nas provas de múltipla escolha. Muitos alunos vão melhor em questões discursivas do que objetivas.
Espero que essas dicas possam ajudar.
Dicas para provas de múltipla escolha:
1. Leia a questão por inteiro antes de responder a ela. Muitos alunos cometem o erro de responder à questão antes de lê-la na íntegra e, às vezes, escolhem uma alternativa que, embora seja verdadeira, não é a resposta à pergunta. Trata-se de uma “pegadinha” muito comum. De fato, o tempo é limitado, mas leia todas as questões do começo ao fim!
2. Após ler a questão inteira, pense na resposta antes de ler as alternativas. Desse modo, há menos chance de você se deixar confundir por alternativas parecidas e ambíguas.
3. Elimine as alternativas que são obviamente incorretas. Em cada questão, há geralmente uma ou duas alternativas que são gritantemente erradas – muitas delas nem fazem sentido. Mesmo que você não saiba a resposta à pergunta, ao eliminar as alternativas que são evidentemente incorretas, passa a ter mais chances de escolher a resposta certa. Por exemplo, se conseguir eliminar duas alternativas, e não tiver ideia da resposta correta, há 1/3 de chance de você escolhê-la. Afinal, sobraram três alternativas possíveis. Escolha uma delas. Se de cada três questões de cuja resposta você não tem ideia, você acertar uma, seu resultado na prova será melhor. Isso pode fazer toda a diferença e garantir sua vaga na faculdade e no curso de sua escolha.
4. Leia todas as alternativas antes de escolher uma delas. Em várias questões, há diversas respostas plausíveis. É importante lembrar: você precisa escolher a resposta que melhor responde à questão, e não simplesmente uma resposta que, teoricamente, pode ser considerada verdadeira.
5. Se a prova não o penaliza por escolher uma alternativa incorreta, responda a todas as questões. Não deixe nenhuma delas em branco, mesmo que não tenha a mínima ideia da resposta. Não responder à questão equivale a escolher a resposta incorreta. Mas se você adivinhar a resposta, há pelo menos a possibilidade de ter adivinhado corretamente. Os corretores da prova não têm como saber se você respondeu à questão corretamente porque sabia a resposta ou porque adivinhou e, para eles, não faz diferença. O que vale é a escolha da alternativa correta. Portanto, preencha uma resposta para todas as questões da prova.
6. Após responder a uma questão, não mude a resposta, a menos que tenha certeza de que errou. Estudos demonstram que a primeira escolha é geralmente a correta. Portanto, não se deixe levar por dúvidas e mudar suas respostas. Mude-a apenas se notar que preencheu a alternativa de forma incorreta (por exemplo, você pretendia escolher a alternativa b e, sem querer, escolheu a alternativa c) ou se, de repente, se lembrar de algum fato relevante à questão do qual não se lembrara quando a respondeu.
7. Em provas de múltipla escolha, é comum que haja opções como: “Todas as alternativas estão corretas” e “Nenhuma das alternativas está correta”. Se você tem certeza de que uma delas é correta, evidentemente não escolherá a resposta “Nenhuma das alternativas está correta”. Se tem certeza de que uma das alternativas é incorreta, tampouco escolherá a alternativa “Todas as alternativas estão corretas”. Essa dica parece óbvia, mas, frequentemente, esse tipo de pergunta confunde o aluno, em especial se ele estiver nervoso durante o exame.
8. Se houver alguma pergunta com alternativas “Todas as alternativas estão corretas” e “Nenhuma das alternativas está correta”, e você notar que há, no mínimo, duas alternativas corretas, é provável que a resposta certa seja “Todas as alternativas estão corretas”. Mas mesmo que você saiba que duas delas estão incorretas, pense bem antes de marcar “Todas as alternativas estão incorretas”. Dificilmente essa será a resposta certa, pois o exame quer testar seu conhecimento, e não sua habilidade de detectar o que é falso ou incorreto. “Nenhuma das alternativas” é usada com frequência porque quem escreveu a questão não consegue pensar em mais de três ou quatro alternativas plausíveis para ela. Obviamente, não podemos garantir que seja sempre esse o caso. Nosso propósito aqui é oferecer dicas, não garantias.
9. Em muitos casos, a alternativa correta é a mais longa – a que traz mais informação. Se você não tem ideia da resposta e não consegue eliminar nenhuma das alternativas, escolha a mais longa.
10. Se há duas alternativas antitéticas, isto é, uma é o oposto da outra, é provável que uma delas seja a correta. Portanto, se você não tiver ideia da resposta, escolha uma dessas duas.
11. Se você conhece o assunto testado por uma questão, mas está tendo dificuldades em responder a ela porque parece haver mais de uma resposta possível, compare-as com cuidado. Deve haver algum detalhe em uma das alternativas que a torne incorreta. Caso contrário – se houver mais de uma alternativa correta – a questão será eliminada, o que é algo constrangedor para os autores e administradores do exame. 
12. Lembre-se de que você está sempre buscando a melhor resposta – uma afirmação ou fato que seja sempre verdadeiro, sem exceção.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Em três anos, número de engenheiros formados já supera em 2,5 vezes demanda prevista para 2020

Por Juliana Ewers
A máxima de que há um “apagão de mão de obra” na engenharia em relação à demanda supostamente crescente nos próximos anos não se sustenta, de acordo com as expectativas para o setor apresentadas hoje no seminário “Formação e Emprego de Engenheiros no Brasil: Tendências Atuais”, realizado pelo DPCT (Departamento de Política Científica e Tecnológica) e pelo PPG-PCT (Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Estudo realizado em 2010 pelo professor Sérgio Queiroz, que é doutor em economia, já apontava para o fato de o Brasil chegar em 2020 formando algo em torno de 80 mil a 107 mil engenheiros – à época, a pesquisa considerou variações de cenários, sendo o mais pessimista de 3% de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) e o mais otimista, de 6% – para uma demanda calculada, na melhor das hipóteses, de 60 mil novos postos de trabalho registrados, efetivamente, como engenheiros.
A atualização quanto ao número de formados apresentada hoje indica uma discrepância ainda maior nessa relação. Mantida a perspectiva de 60 mil vagas em 2020, o número de engenheiros que entrará no mercado saltou para 148 mil – 2,46 vezes mais do que será possível absorver.
Para o professor Renato Pedrosa, Ph.D. em Matemática e responsável pela nova pesquisa, esse aumento de formados se deve à contínua e crescente participação da rede privada, percebida principalmente depois de 2005, quando o número de ingressos nesse tipo de instituição de ensino superior ultrapassou as universidades públicas.
Em 2012, eram 713.558 estudantes nos cursos de engenharia no Brasil. Deste total, 267.512 haviam ingressado naquele mesmo ano, estando 78,5% matriculados em faculdades particulares. Ainda em 2012, 54.042 universitários concluíram a graduação – 61,9% em instituições privadas e 38,1%, em públicas. Os números da pesquisa indicam que, em 2017, 72% dos graduados – 106 mil – virão do ensino privado.
“Em termos quantitativos, não há sinais de apagão de engenheiros, como costuma-se falar. O que podemos questionar é se há escassez de engenheiros qualificados, bem-formados. É óbvio que existem excelentes faculdades particulares, que formam ótimos profissionais, profissionais bastante preparados. No entanto, temos aquelas instituições que só visam os fins lucrativos e acabam despejando uma grande quantidade de profissionais que não são suficientemente preparados”, analisou Pedrosa.
Quanto à qualidade do ensino, ao verificar o conceito Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) foi observado que as notas dos alunos das universidades públicas concentram-se entre 4 e 5. Já os estudantes das instituições privadas alcançaram, em sua maioria, notas 2 e 3.
“Estamos voltando àquela história do engenheiro que virou suco”, recordou Queiroz a história do engenheiro Odil Garcez Filho que abriu uma lanchonete na avenida Paulista com este nome e virou símbolo da recessão econômica na década de 1980. “A demanda para engenheiro é baixa frente ao volume de pessoas que estão se formando”, completou.
Em 2012, os cursos de engenharia com maior número de concluintes foram Produção, Civil e Construção, Eletricidade e Energia, Metalurgia e Mecânica, e Eletrônica. Em 2017, do total de graduados, 84.112 serão apenas de engenharia Civil, a especialidade que mais terá formados.
“O curso de engenharia está virando, se é que ainda não virou, como os de administração e direito. Antes, muitas pessoas iniciavam essas graduações apenas para ter um diploma. O que não podemos esquecer é que estudar engenharia é caro, muito caro. E, com o ProUni e Fies, temos dinheiro público sendo aplicado em formações, cujos profissionais não terão mercado suficiente”, afirmou Pedrosa.
A dificuldade para entrar no mercado passa também pela questão de não se conseguir cargos como engenheiro. Muitos profissionais acabam desempenhando funções técnicas ou de nível médio, mesmo depois de formados. “Não seria melhor então formar bons técnicos do que formar engenheiros para serem técnicos? É preciso que haja uma reestruturação da educação. Aqui no Brasil, fizemos ao contrário. Ao invés de investir na educação básica, fortalecer o ensino médio, para depois passar para o ensino superior, começamos ao contrário. Estamos expandindo o ensino superior sem criar uma base”, concluiu Pedrosa.
A pesquisa não considerou os chamados “cargos ocultos”, que dizem respeito aos profissionais de engenharia que assumem cargos de gestão, por exemplo.

Juliana Ewers

Juliana Ewers é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e possui especialização em Gestão de Comunicação com o Mercado, pela Esamc. Atuou como repórter do Jornal Metro e do Grupo Bandeirantes de Comunicação . É editora assistente daInovação – Revista Eletrônica de P,D&I .