quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Golpe de Estado em Honduras

Crise relembra instabilidade política do século 20

O golpe de Estado que depôs o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, no último dia 28 de junho, isolou o país diplomaticamente e reviveu um clima de precariedade política que marcou a América Central durante todo o século 20. Neste período, a região foi palco de golpes militares e laboratórios de regimes comunistas, à sombra dos Estados Unidos.

A crise começou com a tentativa do presidente deposto de fazer, sem apoio político ou amparo legal, um referendo popular para tentar mudar a Constituição do país, com o objetivo de permitir a reeleição presidencial.

Zelaya foi eleito em 2005 por um partido de centro-direita, mas durante o governo deu uma guinada e se aliou ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para obter concessões com a importação de petróleo venezuelano.

Chávez se mantém há dez anos n
o poder, autorizado por sucessivas consultas à população. Com as proximidades das eleições gerais em Honduras, marcadas para novembro deste ano, Zelaya quis usar da mesma estratégia para mudar uma cláusula pétrea (que não pode ser alterada) da Constituição, que restringe o cargo a apenas um mandato, de quatro anos.

Sem apoio do partido que o elegeu
e com minoria no Congresso hondurenho, o plebiscito de Zelaya também foi proibido pela Suprema Corte, com respaldo do Ministério Público e do Exército. Numa situação inusitada, o presidente foi detido na manhã do dia 28 de junho pelos militares, ainda vestindo pijama, e levado para um vôo com destino à Costa Rica.

Roberto Micheletti, ex-líder do Congresso, assumiu o governo interino até as próxima
s eleições, enquanto Zelaya foi impedido de voltar ao país, sob ameaça de prisão, a menos que seja anistiado.

República das bananas

Honduras é um dos países mais pobres da América Central, com 7,79 milhões de habitantes concentrados numa área pouco maior que o Estado de Pernambuco. O país passou por uma sucessão de golpes de Estado durante o século passado, que incluiu 25 anos de regime militar até a redemocratização, no começo dos anos de 1980.

Esta fragilidade política foi caracterizada, pejorativamente, pelo termo "república das bananas", em referência ao principal produto de exportação da América Central. Na defesa dos interesses econômicos de empresas como a United Fruit Company, os Estados Unidos mantiveram forte influência sobre a região, depondo governos quando era conveniente.

Honduras, em especial, é um aliado histórico de Washington, com governos de tradição conservadora. Durante a Guerra Fria, serviu de base para a CIA, o serviço secreto norte-americano, prepara
r a tentativa frustrada de invasão à Cuba.

Nos anos de 1980, já convertida numa espécie de campo de treinamento militar, Honduras abrigou grupos de contra-revolucionários para combater, na Nicarágua, a Revolução Sandinista, uma guerrilha comunista que destituiu a ditadura da família Somoza (apoiada pelos Estados Unidos) em 1979.

Com este contexto histórico nada positivo, o atual presidente norte-americano, Barack Obama, tem feito esforços para se manter nos bastidores da batalha diplomática que visa devolver a estabilidade ao governo hondurenho, delegando a mediação à Costa Rica. A relutância do governo interino de Honduras em devolver Zelaya ao cargo, porém, vem dificultando as negociações.

Clima tenso

O golpe de Estado teve, de imediato, duas consequências que serão também fatores essenciais para o desdobramento da crise.

Internamente, o país foi dividido politicamente, com as ruas de Tegucigalpa, capital honduren
ha, tomadas por protestos de simpatizantes e opositores ao presidente deposto. Os confrontos entre militares e manifestantes já deixaram dois mortos no aeroporto da capital. O Exército também decretou toque de recolher a partir das 22 horas.

Ao romper com a tradição e se aproximar de Chávez, Zelaya teria desagradado elites hondurenhas. Como as leis do país não possibilitavam a alternativa de um impechament, a única saída para esses grupos foi recorrer ao golpe de Estado.


Externamente, como era de se esperar, a medida não encontrou respaldo, e o governo que assumiu foi considerado ilegítimo e condenado por todos os países das Américas, até antagônicos como Venezuela e Estados Unidos.

O país foi suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA), numa decisão raras vezes adotada. Outros países que sofreram a mesma sanção foram Cuba, em 1962, por seu alinhamento com a ex-União Soviética, e Haiti, em 1991, depois também de um golpe de Estado.

Como resultado, Honduras começou a sofrer pressão política e econômica, com suspensão provisória de transações comerciais, isolamento diplomático e cortes em linhas de créditos e ajuda financeira de bancos internacionais. Sem o petróleo venezuelano, cujo suprimento foi cortado por Chávez em represália à destituição do aliado, as reservas no país garantiriam o abastecimento por apenas uma semana.

O país vive hoje um impasse: sem condições políticas internas para repor o presidente eleito ao cargo, atendendo os apelos da comunidade internacional, e ao mesmo tempo sem apoio para perpetuar um governo sem legitimidade. Uma possível saída, que consta na pauta de discussão entre Zelaya e Micheletti, é a antecipação das eleições presidenciais. Será mais uma tentativa de salvar uma democracia de saúde tão frágil em Honduras.

José Renato Salatiel

RESUMÃO

  • 28/06/2009 Golpe de Estado depôs Manuel Zalaya, presidente de Honduras
Causas
  • Para se reeleger, Zelaya queria mudar a Constituição com um referendo popular.
  • Constituição de Honduras não permite a reeleição.
  • Congresso, Suprema Corte e Ministério Público se opuseram. Zelaya insistiu.
  • Diante do impasse, o Exército interveio, depondo Zelaya.

Desdobramentos
  • Maioria dos países americanos opôs-se ao golpe e faz pressões diplomáticas pela volta de Zelaya.
  • Procura-se solução negociada entre o atual presidente, Roberto Micheletti e os partidários de Zelaya, com a mediação de Óscar Arias, presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

MEC divulga 40 modelos de questões do Enem 2009

Uma grande dúvida dos vestibulandos de hoje é saber como será o "novo ENEM". O MEC deu uma ajudinha e divulgou 40 questões no modelo ENEM 2009, são dez questões para cada uma das quatro áreas: ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias.

De acordo com o Inep, a mudança do Enem o aproxima das diretrizes curriculares nacionais e dos currículos praticados nas escolas, mas sem abandonar o modelo de avaliação centrado nas competências e habilidades.

No site http://www.enem.inep.gov.br/ você encontra as questões.

Lembrando que a contagem de pontos do ENEM terá regra complexas, então usar estas questões como simulado não te dará uma nota precisa, apenas te mostrara quantas sua porcentagem de acerto.

Muito bom para quem teve as férias prolongadas...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

RETROSPECTIVA

Estes foram os temas principais pintaram aqui no blog no primeiro semestre

Como Funcionam os créditos de carbono?

Coréia do Norte Desafia o Mundo com Armas Nucleares

Placas Tectônicas

GM e o Pesadelo Americano

Imigrantes e o Trabalho Escravo

Querra do Afeganistão

Entenda o Haiti

Chuva Ácida

De Volta a Ativa!!!

Chega de férias no bolg, já basta as aulas que devido ao medo da "nova gripe" foram estendidas.

ainda esta semana uma postagem sobre a Crise em Honduras!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

FÉRIAS...

Como a maior parte de vocês eu estou em "férias" dando uma relaxada para voltar no gás em agosto. Também estou com acesso meio restrito a internet, por isso o blogzinho vai entrar em férias por uns dias também.

Nos vemos em breve

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CHUVA ÁCIDA

Um dos grandes problemas ambientais do mundo atual é a chuva com alta concentração de ácidos em sua composição, conhecida como chuva ácida. Os principais agentes naturais responsáveis pela produção de gases lançados na atmosfera e que provocam a chuva ácida são os vulcões e os processos biológicos que ocorrem nos solos, pântanos e oceanos.

No entanto, as atividades humanas são os principais agentes causadores dos gases poluentes que causam a chuva ácida. O maior exemplo é a ação das indústrias, das usinas termoelétricas e dos veículos de transporte que utilizam combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão.
O termo chuva ácida foi usado pela primeira vez por Robert Angus Smith, químico e climatologista inglês, em 1852. A expressão foi usada para descrever a precipitação ácida que ocorreu sobre a cidade de Manchester no início da Revolução Industrial

dá uma olhada na animação que é bem legal!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

HAITI

Brasil comanda missão da ONU no país

O Brasil comanda as tropas da ONU que visam restabelecer a ordem no Haiti
O Haiti está localizado na América Central insular (Grandes Antilhas), na parte oeste da ilha La Hispaniola. O país apresenta o pior IDH - Índice de Desenvolvmento Humano - das Américas e um dos piores do mundo (só está a frente de alguns países africanos). Possui uma população de quase 8,6 milhões de habitantes (projeção de 2006) com 96% formada por população negra ou mestiça (brancos e negros).

A ocupação européia foi feita inicialmente pela Espanha. A partir de 1697, o território foi dominado pelos franceses, que implantaram a agricultura canavieira com a mão-de-obra escrava vinda da África. Embora tenha se tornado independente em 1804, o Haiti sofreu invasões da Espanha e dos EUS (1915 a 1934).

Papa Doc e Baby Doc
Em 1957, François Duvalier (chamado Papa Doc) foi eleito presidente do Haiti e criou a Milícia de Voluntários da Segurança, cujos membros, mais conhecidos como Tonton Macoutes ("bichos papões", no dialeto local), eliminaram a oposição. Iniciou-se, então, um regime ditatorial baseado no terror, inclusive com elementos do sobrenatural: o vodu passou a ser usado para amedrontar a população descontente e ameaçar a Igreja.

Com a morte do Papa Doc, em 1971, seu filho Jean-Claude Duvalier (ou Baby Doc) assumiu o poder e continuou com os mesmos métodos de controle e repressão. O desgoverno ditatorial gerou aumento do desemprego e da pobreza. A insatisfação popular cresceu a ponto do Baby Doc ser forçado a abandonar o país em 1986.

Uma junta governou o país até as eleições de 1990, vencidas pelo padre de esquerda Jean Bertrand Aristide que sofreu um golpe de Estado e se refugiou no Canadá. Muitos refugiados se dirigiram aos EUA e países vizinhos, o que levou o governo norte-americano de Bill Clinton e a ONU a reivindicarem o retorno de Aristide ao poder.

A Era Aristide
Ao retornar ao Haiti, Aristide dissolveu o exército haitiano e governou até 1995, quando elegeu o seu sucessor: René Prèval. Nas eleições de 2000, Aristide venceu novamente, com 92% dos votos, e o seu partido ganhou todas as cadeiras de deputados e senadores em disputa.

Porém, em 2004 o Haiti possuía cerca de 70% da sua população desempregada, o mandato dos deputados e senadores se encerrou sem novas eleições e Aristide governava por decretos. A oposição ao seu governo aumentou e armou-se, começou uma luta armada e Aristide deixou o país (retirado pelos EUA, à força).

Tropas da ONU
No mesmo ano, a ONU enviou tropas com soldados do Chile, EUA, Canadá e França e instalou um governo provisório. O Conselho de Segurança da ONU instituiu a Operação Minustah (United Nations Stabilization Mission Haiti), para garantir a segurança e as condições estáveis de modo a restabelecer um processo político e constitucional no país. O comando das tropas foi confiado ao Brasil.
A Operação Minustah visa ajudar o governo transitório, na reforma de sua polícia nacional e em programas de desarmamento de grupos paramilitares e bandidos. O Brasil enviou cerca de 1.200 soldados para o Haiti e assumiu o comando das tropas das ONU (cerca de 8.360 soldados de 40 países).

O Brasil em ação
Em 2006, o general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar se suicidou. O suicídio teria sido causado pela falta de perspectiva de solução dos conflitos internos no Haiti (pois eles deixaram de ser políticos e os problemas sociais ganharam maior importância): desemprego em torno de 80% da população, desestruturação social, aumento da violência e a falta de ajuda internacional.

Para o Brasil, o comando das tropas da ONU é visto como uma forma de o país pleitear um assento no conselho de segurança da ONU, ganhar experiência na luta contra o crime em favelas do Rio de Janeiro (o exército realizou uma seqüência de incursões que desmontaram as gangues de Cité Soleil - favela localizada na capital, Porto Príncipe, a área mais violenta do Haiti) e melhorar os equipamentos militares de combate urbano (o que já ocorreu com o Cascavel e o Urutu).

A saída das tropas brasileiras deveria ter acontecido em julho de 2007. No entanto, elas ainda permanecem no país que está longe de resolver seus problemas.
Luiz Carlos Parejo

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Guerra no Afeganistão

As armas da diplomacia contra o terror

A luta contra o terrorismo internacional ganhou um endereço fixo: Afeganistão, nação pobre, devastada por 30 anos de ocupação estrangeira e que se tornou refúgio de Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo.

O país também foi eleito o cenário da "guerra de Obama", desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, redirecionou esforços militares para a região, do mesmo modo que George W. Bush, seu antecessor na Casa Branca, fez com o Iraque.

Graças à recente incursão diplomática de Obama no continente europeu, a campanha recebeu apoio importante dos países integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que enviarão mais 5.000 soldados para sufocar a rede terrorista Al Qaeda e conter o grupo radical islâmico Taleban. Hoje, a Otan mantém no país cerca de 70 mil soldados, mais da metade norte-americanos.

A guerra no Afeganistão foi o principal tema da reunião de cúpula da Otan, realizada nos dias 3 e 4 de abril de 2009 na França e na Alemanha. Na prática, os países europeus que compõem a aliança ratificaram o projeto dos Estados Unidos de "pacificação" do país asiático por meio da reconstrução social.

Dado o histórico e a geopolítica da região, a tarefa não será nem rápida nem tão simples assim.
O que é a Otan
A Otan é uma organização militar internacional criada há 60 anos, em 4 de abril de 1949, durante a Guerra Fria, com a finalidade inicial de impedir o avanço do comunismo na Europa. Inicialmente, era formada por 12 países. Com as recentes adesões de Albânia e Cróacia, conta hoje com 28 nações.

Na época, o mundo estava dividido em dois blocos econômicos e militares distintos: o bloco capitalista, representado pelos Estados Unidos, e o socialista, da antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), países que saíram fortalecidos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Temendo a influência dos soviéticos sobre a Europa, os governos ocidentais uniram forças.

Mas foi somente com o fim da Guerra Fria que ocorreram as intervenções bélicas da Otan, primeiro na ex-Iugoslávia, para impedir o massacre da população albanesa de Kosovo, em 1999, e depois em 2006, quando as forças de coalizão assumiram a segurança em Cabul, capital afegã.

Ópio e terror
O século 20 deixou marcas indeléveis no Afeganistão, essenciais para entender o mundo contemporâneo, além de exemplos de como políticas equivocadas podem trazer problemas de difíceis soluções para gerações futuras.

O Afeganistão é um país localizado na Ásia central e que faz fronteira com Paquistão, Irã e China, entre outros países. Possui estimados 32,7 milhões de habitantes, 70% vivendo com menos de US$ 1 por dia.

O país é constituído por diferentes tribos e grupos étnicos, o que torna difícil a centralização do poder. Por esta razão, tem na religião islâmica (80% sunitas e o restante xiitas) o único elemento aglutinador da sociedade.

A atividade econômica primária é a agricultura, apesar de somente 10% das terras, desérticas e montanhosas, serem cultiváveis. A maior renda vem do ópio (matéria prima da heroína), que concentra 93% da produção mundial e corresponde a 30% do PIB (Produto Interno Bruto) do Afeganistão.

Atualmente, 16 das 34 províncias cultivam a papoula, planta da qual se extrai a substância. A produção, que quase quintuplicou desde a ocupação americana em 2001, é uma das principais fontes de renda do Taleban.
Rússia e CIA
No final dos anos 1970, a posição estratégica colocou o Afeganistão no centro da disputa ideológica da Guerra Fria. Uma sucessão de golpes de Estado terminou com o fim da neutralidade, até então preservada em relação ao conflito.

A deposição de um presidente alinhado com Moscou, em 1979, motivou a invasão das tropas soviéticas. A ocupação duraria até 1989, deixando milhares de mortos e prejuízos de bilhões de dólares.

Durante esse período, os russos enfrentaram a resistência dos mujahedin (combatentes islâmicos), que contavam com apoio financeiro e militar da CIA, o serviço secreto norte-americano. De certa forma, o Taleban é fruto da política externa norte-americana.

Quando o exército vermelho finalmente desocupou Cabul, o governo perdeu a sustentação e, no início dos anos 1990, o país foi assolado por uma guerra civil entre facções rivais. Nesse clima de insegurança, o Taleban, um grupo de jovens religiosos refugiados no Paquistão, assumiu o poder em 1996.

Bin Laden
O Taleban só se tornou uma ameaça aos Estados Unidos dois anos depois, quando a rede Al Quaeda, de Osama Bin Laden, foi responsabilizada pelos atentados às embaixadas americanas em Quênia e Tanzânia, que deixaram 224 mortos.

Após o massacre, o grupo islâmico passou a abrigar o terrorista. Para pressionar Cabul a entregar Bin Laden, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou um embargo econômico, ao mesmo tempo em que Washington autorizou bombardeios ao território afegão.

Finalmente, com os ataques de 11 de Setembro, em 2001, os Estados Unidos ocuparam a capital e depuseram o governo dos talebans, que buscaram abrigo nas montanhas.

Apesar do governo constituído em 2004 com apoio da Casa Branca - Hamid Karzai foi eleito com 55% dos votos para um mandato de cinco anos -, os extremistas islâmicos controlam hoje cerca de 70% do território afegão.

Desafios
O objetivo de Barack Obama é reestruturar a economia e a política de Cabul, preparando o país para a retirada das tropas americanas. Para isso, autorizou o envio de mais 4.000 homens, além de 17 mil previstos, para os próximos meses.

Com mais o efetivo da Otan, o plano é treinar o exército afegão, mal remunerado e despreparado, para manter o domínio sobre os talebans. Também foi anunciado o envio de verbas para o Paquistão combater focos terroristas.

Há dúvidas, entretanto, se os recursos serão suficientes para trazer estabilidade a um país que há décadas só conhece a guerra e que não parece disposto a abrir mão nem da fé de grupos extremistas nem da produção de ópio.

Outro desafio é enfrentar a complexa geopolítica da região, que vai obrigar os Estados Unidos a afinarem a diplomacia, por exemplo, com um arquiinimigo como o Irã.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Inscrição para isenção de taxa da Fuvest 2010 começa nesta quinta-feira

A Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular da USP) começa a receber nesta quinta-feira (25) os pedidos de isenção total ou parcial de taxa do vestibular 2010. A inscrição deve ser feita pelo site até o dia 10 de agosto.

Após a inscrição online, o candidato deve enviar para a Fuvest, por carta registrada, os documentos exigidos pedidos no edital para a comprovação da situação socieconômica e a ficha emitida ao término da inscrição. O endereço para envio é: Fuvest - Fundação Universitária para o Vestibular - Rua Alvarenga, 1945-1951, Butantã, CEP 05509-004, São Paulo, SP. Os documentos também podem ser entregues nos campi da USP durante os dias de inscrição nos postos da Coseas. A documentação deve ser postada até 10 de agosto.

Os postos da Coseas (Coordenadoria de Assistência Social da USP) terão computadores disponíveis para a inscrição (em caso de dificuldade de acesso a algum candidato) em todos os campi da USP, neste sábado (27) e no domingo (28). Serão disponibilizados micros também nos dias 4 e 5 de julho e 1, 2, 8 e 9 de agosto, das 8h às 17h.

Critérios para isenção
A avaliação econômica será realizada da seguinte maneira: a Coseas realizará uma triagem a fim de verificar se o formulário para solicitação de isenção encontra-se preenchido corretamente. Após essa verificação, os pedidos serão classificados de acordo com os seguintes critérios: renda por pessoa da família e demais itens constantes no questionário socioeconômico.

Para conseguir isenção, o candidato deve residir no Brasil e ter estudado ou estar estudando em escola pública e ter renda individual ou familiar per capita máxima de até R$ 605 (no caso de isenção total) ou de R$ 605,01 até o máximo de R$ 1.163 para ter 50% de redução na taxa. A qualquer momento, a Divisão de Promoção Social da Coseas poderá efetuar visita domiciliar à família do solicitante, como instrumento adicional de avaliação da situação socioeconômica do requerente.

A divulgação dos selecionados será feita em 23 de agosto. Os candidatos habilitados ou classificados devem se inscrever no vestibular de acordo com as normas que serão divulgadas pela Fuvest.

sábado, 20 de junho de 2009

Imigrantes e o trabalho escravo

A partir da década de 90 tanto Brasil quanto Argentina passou a ser destino de migrantes vindos de países onde as condições de vida são muito baixas como Peru, Paraguai e principalmente a Bolívia. Com a crise econômica que atingiu a Argentina no final dos anos 90 o Brasil tornou-se então principal destino desses imigrantes que em geral são ilegais

Em São Paulo estima-se que existam mais de 600 mil imigrantes latinos-americanos que vivem em situações altamente degradantes. Estes imigrantes são atraídos por empresários inescrupulosos para trabalharem em sua fábricas. A grande maioria trabalham em fábricas de confecções e ganham salários miseráveis, alimentação ruim, jornada de trabalho acima do permitido, local de trabalho em becos escondidos da fiscalização do trabalho etc.

É importante perceber que essa realidade ocorre devido a grande competitividade do setor no mercado mundial, e das indústrias na Ásia utilizarem mão-de-obra também com baixissima remuneração por isso muitas empresas atraem esta mão-de-obra barata e sem documentação regular para baixar seus custos e produzir confecções a ponto de competir no mercado de forma desigual.

Essas duas reportagens retratação essa situação:



terça-feira, 16 de junho de 2009

GM e o pesadelo americano

O declínio da indústria automobilística nos Estados Unidos chegou a uma situação dramática no último dia 1º de junho quando a General Motors (GM), símbolo empresarial da maior potência econômica do planeta, pediu concordata para evitar a falência.

Encolhidas pela crise econômica mundial, as "Três Grandes de Detroit" - GM, Ford e Chrysler -, antes sinônimos da indústria norte-americana no século 20, hoje mais parecem dinossauros diante da revolução dos carros "verdes" asiáticos, mais baratos e menos poluentes.

Das três companhias, somente a Ford, segunda maior montadora do país, ainda não enfrenta o fantasma da extinção. A terceira, a Chrysler, já havia pedido concordata em abril e, agora, vai ser comprada pela italiana Fiat.

A queda do império das montadoras começou em 2008 com a crise financeira que afetou o crédito e o consumo nos Estados Unidos. Sem dinheiro no bolso e não conseguindo mais financiamentos, o americano deixou de comprar carros, provocando queda nas vendas.

Reduções no faturamento

Segundo o último balanço, em maio deste ano as vendas na GM caíram 30% em relação ao ano anterior, enquanto a Chrysler e a Ford tiveram reduções em 47% e 24% no faturamento, respectivamente.

Como resultado, o setor anunciou demissões, cortes na produção e fechamento de fábricas. Além disso, as empresas também enfrentam dificuldades para conseguir crédito, saldar dívidas e ainda pagar aposentadorias e planos de saúde de milhares de ex-funcionários.

Para evitar que fossem à falência, o Tesouro no
rte-americano injetou quase US$ 30 bilhões (R$ 58 bi) dos contribuintes na GM e na Chrysler, ao mesmo tempo em que estabeleceu um prazo para que se recuperassem.

A falência traz risco de perda de milhares de empregos (até 2,5 milhões somente nos Estados Unidos), queda na arrecadação de impostos e o colapso de inúmeras fabricantes de autopeças e revendedoras de automóveis.

Mas a sangria nos cofres públicos não impediu a q
uebra de ambas as companhias. Na situação atual, as fábricas continuam operando - alimentadas pelo soro de Washington -, mas não passam de uma mera lembrança dos tempos em que reinavam soberanas.

Modo de vida americano

O século 20 foi o século da indústria automotiva. A GM, fundada em 1908, foi a maior fabricante de carros do mundo de 1931 até 2008, quando perdeu o posto para a japonesa Toyota.

Quando Henry Ford (1863-1947) criou a Ford e
m 1903, inovou com a linha de montagem, em que cada grupo de funcionários fabricava uma peça, acelerando a produção de carros simples e baratos para a classe média. O carro tornou-se o sonho de consumo da família americana.

Junto com a Chrysler, inaugurada em 1925 por um ex-diretor da GM, as gigantes sobreviveram à crise de 1929, que dizimou outras empresas do ramo automobilístico no país. Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial (1939-1
945), voltaram os esforços para a fabricação de veículos bélicos, ajudando os Aliados a vencerem a guerra.

No período pós-guerra, o Estado patrocinou a construção de uma imensa malha viária, contribuindo para a expansão da indústria. Juntas, as três fabricantes passaram a controlar 94% do mercado automotor do país, mantendo o oligopólio até a chegada das concorrentes japonesas, Honda e Toyota, nos anos de 1970.


Nos anos de 1990, o mundo já dava sinais de que o cenário não seria mais favorável para o modelo de negócios que a GM representava. O aumento do preço do petróleo, o caos no tráfego nas grandes cidades e, principalmente, os danos causados pelo aquecimento global, exigiram mudanças drásticas no setor automotivo.

O destino da GM

O pedido de concordata da General Motors é considerado, historicamente, a terceira maior quebra de uma empresa nos Estados Unidos. Fica somente atrás do quarto maior banco norte-americano, o Lehman Brothers Holdings, que também pediu concordata em 2008, e da segunda maior empresa de telecomunicações, a WorldCom Inc., que decretou falência em 2002 depois de uma fraude financeira.

Concordata é um recurso jurídico que uma empresa pede quando que não tem dinheiro para pagar suas dívidas e, por isso, entra em processo de falência. O juiz então determina que os credores aceitem prazos maiores, dando à indústria um tempo para se reestruturar. Se mesmo assim não honrar seus compromissos, então é decretada a falência.

A GM já havia recebido US$ 19 bilhões (R$ 36,8 bi) do pacote aprovado pelo Congresso norte-americano. E, sob concordata, receberá mais US$ 30,1 bilhões para se reerguer. Em contrapartida, o governo terá o controle inicial de 60% da companhia, podendo inclusive nomear seus principais executivos. Nesse doloroso processo, é previsto o fechamento de fábricas e demissões.

A mudança na gestão inclui a decisão de produzir os carros "verdes", menos poluentes, seguindo a linha asiática e européia. É o atestado de um erro histórico na decisão da GM de investir nos carrões, que consumiam litros de gasolina e poluíam a atmosfera. Carros elétricos, movidos a bateria, hoje são realidade, como o chinês BYD (Build Your Dreams, Construa Seus Sonhos) e o já comercializado indiano G-Wiz.

Neste início do século 21, a indústria automotora, e com ela o próprio capitalismo, passam por profundas mudanças. Países emergentes e a busca de soluções mais criativas para o mercado, o que tudo indica, irão turbinar os motores da nova economia
.

José Renato Salatiel

"Ei, Obama nacionalizou nada mais nada menos que a General Motors. Camarada Obama! Fidel, cuidado, ou nós vamos acabar à direita dele."
Hugo Chávez, presidente da Venezuela

quarta-feira, 10 de junho de 2009

UFSCar incorpora ENEM no Processo Seletivo

A nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) valerá metade da nota do vestibular da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os outros 50% da nota virão das provas realizadas pela própria universidade.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira (5) pelo Conselho Universitário e vale já para o próximo vestibular. Também ficou determinado que será mantido um processo próprio de inscrição no vestibular e de convocação para matrículas, ou seja, a institução não vai aderir ao sistema unificado proposto pelo Ministério da Educação.

No próximo dia 15, o Conselho de Graduação da Universidade definirá a resolução que regulamentará os detalhes do novo processo seletivo da Instituição. Mais informações podem ser obtidas pelo site www.vestibular.ufscar.br.

Placas Tectônicas


A Geologia baseia boa parte de suas explicações no movimento das Placas Tectônicas.
Duas teorias, que se complementam, foram criadas para explicar esses movimentos:

Teoria da deriva dos continentes, defendida pelo geofísico alemão Alfred Wegener, em 1912.

Teoria das placas tectônicas, que comprovou e explicou melhor a teoria da deriva dos continentes. Foi desenvolvida na década de 60 pelos geólogos americanos Harry Hess e Robert Dietz.

O vídeo abaixo ajuda a entender... afinal dizem que uma imagem vale por mil palavras. O vídeo é grandinho mais vale a pena.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Coreia do Norte desafia o mundo com armas atômicas

Os recentes testes com lançamentos de mísseis nucleares pela Coreia do Norte fazem parte de uma perigosa estratégia que, no cenário pós-Guerra fria, transformou o uso de arsenais nucleares em instrumentos de chantagem internacional.

Um dos objetivos do governo de Pyongyang, capital norte-coreana, é forçar a abertura de um canal de negociação com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para por fim às sanções econômicas que pesam sobre o regime comunista por conta de seu programa nuclear.

A tensão entre os dois países se arrasta desde 2002, quando o ex-presidente George W. Bush incluiu o país asiático no que ele chamou de "eixo do mal", junto com Irã e Iraque.

Outro motivo da provocação seria a política interna. Além de ser um dos países mais pobres da Ásia, a Coreia do Norte sofre com o isolamento político, em razão de sustentar uma ditadura nos moldes soviéticos, centralizadora e militarizada. A ameaça nuclear fortaleceria o governo do chefe do Estado, Kim Jong-il, cuja família controla o poder há meio século.

Desde o último dia 25 de maio, foram realizados um teste nuclear subterrâneo e lançados seis mísseis balísticos e de curto alcance. O resultado foi uma crise diplomática internacional e o risco de novos conflitos armados com a vizinha Coreia do Sul.

A nação socialista violou a resolução 1.718 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão responsável pela segurança mundial. O documento, aprovado em 14 de outubro de 2006, condenava o programa nuclear norte-coreano por contrariar o tratado de não proliferação de armas nucleares. Desde então, a ONU vem pressionado o país para que suspenda os testes.

Essa não foi a primeira vez que os norte-coreanos desafiaram o mundo. No dia 5 de abril, a Coreia do Norte disparou um míssil de longo alcance, alegando que se tratava do lançamento de um satélite de comunicação. No entanto, o mesmo artefato poderia ser usado para carregar uma ogiva nuclear, o que provocou o endurecimento das sanções ao país.

Guerra-fria

Tanto o perigo nuclear quanto a Coreia do Norte são produtos do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Com a derrota do Eixo, o Japão desocupou a Coreia, que foi dividia em dois países, um sob o controle dos Estados Unidos (Coreia do Sul) e outro ocupado pela antiga União Soviética (Coreia do Norte).

O processo foi semelhante ao que dividiu a Alemanha por 41 anos até a queda do Muro de Berlim.

As duas Coreias travaram uma guerra entre 1950 e 1953, no auge da Guerra Fria, que terminou com um frágil cessar fogo que dura até os dias atuais. Desde o período, marcado pelo perigo iminente de um conflito nuclear, Pyongyang alimenta a ambição de desenvolver armas atômicas.

Com o fim da União Soviética e a derrocada dos regimes comunistas no Leste Europeu, o país sofreu abalos econômicos, do mesmo modo que Cuba. Sem os antigos parceiros comerciais, mergulhou num período de escassez de alimentos que, aliado aos desastres naturais, teria causado a morte de cerca de dois milhões de norte-coreanos nos anos de 1990. A Coreia do Norte possui estimados 23,5 milhões de habitantes.

Tensão na fronteira

Desde o final dos anos de 1960, nações assinam acordos para controlarem arsenais nucleares do planeta.

Atualmente, Rússia, Estados Unidos, Reino Unido, China, França, Israel, Índia e Paquistão são considerados potências nucleares. Completam a lista Coreia do Norte e Irã, que sofrem pressões e embargos para que abandonem seus programas.

Diferente da época da corrida armamentista, as bombas nucleares atuais são mais "inteligentes". Elas visam alvos estratégicos, com precisão e impacto localizado. Os testes de armamentos também são mais restritos, para evitar danos ambientais.

Os riscos, mais do que uma guerra nuclear, são de acidentes em usinas sucateadas e, principalmente, que países como Irã e Coreia do Norte repassem a tecnologia para grupos extremistas e redes terroristas, como a Al-Qaeda.

Para os vizinhos e inimigos do líder Kim Jong-il, Coreia do Sul e Japão, as intimidações são reais, pois o país tem capacidade de lançar mísseis de submarinos ou aviões. As ameaças também podem levar os governos japoneses e sul-coreanos a desenvolverem armamento nuclear, contrariando as leis internacionais que impedem a produção de mais bombas atômicas.

Até agora, tudo indica que a Coreia do Norte não seja capaz de miniaturizar uma ogiva nuclear, permitindo que seja disparada por um míssil de longo alcance que possa atingir, por exemplo, os Estados Unidos.

Saída diplomática

O Conselho de Segurança da ONU estuda novas sanções à Coreia do Norte como retaliação aos últimos lançamentos de foguetes em seu território. Porém, medidas similares não surtiram efeitos anteriormente.

Apesar de o país ter sérios problemas sociais, de abastecimento de energia e econômicos, agravados com os embargos da ONU, nada disso impediu que o governo norte-coreano levasse adiante seu programa nuclear.

Kim Jong-il alega que os testes teriam fins de defesa militar. Porém, a Coreia do Norte possui o quarto maior exército do mundo, com estimados 1, 2 milhão de soldados, munido de poderoso arsenal bélico.

Há ainda um delicado equilíbrio financeiro na Ásia, em meio a uma crise econômica mundial, que precisa ser preservado. A China, que faz fronteira e é aliada comercial e política da Coreia do Norte, é uma importante peça no tabuleiro da geopolítica internacional.

Por todos estes motivos, tanto Kim Jong-il quanto Obama tendem mais para uma conciliação e uma saída pacífica para o impasse, com o intermédio da ONU. A solução diplomática parece ser, portanto, a mais viável para a desnuclearização da Coreia do Norte e, futuramente, do Irã.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Como funcionam os créditos de carbono?

Países desenvolvidos podem comprar créditos para atingir as metas de diminuição da emissão de poluentes

Para entend er os créditos de carbono, é preciso compreender primeiro o efeito estufa e o Protocolo de Kyoto. O efeito estufa faz parte da dinâmica do planeta e, graças a ele, a Terra é mais quente do que o espaço e tem a temperatura ideal para que os seres vivos sobrevivam. Funciona da seguinte forma: parte do calor irradiado pelo Sol é devolvido ao espaço. Porém, parte desse c alor fica presa na atmosfera e é responsável por manter o planeta aquecido. O problema é que o excesso dos chamados gases estufa (gás carbônico, metano, óxido nitroso, fluoretos de enxofre e vapor d´água) amplifica esse fenômeno e faz com que mais calor seja retido na superfície do planeta, provocando o aquecimento global. Hoje em dia, os pesquisadores descobriram que não são só os gases que provocam esse efeito. O chamado carbono negro, que é a fuligem da fumaça, também tem papel importante nesse mecanismo. "A fuligem provoca o sombreamento da superfície e esquenta a atmosfera. Além disso, modifica a forma ção das nuvens, o que muda o equilíbrio térmico do planeta", explica Kenny Tanizaki Fonseca professor do Departamento de Análise Geoambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador associado da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Apesar de ser impossível prever com certeza quanto o planeta deve aquecer nos próximos anos, a preocupação para minimizar os efeitos do aquecimento global é presente no mundo todo. Em 1997, 189 países membros das Nações Unidas se reuniram em Kyoto, no Japão, e assinaram um tratado em que se comprometem a reduzir as emissões de gás estufa em 5% em relação aos níveis de 1991. Em 2005, esse protocolo entrou em vigor e os países signatários deveriam atingir a meta até 2008. Até 2012 deve ser firmado um novo acordo, que já está em negociações. Uma das críticas ao Protocolo é que só estão obrigados a diminuir as emissões os países na lista de nações desenvolvidas. Ou seja, o Brasil ainda não tem metas a cumprir, apesar de estar na lista dos 20 países que mais poluem. "Ao contrário do que acontece no resto do mundo, 2/3 das emissões brasileiras estão ligadas ao uso do solo – desmatamento, queimadas e conversão de florestas em sistemas agropecuários. O próximo acordo também deve incluir o desmatamento, que tem a ver diretamente com o nosso país", afirma Kenny.

Um dos mecanismos a que os países desenvolvidos podem recorrer para cumprir a meta é comprar os chamados créditos de carbono de países que diminuíram suas emissões. Assim, uma empresa brasileira, por exemplo, pode desenvolver um projeto para reduzir as emissões de suas indústrias. Esse projeto passa pela avaliação de órgãos internacionais e, se for aprovado, é elegível para gerar créditos. Nesse caso, a cada tonelada de CO2 que deixou de ser emitida, a empresa ganha um crédito, que pode ser negociado diretamente com as empresas ou por meio da bolsa de valores. "Porém, os países só podem usar esses créditos para suprir apenas uma pequena parte de suas metas", explica Kenny Fonseca. Mesmo com essa restrição, o mercado de crédito de carbono está em pleno desenvolvimento, principalmente por causa do chamado mercado voluntário. Nele, mesmo países que não precisam diminuir suas emissões ou que não assinaram o Protocolo de Kyoto podem negociar créditos. Segundo um relatório divulgado por duas organizações americanas do setor de mercado ambiental, Ecosystem Marketplace e New Carbon Finance, em 2008 o mercado voluntário de carbono movimentou 705 milhões de dólares, por um preço médio de 7,34 dólares por crédito de carbono. Kenny Fonseca explica que o Brasil é um dos países que mais formulam projetos que geram créditos de carbono e que a expansão desse mercado é inevitável. "É muito difícil para os países desenvolvidos conseguirem atingir suas metas. Desde que o Protocolo de Kyoto foi assinado, houve um aumento populacional, acompanhado do aumento da necessidade de insumos. E isso acarreta um aumento natural da emissão de poluentes", afirma.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Tupi pode fazer do Brasil responsável por 6% de exportações de petróleo, diz estudo

O Brasil poderá ser responsável por até 6% das exportações mundiais de petróleo em 2025, com a descoberta do campo de Tupi, na Bacia de Santos, segundo um estudo elaborado pelo professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Adilson de Oliveira.

O especialista prevê que as vendas de petróleo do país, no exterior, poderão alcançar a marca de 3 milhões de barris/dia em 2025.

O estudo inclui as vendas da produção internacional da Petrobras em outros países, cuja produção ultrapassará a marca de 1 milhão de barris/dia daqui a 17 anos. Na opinião de Oliveira, não havia ocorrido, desde a década de 70, descoberta da magnitude de Tupi, em todo o mundo.

A estimativa da Petrobras é que as reservas de Tupi variem entre 5 bilhões de boe (barris de óleo equivalente) e 8 bilhões de boe.

Geopolítica do petróleo

"Atualmente, temos uma participação irrisória. Mas com a descoberta de Tupi, temos essa possibilidade de sermos um agente significativo na geopolítica do petróleo. Nossa balança comercial de petróleo poderá ter um saldo relevante", afirma.

Para isso, ressalta, serão necessários investimentos bastante elevados, que poderão variar de US$ 236,5 bilhões a US$ 282,1 bilhões, entre 2013 e 2025. Esses recursos seriam suficientes, para entre outras coisas, a construção de 46 a 57 plataformas, quatro a sete refinarias, e 44 a 69 navios de transporte, de acordo com o crescimento do país nesse período.

O professor estima que o consumo interno de petróleo chegará a algo entre 2,8 milhões de barris/dia a 3,5 milhões de barris/dia em 2025.

Oportunidade de crescimento

Oliveira destaca que o petróleo é a grande oportunidade para que o Brasil impulsione o crescimento econômico nos próximos anos. Além do aumento da produção, o especialista avalia que os fornecedores de equipamentos terão, no mercado da costa ocidental da África, grandes possibilidades de negócios.

Em função do atual estágio de desenvolvimento da cadeia nacional de petróleo e da similaridade geológica entre as costas brasileira e a africana, Oliveira considera que as empresas nacionais têm condições de serem os grandes fornecedores para a indústria petrolífera africana.

"O mercado brasileiro vem crescendo, e ganha cada vez mais escala. Isso está permitindo que as empresas daqui se desenvolvam, e possam fornecer, no futuro, serviços para outros mercados. A logística também privilegia que as empresas brasileiras tenham mais condições", observou.

América do Sul e África

Adilson de Oliveira afirmou que as costas da América do Sul (Argentina e Brasil) e da África (Nigéria, Angola, Guiné e parte do Gabão) se tornarão um dos principais pólos produtores offshore [em mar] do mundo.

Para a América do Sul, com destaque principal para o Brasil, espera-se que a produção passe de 2,5 milhões de barris/dia para 6,1 milhões de barris/dia em 2030. Na África, a produção deverá saltar de 4,9 milhões de barris/dia para 12,4 milhões de barris/dia em 2030.

Ao mesmo tempo, a produção do Mar do Norte (que engloba Noruega e Inglaterra) cairá de 4,9 milhões de barris/dia para 2,5 milhões de barris/dia, no mesmo período. No Golfo do México (Estados Unidos, Venezuela e México), passará de 17,2 milhões de barris/dia para 20,4 milhões de barris/dia.

Já a produção offshore asiática chegará a 8,7 milhões de barris/dia em 2030, ante os 7,4 milhões de barris/dia atuais, prevê o estudo.