quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Lixo: transformando chorume em água potável

Uma tecnologia criada no Espírito Santo vem ajudando um aterro sanitário a transformar chorume - líquido que resulta da decomposição de lixo - em água limpa, no município de Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com os responsáveis pelo projeto, o processo de purificação do líquido é rápido se comparado a outros, durando cerca de 30 minutos. Com a utilização de  métodos diferentes, esse tempo pode ser ampliado consideravelmente, chegando a uma semana. A água limpa que é resultado do processo não serve para consumo humano, mas pode ser usada para lavara estradas ou regar jardins, por exemplo.
De acordo com o empresário Poy Ramos, o tratamento deste produto é importante para garantir a preservação do meio ambiente, que pode ser prejudicado caso o chorume seja derramado. "Pode contaminar o lençol freático, de onde vem praticamente toda a água utilizada para consumo humano, bem como contaminar os rios, provocando a mortandade dos peixes e de outros seres vivos que ali vivem", explicou.
O processo começa com a chegada do lixo ao aterro, que recebe mensalmente uma média de 12 mil toneladas de resíduos por dia provenientes de Vitória, Cariacica, Viana, Serra e outros municípios do estado. A princípio, a carga é pesada e lavada para uma outra área. "A partir de três ou quatro horas depois do recebimento, dependendo se é dia de sol ou de chuva, o resíduo já pode liberar chorume", disse o engenheiro químico, Magmir Soares. Por dia, esse total de materiais descartados geram cerca de 135 mil litros de chorume.
Para poder recolher o produto, é preciso de um sistema de engenharia. Em um primeiro momento, é realizada uma escavação seguida pela compactação da terra. Depois, uma manta hipermeável é colocada no local e, sobre ela, o lixo é despejado. Com a utilização de uma tubulação, o chorume é drenado e conduzido até tanques.

Lá, ele recebe três produtos químicos e é levado para outro tanque, onde passa por um processo eletromagnético. "Placas de ferro são mergulhadas, por onde é transmitida uma corrente elétrica que provoca a dissociação das moléculas, fazendo com que todos os contaminadores do chorume possam ser retirados. Depois que a corrente elétrica atravessa o chorume, 5% dele viram lodo e os 95% são água que pode ser reutilizada", esclareceu o empresário Poy.
Por dia, aterro sanitário gera cerca de 135 mil litros de chorume (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
A água que fica ainda passa por três filtros até ficar limpa. Depois de tratada, o líquido fica livre de contaminação e pode ser utilizada para diversos fins, como molhar estradas de chão, regar jardins e regar maquinários. "Pode ser usada para contato primário com o ser humano. Só não está boa para beber ou tomar banho, por exemplo", concluiu Poy Ramos.
* Com colaboração de César Fernandes, da TV Gazeta
fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/10/tecnologia-criada-no-es-transforma-chorume-em-agua-limpa.html

quarta-feira, 6 de julho de 2016

AUMENTO DO PREÇO DO FEIJÃO E O AGRONEGÓCIO

Li este texto na Caros Amigos.  
Por Alan Tygel
Do Brasil De Fato



O golpe ruralista e o preço do feijão







O que estranhamente não saiu em lugar nenhum foi um elemento muito simples: o agronegócio brasileiro não se preocupa em produzir alimentos para o Brasil. E isso fica muito claro quando olhamos a mudança na utilização das terras no país. Nos últimos 25 anos, houve uma diminuição profunda na área destinada à plantação dos alimentos básicos do nosso cardápio. A área de produção de arroz reduziu 44% (quase metade a menos), e a mandioca recuou 20%.
A área plantada com feijão, o vilão do momento, diminuiu 36% desde 1990, enquanto a população aumentou 41%. Apesar de ter havido um aumento na produtividade, a diminuição da área deixa a colheita mais vulnerável e suscetível a variações como estamos vendo agora.
E o agronegócio?
Os grandes latifundiários do Brasil, aliados aos políticos da bancada ruralista, à multinacionais de agrotóxicos e sementes como Bayer, Monsanto e Basf, e às empresas que dominam a comunicação no país não estão preocupadas com a alimentação da população. Este atores compõem o chamado agronegócio, que domina a produção agrícola no Brasil, e vê o campo apenas como local para aumentar suas riquezas.
Isso significa, na prática, produzir soja e milho para alimentar gado na Europa e na China, enquanto precisamos recorrer à importação de arroz, feijão e até do próprio milho para as festas de São João. Exportamos milho, e agora precisamos importar o milho. Faz sentido?
No mesmo período em que a área plantada de arroz e feijão caiu 44% e 36%, respectivamente, a área de soja aumentou 161%, enquanto o milho aumentou 31% e a cana, 142%. Somados os três produtos, temos 72% da área agricultável do Brasil com apenas 3 culturas. São 57 milhões de hectares que ignoram a cultura alimentar e a diversidade nutricional do nosso país em favor de um modelo de monocultura, que só funciona com muito fertilizante químico, semente modificada e veneno, muito veneno.
No caso da cana e da soja, é fácil entender que não são alimentos, e sim mercadorias ou (commodities) que vão ser comercializadas nas bolsas de valores pelo mundo. No caso do milho, basta ver que em 2015 foram exportados 30 milhões de toneladas de milho, em relação direta com a alta do dólar. Com o preço da moeda americana em alta, vale mais à pena exportar do que vender aqui. Assim, o que sobra no Brasil não é suficiente para o nosso consumo, e por isso temos que importar, o que também irá pressionar o preço. Hoje é o feijão, logo logo será o milho que vai explodir de preço.
Outro aspecto importante é analisar que quem bota o feijão na mesa do povo é a agricultura familiar. Os dados ainda de 2006 mostram que 80% da área plantada de feijão (e 70% a produção) são da agricultura familiar. E esta agricultura não tem espaço no reino do agronegócio.
O agronegócio ameaça a soberania alimentar no Brasil. Ao deixar de plantar comida para plantar mercadorias, ficamos extremamente dependentes do mercado externo, e vulneráveis às mudanças climáticas.
O primeiro passo: reforma agrária para dar terra a quem quer plantar comida. Com a terra na mão, precisamos de incentivo à agroecologia, para produzir alimentos saudáveis. Finalmente, essa produção deve ser regulada pelo Estado, via Conab, para garantir o abastecimento interno antes de embarcar tudo para fora.
O governo interino já admite privatizar a Conab, e pode em breve aprovar leis que facilitam ainda mais o uso de agrotóxicos e o uso de pulverização aérea nas cidades.
É, de fato, também um Golpe Ruralista.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Bônus demográfico: Maior população jovem da história é chance para desenvolvimento

Para a demografia, a ciência que estuda as populações humanas, o Brasil está em uma situação mais favorável agora do que há cinco décadas. O motivo? O país está mais jovem e passa por um momento demograficamente ideal para crescer. 
O fenômeno é chamado de “bônus demográfico” e ocorre quando há, proporcionalmente, um maior número de pessoas em idade ativa aptas a trabalhar. O Brasil possui 50 milhões de jovens. O aumento da população nessa faixa etária começou no início da década de 2010 e terá seu auge em 2020.
O bônus demográfico é resultado da redução da taxa de fecundidade (as famílias têm menos filhos) e da diminuição da mortalidade em uma população – quando as pessoas passam a viver mais. Isso aumenta a proporção de pessoas em idade de trabalhar (entre 15 e 64 anos) em relação à população dependente, crianças e idosos.  
Segundo o IBGE, a fecundidade das mulheres brasileiras vem caindo rapidamente. Em 1960, a taxa era de 6,3 filhos por mulher, esses números caíram para 5,6 (1970), 2,9 (1991), 2,4 (2000) e 1,9 em 2010. Enquanto isso, a expectativa de vida do brasileiro passou de 62,5 anos em 1980 para 75, 2 anos em 2015. 
A ONU indica que o bônus demográfico está ocorrendo atualmente em 59 países - entre eles o Brasil. Para a organização, a proporção de jovens na população mundial atingiu seu auge. Existem 1,8 bilhão de jovens no mundo, sendo que 87% deles vivem nos países em desenvolvimento. Uma força trabalhadora que poderia fazer a diferença. 
Sob o ponto de vista da economia, um período de bônus demográfico significa que um país tem mais força de trabalho do que pessoas inativas. Ou seja, há um excedente de pessoas para produzir e pagar impostos e assim alavancar o crescimento econômico. 
Uma população jovem pode servir de combustível para a industrialização e a geração de riquezas. O crescimento da economia aumenta a renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas de ter acesso a melhores condições de vida. 
Outro fator é o aumento na quantidade de poupança e capital na economia. A acumulação de poupança cresce com a idade e chega a seu ponto mais alto nas idades próximas à aposentadoria. Com o crescimento da população ativa, aumenta a quantidade de dinheiro para investir no futuro. 
Países asiáticos como a China, o Japão, a Coreia do Sul e Cingapura aproveitaram o período de bônus demográfico e experimentaram momentos elevado crescimento econômico entre 1960 e 1990. A região teve a transição demográfica mais rápida e marcante da história. Nunca antes houve um grupo tão grande de países que manteve o crescimento de suas economias tão elevado e por tanto tempo.
Uma vez que essa população envelhece, as novas gerações tendem a ser menos numerosas e a base da pirâmide demográfica se afunila cada vez mais. No Brasil, as previsões apontam a década de 2030 como o período em que os efeitos do bônus começariam a se dissipar e a população se tornar mais envelhecida. A faixa dos mais velhos ultrapassará a dos mais novos. Depois, a pressão sobre os gastos de saúde e previdência social vão aumentar cada vez mais. 
O futuro do mundo vai depender de como os países serão governados e como vão criar um ambiente favorável para o crescimento. Ou seja, sem uma estrutura econômica e política sólida para apoiá-lo, o bônus demográfico não pode ser plenamente realizado.
Economistas acreditam que a melhor forma de aproveitar esse momento é investir em educação, na capacitação profissional e estimular novas oportunidades de emprego para os jovens. 
E quando o cenário não está propício para a economia? Países com recursos limitados ou economias frágeis enfrentam desafios de atender à crescente demanda por empregos e oportunidades de geração de renda para os milhões de pessoas que se aproximam da idade ativa.
No Brasil, o problema atual é a estagnação da economia. Em 2015, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial afirmaram que o país "perdeu a oportunidade de fazer crescer a economia com o impulso do bônus demográfico". Os economistas dessas instituições acreditam que precisamos fazer reformas para aumentar a produtividade e corrigir desequilíbrios nas finanças públicas.
A ONU alerta que o bônus demográfico é uma janela de oportunidade única na história. Mas, infelizmente, em muitos lugares, a população jovem tem sido tratada mais como um problema do que como uma solução.

A geração “nem-nem” 

O Brasil tem 10 milhões de jovens que não estudam nem trabalham. São os chamados jovens da geração “nem nem”. Segundo o IBGE, esse público representa 16% dos brasileiros entre 17 e 22 anos. 
Quase 30% deles não chegou a completar o ensino fundamental e abandonou a escola. Quando conseguem estudar até o ensino médio, a evasão também é alta - 55% não concluíram o ensino médio.
O problema atinge mais os jovens de baixa renda. Cerca de 70% dos “nem nem” estão entre os 40% mais pobres do país, morando em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo. 
A evasão escolar pode ser explicada por várias razões, como a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família, a falta de perspectiva de vida e a gravidez precoce. 
As maiores representantes do grupo “nem nem” são adolescentes que tiveram filhos cedo. De cada 10 pessoas de 15 a 29 anos que se encontram nessa situação, sete são mulheres. Entre elas, 58,4% têm um ou mais filhos. E por causa do casamento e da maternidade, muitas mulheres deixam de trabalhar e estudar. 

O inverso ocorre na Europa 

A Europa já pode ser considerada como um continente de idosos. Lá o fenômeno é inverso: a população mais velha supera os jovens em idade ativa. Em alguns países, o número de nascimentos de bebês está em queda e não tem superado o número de mortes. 
A Itália é um exemplo claro de envelhecimento. A população com mais de 60 anos (27% do total) supera o número de pessoas com idade inferior a 20 anos. Na Alemanha, a previsão é de que em 2050 a porcentagem de moradores com mais de 60 anos chegue a 39%. 
O problema é que os idosos custam mais do que os jovens, principalmente em cuidados médicos. A população está envelhecendo e essas nações terão dificuldade para arranjar mão de obra ativa para sustentar seus aposentados e deixar o caixa da previdência em uma situação de equilíbrio. 
A tendência dos países europeus é aumento de impostos e corte nos gastos públicos, a chamada “política de austeridade no orçamento”. No longo prazo, a maior carga tributária somada a um corte das ajudas sociais deve contribuir para aumentar o custo de vida, a pobreza e a exclusão social. 

BIBLIOGRAFIA 

  • Relatório Situação da População Mundial 2014, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
 
Carolina Cunha

fonte: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/demografia-maior-populacao-jovem-da-historia-e-oportunidade-para-o-desenvolvimento-global.htm

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O que é o Triângulo das Bermudas?

Triângulo das Bermudas é uma região na parte ocidentaldo norte do Oceano Atlântico em que navios, aviões e pessoas, supostamente desaparecem misteriosamente.

Mapa: localização do famoso Triângulo das Bermudas. Fonte: NOAA.
Durante décadas, o lendário Triângulo das Bermudas do Oceano Atlântico tem fascinado a imaginação humana com seus desaparecimentos inexplicáveis ​​de navios, aviões e pessoas.

Alguns especulam que forças desconhecidas e misteriosas são responsáveis pelos desaparecimentos inexplicáveis, como extraterrestres que capturam seres humanos para estudá-los; o elo perdido do continente de Atlântida; vórtices que sugam objetos para outras dimensões; e outras idéias fantásticas (lunáticas). Algumas explicações são mais fundamentada na ciência: estas incluem (gás metano em erupção) flatulência oceânica e interrupções no fluxo de linhas geomagnéticas.

As considerações ambientais poderiam explicar muitos, se não a maioria, dos desaparecimentos. A maioria das tempestades tropicais e furacões do Atlântico passam pelo Triângulo das Bermudas, e nos dias anteriores à melhoria da previsão do tempo, essas tempestades perigosas ameaçam muitos navios. Além disso, a Corrente do Golfo pode causar rápidas, por vezes violentas, mudanças no clima. Além disso, o grande número de ilhas no Mar do Caribe cria muitas áreas de águas rasas que podem ser traiçoeiras para os navegantes. E há alguns indícios que sugerem que o Triângulo das Bermudas é um lugar onde uma bússola "magnética", por vezes, aponta para o norte "verdadeiro", ao contrário do norte "magnético". 

A Marinha e a Guarda Costeira dos EUA afirmam que não há explicações sobrenaturais para essas catástrofes marítimas. Por experiência, essa entidades sugerem que as forças combinadas da natureza e da falibilidade humana superam até mesmo a ficção científica dos mais céticos. Eles acrescentam que não existem mapas oficiais dos limites do Triângulo das Bermudas. O Conselho de Nomes Geográficos dos EUA não reconhecem o Triângulo das Bermudas como um nome oficial e não mantém um arquivo oficial sobre a área.

O oceano tem sido sempre um lugar misterioso para os seres humanos, e quando o mau tempo ou navegação em condições precárias estão envolvidas, pode ser um lugar muito mortal. Isto é verdade em todo o mundo. Não há evidências científicas de que os desaparecimentos misteriosos ocorrem com qualquer freqüência maior no Triângulo das Bermudas do que em qualquer outra área grande dos oceanos da Terra.

domingo, 8 de novembro de 2015

Mapitoba:Você já ouviu esse nome? Conheça a última fronteira agrícola do Brasil

“A travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas”, escreveu Euclides da Cunha no clássico livro Os Sertões, publicado em 1902. Mais de um século depois, a árida paisagem descrita pelo escritor no oeste da Bahia está cada vez mais parecida com a imagem de vastos campos de grãos.
Isso porque uma região geográfica que há duas décadas era considerada esquecida no interior do Norte e Nordeste está sendo apontada como o próximo grande celeiro do agronegócio no Brasil. Batizada de “Mapitoba” ou “Matopiba” pelo Ministério da Agricultura, hoje a região é a que mais cresce em área plantada no país. 
O nome curioso é um acrônimo referente às duas primeiras letras dos estados em que faz divisa: Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. A dimensão do território é calculada em 414 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho da Alemanha, e com uma população de 1.800.000 habitantes espalhada por 337 municípios.
Até a primeira metade do século 20, essa grande área era coberta por pastagens em terras planas e vegetação de cerrado e caatinga. A agricultura era considerada improdutiva. Desde 2005, houve um fenômeno de expansão da atividade agrícola com o surgimento de fazendas de monocultura que utilizam tecnologias mecanizadas para a produção em larga escala, destinada à exportação de grãos como soja, milho e algodão. 
Apesar da sua deficiência em infraestrutura, a predominância do relevo propício à mecanização, as características do solo, o regime favorável de chuvas e o uso de técnicas mais modernas de produtividade constituem os principais fatores para o crescimento da produção de grãos. 
Segundo o Ministério da Agricultura, em 2012, os produtores rurais do Mapitoba produziram 15 milhões de toneladas de grãos. Projeções indicam que em 2022 a produção vai pular para mais de 18 milhões de toneladas. Enquanto a média de crescimento da produção de grãos do país é de 5%, no Mapitoba esse número atinge 20% ao ano.
O cultivo de soja é a atividade de maior rentabilidade e de maior expansão. Dados da Associação dos Produtores de Soja (Aprasoja) apontam que a região já é responsável por 10,6% da soja no país e que o preço das terras naquela região é bem mais vantajoso do que no Mato Grosso, outro grande produtor do grão. 
A ocupação desse território remonta à época da colonização portuguesa no Brasil, com o surgimento de arraiais movidos pela mineração, a criação de gado e a agricultura de subsistência. As populações tradicionais incluem indígenas e quilombolas, raizeiros e quebradeiras de coco.  
O Mapitoba começou a ser explorado para o agronegócio a partir da década de 1980. Agricultores da região Sul chegaram primeiro, atraídos pelas terras baratas. Logo, as pastagens extensivas em cerrados foram substituídas por uma agricultura mecanizada e áreas de irrigação.
Atualmente, o agronegócio é responsável pelo maior volume de exportações do Brasil e o setor é fundamental para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2015, o governo formalizou a região como um novo território de desenvolvimento e quer criar políticas para estimular o crescimento da nova fronteira econômica, vista como a última fronteira em expansão do país. 

Crescimento das “cidades do agronegócio” 

A riqueza nesse polo de desenvolvimento transformou as áreas urbanas vizinhas com a chegada de indústrias e serviços integrados à cadeia da produção agropecuária. Houve um aumento do fluxo migratório e o crescimento de uma nova estrutura urbana e econômica.
Um exemplo é a cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA), que tem o maior polo de produção agrícola do Estado e que converge boa parte da produção de soja destinada à exportação. Hoje, o município é o que mais cresce em população no Brasil. Desde sua emancipação, em 2000, sua população saltou de 18 mil habitantes para 80 mil. 
As cidades de Balsas (MA), Araguaína (TO) e Uruçuí (PI) também estão crescendo e se tornando novos vetores do agronegócio. Entre 2000 e 2015, Balsas viu sua população crescer de 50 mil habitantes para cerca de 90 mil. 
A produção de grãos do Mapitoba é escoada principalmente por meio da ferrovia Carajás e do porto de Itaqui, no Maranhão. No Oeste, os destaques são os portos baianos de Salvador e Cotegipe.

A pressão sobre o meio-ambiente

A questão da expansão da produção agrícola e a preservação da vegetação nativa é um conflito comum no espaço rural brasileiro. 
Estudos da USP indicam que a região do Mapitoba é a maior em conversão de vegetação natural em uso agrícola na atualidade. Ambientalistas avaliam que a expansão agrícola poderá acabar com áreas remanescentes do bioma cerrado. Uma realidade já vista nos últimos 40 anos, quando aproximadamente metade do cerrado brasileiro foi convertida em terras agrícolas e pastagens. 
O Mapitoba abriga as últimas áreas de cerrado nativas e o bioma está presente em 90% do território. Nos últimos anos, grandes extensões de terras foram desmatadas. Segundo a organização WWF Brasil, pequenos e médios produtores têm promovido desmatamentos ilegais no território e plantio sem manejo adequado. 
Para o Ministério da Agricultura, a tendência é de que a expansão no território ocorra principalmente sobre terras de pastagens naturais, convertendo áreas antes destinadas à pecuária em lavouras. 
Para que o equilíbrio de processos ecológicos na zona rural seja mantido é necessária a destinação de áreas de proteção com cobertura natural, de forma a cumprirem sua função de conservação e proteção da fauna e da flora originais. 

As fronteiras agrícolas na história do Brasil 

Uma fronteira agrícola corresponde ao avanço e expansão das atividades agropecuárias sobre um determinado meio natural. A expansão geralmente é movida pela necessidade crescente de produção ou, em alguns casos, de garantir a soberania nacional nos chamados “vazios territoriais”. 
As primeiras fronteiras agrícolas brasileiras surgiram após o descobrimento, em 1500, quando os colonizadores portugueses exploraram a zona litorânea composta pela Mata Atlântica em busca da madeira do Pau-Brasil e posteriormente o plantio de cana-de-açúcar em grandes engenhos da Zona da Mata que replicavam o modelo plantation colonial. 
No século 17, houve a expansão para o interior do Brasil estimulada por mineradores em busca de ouro. Já no século 19 aconteceu o crescimento da economia do Sudeste oriunda da riqueza do café. Mais recentemente, na década de 1970, o estímulo à produção agrícola da região do Mato Grosso (que atraiu migrantes do Sul) e a exploração da Amazônia Legal. 
Até os anos de 1960, acreditava-se que as últimas fronteiras agrícolas a serem exploradas no Brasil eram a região Norte e Centro-Oeste. Isso até nos anos 2000, quando o Mapitoba surgiu com o status de “a última fronteira agrícola”.

BIBLIOGRAFIA

  • Matopiba: caracterização das áreas com grande produção de culturas anuais. Vários autores.  Nota técnica Embrapa (2014) Disponível online
  • O crescimento da soja: Impactos e Soluções. WWF (2014). Disponível online
  • Desigualdades socioespaciais nas cidades do agronegócio, Denise Elias e Renato Pequeno (Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, 2007). Disponível online
Carolina Cunha
fonte: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/mapitoba-conheca-a-ultima-fronteira-agricola-do-brasil.htm

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Cinco cuidados para uma boa resposta - Repostagem

Reportagem da UOL vestibulares, vale a pena dar uma lida.

Cinco cuidados para uma boa resposta
Sueli de Britto Salles
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O que significa escrever bem? Seria essa habilidade avaliada apenas na prova de redação? A grande preocupação de alunos e professores com as provas de redação em concursos e vestibulares faz com que, muitas vezes, crie-se um véu de esquecimento sobre a importância da boa escrita nas questões discursivas. Essa é uma falha grave e precisa ser corrigida.

Assim como nas provas de redação, todos os tipos de questões que precisam de respostas escritas (ou seja, as que não são objetivas, como os testes) avaliam o candidato em suas habilidades de leitura, interpretação e produção de texto. Isso acontece porque não basta que o candidato tenha conhecimento do assunto questionado: a pergunta precisa ser bem compreendida para que a produção da resposta esteja adequada ao que foi solicitado.

A dificuldade na elaboração de respostas discursivas é um problema que acompanha a maioria dos estudantes em todo o período escolar. Para lidar com este problema, observemos algumas de suas possíveis causas.

Resposta excessivamente objetiva

Perguntas orais, normalmente, recebem respostas curtas, diretas. Assim, diante da pergunta: "Qual a capital da Argentina?", comumente se responde apenas: "Buenos Aires". Entretanto, esse excesso de objetividade não é adequado para provas escritas, pois nesse caso a resposta não passará de palavras soltas que, isoladamente, não possuem sentido. A primeira dica importante para responder às questões discursivas de qualquer disciplina, é a visão da resposta como um pequeno texto, que deve possuir sentido completo.

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Tema certo, resposta errada

No nervosismo decorrente da prova, o candidato lê a pergunta e, feliz por conhecer o assunto e ansioso por responder logo, passando para a próxima questão, registra seu pensamento de qualquer jeito, sem reler o que escreveu. Resultado: muitas vezes expõe muitos dados ligados ao tema, mas não responde ao que foi perguntado.

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Pergunta objetiva, resposta prolixa

Na insegurança de dar uma resposta curta e errar, o candidato opta por escrever tudo que sabe sobre o assunto, inclusive a resposta esperada, mas sem destacá-la. O problema, porém, é que o avaliador não saberá se o candidato realmente sabe a resposta ou está arriscando colocar vários dados para ver se algum preenche o solicitado. Resultado: prejuízo na nota.

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Resposta incompleta

Algumas perguntas são divididas em tópicos. Em alguns casos, isso vem marcado claramente (item a, b, c...), mas em outros não, ou seja, durante a redação da pergunta encontram-se várias solicitações. Em ambos os casos, o candidato deve ficar atento para responder a todas essas solicitações, criando um texto com todas as informações necessárias.

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Excesso de abstrações em questão dissertativa

As questões dissertativas, normalmente, trazem um tema polêmico, que deve ser analisado de modo crítico, num espaço relativamente longo (cerca de quinze linhas). O problema é que, por ter mais espaço que o normal para responder uma pergunta, o candidato pode cair em divagações abstratas, ou perder-se na hora de organizar o conjunto de informações de que dispõe sobre o tema.

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E não se esqueça de revisar os aspectos gramaticais, como ortografia, acentuação, regência, concordâncias e sintaxe, garantindo que todas as frases estejam corretas e bem construídas. Vale a pena gastar um pouco mais de tempo com a elaboração das respostas para garantir o máximo de pontuação em cada uma delas. Uma resposta bem elaborada pode valer muito mais do que duas com notas parciais.
Sueli de Britto Salles é mestra em língua portuguesa, leciona em cursos universitários e participa de bancas corretoras de redações em vestibulares.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos


Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos

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"Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados", justificou o ministro Richard Lochhead (à esq.)
 Foto: Dave Donaldson/Flickr/CC
A Escócia vai proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território, para preservá-lo “verde e limpo”, afirmou no domingo, 9 de agosto, o ministro dos Assuntos Rurais, Richard Lochhead.
Segundo nota do ministério, o governo escocês tomou como base as novas regras europeias que permitem que os países recusem individualmente “culturas geneticamente modificadas autorizadas pela União Europeia”.
“Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados, e preocupa-me que a permissão do cultivo transgênico na Escócia possa trazer prejuízos para a nossa imagem de país limpo e verde, pondo em causa o futuro do setor de alimentos e bebidas, que vale 14.000 milhões de libras”, justificou Lochhead.
De acordo com uma decisão de janeiro do Parlamento Europeu, todos os países da União Europeia podem apresentar razões socioeconômicas, ambientais e de ordenamento do território para se opor ao cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território.
O governo britânico é favorável às culturas geneticamente modificadas, mas as políticas agrícolas estão descentralizadas e, portanto, decididas pelos governos autônomos.
(Via Agência Lusa)

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Aposentadoria: No Brasil, previdência é um desafio para o futuro

Como você imagina a sua renda no futuro? De 2009 para cá, o envelhecimento da população é uma tendência em muitos países e seu reflexo pode ser observado no consumo, mercado de trabalho, organização familiar e nos gastos do governo com saúde e previdência social.
Cada país pode ter o seu modelo próprio de previdência. No geral, o objetivo é o mesmo: garantir recursos financeiros à população mais velha ou que precisa de assistência e proteção quando esta se afasta do mercado de trabalho por diferentes motivos -- doença, invalidez ou idade avançada.
No Brasil a Previdência Social é um direito social assegurado na Constituição ao trabalhador registrado (há a opção privada, para qualquer indivíduo, em qualquer idade). A principal fonte de recursos para pagar as despesas da aposentadoria pública é a cobrança de um tributo em folha de pagamento.
Para manter o sistema em equilíbrio, o país precisa ter um número maior de pessoas no mercado de trabalho em relação ao número de beneficiados na previdência. Outra forma de equilibrar o sistema é alocar recursos para a previdência oriundos de outras fontes de arrecadação do governo.
Chama-se de deficit previdenciário o resultado negativo do cálculo a partir da diferença entre a arrecadação dessas contribuições e as despesas com os benefícios. Nos últimos anos, o Brasil acumula sucessivos deficits devido a um possível conjunto de fatores: a deterioração dos postos de trabalho, o emprego informal (sem carteira assinada), a má gestão dos recursos e o envelhecimento da população.
Em relação ao fator demografia, quanto maior é a expectativa de vida de uma população, maior é o gasto do governo com a aposentadoria dos trabalhadores. Uma pesquisa da ONU sobre Envelhecimento no Século 21 apontou que, entre os idosos, a segurança financeira representa a maior preocupação.
Nas últimas décadas, o Brasil viu sua população idosa aumentar em um ritmo mais rápido do que o previsto (devido à queda da fecundidade e ao aumento da expectativa de vida do brasileiro, que subiu para 74, 9 anos, segundo dados do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Assegurar o bem-estar da população mais velha e equilibrar as contas da seguridade social é hoje um desafio para o futuro do país.
Atualmente o governo brasileiro alega que o sistema previdenciário não seria sustentável ao longo dos próximos anos. Para conter as despesas, o governo propôs endurecer as regras de acesso aos benefícios da previdência.
Em junho de 2015, o Congresso aprovou o mecanismo 85/95, que prevê mudanças no cálculo da aposentadoria. Com a nova regra, a soma da idade + o tempo de contribuição deve ser de 85 anos para mulheres e 95 anos para homens. A partir de 2017, o mecanismo será gradativamente acrescido em 1 ponto até 2022. Assim, em 2017 as idades passam para 86/96, em 2019 para 87/97, em 2020 para 88/98, até chegar em 90/100 em 2022.
A mudança gradativa foi uma decisão da presidente Dilma frente à proposta inicial aprovada no Congresso. O argumento foi que com o aumento da expectativa de vida, os gastos com aposentadoria dos idosos seriam acrescidos, elevando as despesas públicas e provocando um deficit previdenciário.
Hoje, a previdência consome 22,7% da despesa total do governo brasileiro. Uma pesquisa internacional apontou que os gastos previdenciários equivalem a 11% do PIB no Brasil e a 6% do PIB nos EUA, sendo que a proporção da população norte-americana acima dos 60 anos (16% da população total) é o dobro da brasileira (8% da população total).
Para especialistas, a valorização do salário mínimo -- que corrige os benefícios --, a aposentadoria precoce e o excesso de pensões são fatores que ajudam a elevar os gastos do governo com a previdência.
Por isso, equilibrar as contas públicas é um dos pontos centrais da mudança já que o Brasil viverá uma transição demográfica a partir de 2030, quando a previsão do IBGE indica que a população brasileira vai atingir seu pico e terá o maior número de pessoas trabalhando. A população jovem, entre 15 e 29 anos, deve cair muito a partir desta data.
Essa mudança de perfil na população torna urgente a discussão sobre o modelo de aposentadoria, já que os idosos de amanhã estão no mercado de trabalho hoje, e o governo precisa preparar seu orçamento para não ter o mesmo problema que países europeus, por exemplo.
A crise econômica da Europa não foi motivada por questões previdenciárias, mas esse item na despesa teve um peso considerável num cenário de alto endividamento público. Com um perfil de população mais velha -- visto como avanço e sinônimo de qualidade de vida -- os gastos sociais tornaram-se insustentáveis com a estagnação das economias desde 2009.
Um exemplo é a Grécia, ao lado da Itália, o país que mais gasta com previdência. Lá a renda em metade dos lares vem da aposentadoria e 45% dos aposentados vivem sob a linha da pobreza. Em meio à crise, a redução no valor pago às pensões, como exigem alguns, poderia reduzir os gastos, mas levaria a um aumento da população pobre e traria outros problemas ao país.
Toda essa discussão passa por garantir um bom envelhecimento e estabilidade aos mais velhos. Embora para uns a imagem de uma população mais idosa caracterize um país como frágil e incapaz, mudanças de comportamentos e novas tecnologias sugerem que não é bem assim.
Muitas pessoas preferem trabalhar mais que o tempo previsto, por exemplo, mesmo numa idade avançada. Muitos iniciam uma nova atividade para não ficarem parados. E será que gerações futuras vão desejar trabalhar mais tempo? Se sim, isso aumentaria o tempo de arrecadação do governo e a produtividade do país.
Ao longo da história, as mudanças demográficas criaram desafios importantes para as sociedades. Muitos países fizeram reformas, se adaptaram a novos cenários. Até 2030 o Brasil tem um curto tempo para definir como vai tratar a sua melhor idade.

BIBLIOGRAFIA

Artigo Previdência do trabalhador: uma trajetória inesperada, de Mariana Batich. 2004. Disponível online
O direito à velhice: Os aposentados e a previdência social, de Eneida Gonçalves de M. Haddad (Cortez; 2000)
Andreia Martins

segunda-feira, 20 de julho de 2015

DICA DE FÉRIAS: Geografia e Cinema

Vi esse post no Guia Abril do Estudante, vi só alguns. Vou começar a ver uns hoje.
segue ai o post.
Para aproveitar o finzinho de julho, preparamos um terceiro especial de filmes – desta vez, para ajudar você a estudar Geografia e mais um pouco de História. E a lista será dupla, com uma parte dedicada apenas a documentários.
As indicações foram feitas pelos professores de Geografia do Cursinho do XI, Alexandre Eneias Gobbis e Paulo Cezar.
Ficção:
Lincoln (2012). Dirigido por Steven Spielberg, o filme foi lançado em janeiro deste ano no Brasil e mostra a luta de Abraham Lincoln, presidente dos Estados Unidos de 1861 até seu assassinato em abril de 1865, para aprovar a 13ª Emenda, que abolia a escravidão no país, em 1865. (Leia mais aqui).
Os Miseráveis (2012). A história se passa na França do século XIX entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832.
Valsa Com Bashir (2008). Filme israelense sobre a 1ª Guerra do Líbano, no início dos anos 80.
Persepolis (2007). É sobre o início da nova República Islâmica e como ela passou a controlar como as pessoas deveriam se vestir e agir.
Munique (2005). Dirigido por Steven Spielberg, fala sobre um ataque terrorista que aconteceu nas Olimpíadas de Munique de 1972, quando um grupo palestino denominado Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica e matou integrantes da equipe olímpica israelense.
Tropa de Elite 1 e 2 (2007 e 2010). Sobre a violência urbana no Rio de Janeiro.
1984 (1984). Adaptação do livro 1984, escrito em 1948 por George Orwell, que aborda o tema do totalitarismo.
Tempos Modernos (1936). Filme de Charles Chaplin que aborda a Revolução Industrial.
Daens – Um grito de Justiça (1992). O filme se passa na segunda metade do século XIX, período considerado como a Segunda Revolução
Industrial, que apresentou grande avanço tecnológico e científico.
Germinal (1993). Baseado no romance  de mesmo nome de Émile Zola, aborda os movimentos grevistas de um grupo de mineiros no norte da França do século XIX contra a exploração.
Documentários:
O Dia que durou 21 anos (2011). O documentário mostra a influência do governo dos Estados Unidos no Golpe de Estado no Brasil em 1964.
Capitalismo: Uma história de amor (2009). Filme de Michael Moore sobre o capitalismo, a liberdade e os Estados Unidos.
Chove sobre Santiago (1976). Sobre o golpe militar no Chile em 1973.
O contestado (2012). Sobre a Guerra do Contestado, ocorrida entre 1912 e 1916, que envolveu milhares de civis e militares e colocou Paraná e
Santa Catarina em disputa por questões territoriais.
Terra para Rose (1987). Documentário sobre a formação do MST.
O veneno está sobre nossa mesa (2011). Sobre o uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos no Brasil.

domingo, 7 de junho de 2015

Boko Haram: conflito e atrocidades na Nigéria

Em 14 de abril de 2014, o sequestro de 276 meninas em uma escola secundária do vilarejo de Chibok, na Nigéria, revelou ao mundo as atrocidades cometidas pelo grupo terrorista Boko Haram, que busca impor a lei islâmica no país.
O sequestro em massa das estudantes inspirou a criação da hashtag #BringBackOurGirls, que mobilizou campanhas na internet para resgatar as vítimas. Neste mês, um ano após o ocorrido, o episódio foi lembrado em protestos, vigílias e cerimônias em diversas partes do mundo.
Nesse período, 50 das meninas conseguiram fugir, mas a maioria ainda está desaparecida. As vítimas que escaparam relatam que foram estupradas, forçadas a se casar com militantes e serem doutrinadas na ideologia do grupo, que ainda ameaçou vendê-las como escravas e usá-las como mulheres bomba. A escola de onde elas foram sequestradas continua fechada.
No entanto, o horror e a violência continuam na Nigéria e o episódio de Chibok é apenas uma das facetas da atuação brutal do Boko Haram. A região nordeste enfrenta conflitos que envolvem o grupo terrorista, as forças militares nigerianas e milícias de autodefesa.
A Anistia Internacional divulgou um relatório que aponta que desde o início de 2014 até março de 2015 o grupo foi responsável pelo sequestro de mais de duas mil mulheres e meninas e pela morte de mais de cinco mil civis em 300 invasões e ataques no nordeste do país.
Homens e meninos foram assassinados ou obrigados a se juntar aos combatentes.  Além disso, os ataques estão provocando uma onda de refugiados e mais de um milhão e meio de pessoas se viram obrigadas a fugir de suas casas.
As escolas continuam sendo um dos principais alvos de ataques. Mais de 300 escolas foram destruídas na região nordeste e pelo menos 196 professores e estudantes foram mortos. E nas aldeias controladas pelo grupo, jovens pararam de estudar e está sendo imposta a sharia, lei tradicional islâmica.

Origem

O Boko Haram nasceu em 2002 e seu nome significa “educação ocidental é pecado”. O grupo foi fundado por Mohammed Yusuf, um líder religioso extremista que admirava o movimento Taliban no Afeganistão. Em 2009, ele foi morto por policiais e a nova liderança, Abubakar Shekau, aumentou a escalada de ataques e buscou desestabilizar o governo nigeriano.
Desde 2003, os insurgentes já fizeram milhares de vítimas em atentados contra instalações de segurança, instituições públicas, igrejas e escolas. Seu maior objetivo é impor um Estado Islâmico na Nigéria.
Assim como outros grupos extremistas islâmicos e jihadistas no mundo, o Boko Haram acredita que a cultura ocidental corrompe o Islã e quer impor a sharia, a lei tradicional islâmica. Além disso, o grupo condena a educação ocidental e proíbe mulheres de frequentar a escola.
Em junho de 2014, Abubakar Shekau chegou a proclamar a criação de um califado na cidade de Gwoza. Os Estados Unidos e a ONU acreditam que o Boko Haram tem conexões com os jihadistas da Al-Qaeda, o Estado Islâmico (EI) e grupos extremistas no Mali. O líder Shekau já anunciou lealdade ao EI, que atua na Síria e Iraque.

Resposta

O Boko Haram atua em uma das regiões mais pobres da Nigéria e que tem maioria mulçumana. O país tem uma tradicional rivalidade entre o norte, majoritariamente muçulmano, e o sul, principalmente cristão. A grande pobreza, a religião e o desemprego facilitam ao Boko Haram o recrutamento de novos guerrilheiros.
Em 2013, o governo da Nigéria estabeleceu estado de emergência na região nordeste e o Exército tem feito ofensivas a aldeias controladas pelo grupo e em locais suspeitos de abrigar os militantes. Porém, analistas internacionais consideram a atuação do governo nigeriano como fraca e lenta.
A Anistia Internacional estima que o Boko Haram tenha cerca de 15 mil combatentes. Para diplomatas, existe uma forte resistência do governo da Nigéria em intensificar a repressão aos insurgentes. Em março deste ano, o país teve eleições para presidente e Muhammadu Buhari, o adversário do presidente Goodluck Jonathan, ganhou. Em entrevistas após as eleições, o novo líder declarou que vai intensificar o combate ao Boko Haram.
A ONU fez um apelo para a necessidade de intervenção internacional contra o Boko Haram e alertou sobre o perigo do grupo começar a atuar em países vizinhos à Nigéria. Para a organização, é necessária uma atuação militar regional contra o avanço dos jihadistas na África. Hoje, países vizinhos como o Chade, Níger e Camarões estão apoiando as forças militares nigerianas em suas fronteiras. Os EUA também sinalizaram apoio militar à cooperação regional.
Carolina Cunha

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Sete lugares que vivem à espera da próxima catástrofe

terremoto que aconteceu no sábado no Nepal causou pelo menos 5.000 mortes. Infelizmente, não foi uma surpresa: especialistas há muito tempo alertavam sobre a possibilidade de um terremoto no país. A última vez apenas uma semana antes do tremor, afirmando que poderia ser um desastre comparável ao de 1934, que deixou entre 7.000 e 12.000 mortos. De fato, foi o quarto terremoto no Nepal de magnitude superior a 6 graus na escala Richter desde 1980 e o maior desde o sismo de 1934, que atingiu 8,1 graus nessa escala.
Não é a única região do mundo que vive sob ameaça constante de um desastre natural. Vamos examinar algumas.
Foto

1. Nepal: a catástrofe previsível


Nesse caso, o alarme vinha não tanto do fato desses terremotos serem (em parte) esperados, mas porque suas consequências seriam especialmente graves, levando em conta que Katmandu cresce cerca de 6,5% a cada ano e que muitos nepaleses moram em prédios que não estão preparados para esses desastres, segundo explicou a revista The Atlantic em um artigo intitulado precisamente “O terremoto que estava por vir no Nepal”. Para fazer uma comparação, o mesmo terremoto na Califórnia seria 100 vezes menos fatal.A Cruz Vermelha Britânica explicou, em outubro de 2014, que o Nepal é a 11a região do mundo sob risco de terremotos, em especial o vale de Katmandu. Não podemos nos esquecer que a cordilheira do Himalaia é resultado do movimento entre placas tectônicas sob a Ásia Central, que convergem cerca de 4 ou 5 centímetros a cada ano. As escaladas ao Everest e a outros picos da região costumam ser acompanhadas de tremores, e a região registra grandes terremotos a cada 70 anos, aproximadamente.

2. O Pacífico: The Big One

As regiões de mais risco de terremotos estão localizadas nas fronteiras das placas tectônicas: na costa americana do Oceano Pacífico, do Chile ao Canadá, e no Japão. Também são regiões de risco a Ásia Central (do Himalaia ao Irã) e o Mediterrâneo: Marrocos, Argélia e Turquia.
Na Costa do Pacífico dos Estados Unidos e do Canadá comenta-se sobre The Big One, o próximo terremoto de grande magnitude que ocorrerá na região, que está na falha de San Andreas. Segundo a BBC, “tanto no sul da Califórnia como na região da baía de San Francisco existe uma probabilidade superior a 90% de que nas próximas décadas ocorra um sismo de mais de 7 graus de intensidade”.
O Escritório dos Serviços de Emergência da Califórnia lembra que, mesmo com os planos de emergência previstos, “os cidadãos terão de se virar sozinhos por pelo menos 72 horas”, um conselho que se repete em outras regiões de risco como no Canadá e no México, país afetado por cinco placas tectônicas.
Segundo Luis Pablo Beauregard explicou no EL PAÍS, “os tremores no México mudam a vida”. Por exemplo, os cidadãos preferem morar no último andar ou no primeiro, para evitar o risco de morrerem esmagados. Também há serviços que enviam alertas ao celular com um minuto de antecedência sobre um terremoto, tempo que pode ser suficiente para se proteger.
O termo “the big one” também é usado no Japão, que em 11 de março de 2011 sofreu o maior terremoto já registrado no país, causando quase 16.000 mortes. O terremoto, que foi seguido por um tsunami, também provocou estragos na central nuclear de Fukushima e deslocou o país em 2,4 metros.
O geólogo Donald R. Prothero afirma em seu livro Catastrophes que os terremotos parecem ser os desastres naturais que “inspiram mais medo e temor”. As razões são complexas, escreve, mas a maioria dos psicólogos concorda que um dos principais elementos que causam medo dos tremores é que “não são previsíveis”. E acrescenta: “A maioria dos desastres naturais, incluindo furacões e tornados, tempestades e inclusive vulcões, costuma dar algum tipo de aviso”. No entanto, “ninguém pode prever os terremotos com sucesso a curto prazo”.
Em vermelho, as regiões com maior risco de terremotos. / U. S. GEOLOGICAL SURVEY
A professora e advogada Susan Estrich diz que quando se mudou para Los Angeles, o fato de se preparar para um terremoto fazia com que vivesse com medo diante da possibilidade de uma dessas catástrofes. É preciso considerar que esses preparativos incluíam deixar na creche uma sacola com um brinquedo e um objeto familiar para seus filhos, além do contato de alguém que não morasse no estado da Califórnia, caso não fosse possível localizá-la. Mas, segundo seu relato, chega-se ao ponto em que a pessoa tem de perceber que “não pode se preocupar com o que não pode prever” e é preciso aprender a viver com o medo dos terremotos. E conclui: “Hoje será outro lindo dia aqui em Pompeia”.

3. O Vesúvio: morar nas encostas de um vulcão

Mais de 600.000 pessoas moram nas encostas e arredores doVesúvio, o vulcão que sepultou Pompeia e Herculano no ano 79. Desde então, entrou em erupção em cerca de 30 ocasiões, sendo a última em 1944, quando destruiu 88 bombardeiros norte-americanos. A população teve tempo de se salvar. E inclusive de assar castanhas e acender cigarros na lava. No entanto, na erupção de 1906 cerca de cem pessoas morreram.
Segundo um alerta de um especialista japonês em 2013, o vulcão poderia voltar a entrar em erupção. As autoridades italianas têm previsto um plano de ação que evacuaria mais de meio milhão de pessoas em 72 horas. Os mais precavidos (ou pessimistas) acreditam que seria necessário se preparar para uma erupção mais violenta e repentina do que foi previsto nos planos, mas a verdade é que a população está mais preocupada com o tráfico e a criminalidade.
O Vesúvio visto de Nápoles. / GETTY IMAGES

4. Java: 30 vulcões e 120 milhões de pessoas

O Vesúvio não é, absolutamente, o único vulcão ativo que implica num risco. De fato, mais de 500 milhões de pessoas vivem perto de vulcões: 8% da população mundial. Embora seja arriscado viver perto de uma destas montanhas, não podemos esquecer que a maioria está inativa durante muito tempo e proporciona minerais, energia térmica e solos férteis. Só em Java (Indonésia) vivem 140 milhões perto de 30 vulcões, como lembra a National Geographic. O Merapi matou 60 pessoas em 1994 por causa de uma nuvem de gás e outras 353 em 2010. Em 2006, alguns habitantes locais se negavam a ser evacuados, já que consideravam que a montanha era sagrada. No ano passado, entrou em erupção o Sinabug, em Sumatra (outra ilha da Indonésia com atividade vulcânica). Morreram 15 pessoas. Java e Sumatra também correm risco de inundações, avalanches, tsunamis e secas.
E não é só: na semana passada lemos como no Chile foram evacuadas 70.000 pessoas que vivem perto do vulcão Calbuco, que entrou em erupção depois de 43 anos de inatividade. No México, o vulcão Popocatépetl está a 50 quilômetros de Puebla e por estes dias está com atividade de baixa intensidade. O monte Fuji, no Japão, está inativo há mais de 300 anos, mas no ano 2000 e em 2001 terremotos de fraca intensidade fizeram temer que estivesse despertando. O vulcão poderia ameaçar a vida de cerca de oito milhões de pessoas na região de Tóquio.
O monte Sinabung em janeiro de 2014. / BINSAR BAKKARA / AP
Quando o vulcão é um supervulcão que só entra em erupção uma vez em centenas de milhares de anos, misturam-se a fascinação e o temor. O supervulcão de Yellowstone é “milhares de vezes mais poderoso que um vulcão normal”, explica a revista Vox. Se entrasse em erupção, a nuvem de cinzas cobriria regiões de vários estados: Wyoming, Montana, Idaho e Colorado, podendo chegar inclusive a cidades como Los Angeles, San Francisco, Portland e Seattle. O risco é muito pequeno, já que esse vulcão só teve uma grande erupção três vezes na história: há 2,1 milhões de anos, há 1,3 milhão de anos e há 664.000 anos.

5. As Maldivas: destinadas a desaparecer

As Maldivas são um paraíso de areias brancas e águas azul-turquesa, mas como lembrou a BBC, 80% de suas 1.200 ilhas (200 delas habitadas) estão a pouco mais de um metro acima do nível do mar, que por sua vez está subindo 0,9 centímetro ao ano: “Em 100 anos as Maldivas poderiam se tornar inabitáveis” e os 400.000 cidadãos do país teriam de ser evacuados.
A capital, Malé, está rodeada por um muro de três metros de altura, o que não é de estranhar se levarmos em conta as frequentes inundações provocadas pelas marés (para não falar do tsunami de 2004). O governo das Maldivas está tentando aliviar os efeitos da mudança climática reflorestando as ilhas e observando de perto a erosão das praias, mas também estão sendo construídos mais resorts de luxo para o turismo. A revista Business Insider lembrou que as Maldivas não são as únicas ilhas que correm esse risco: a lista inclui Kiribati, as Seychelles, as ilhas Torres, Tegua e as ilhas Salomão, entre outras.
Rakkedhoo, um dos atóis das ilhas Maldivas, que poderiam desaparecer se o nível do mar continuar subindo. / GETTY IMAGES

6. Oklahoma: o beco dos tornados

O Tornado Alley (beco dos tornados) é uma ampla região dos Estados Unidos situada entre o Texas e Dakota do Norte onde são frequentes os tornados entre abril e setembro, quando o ar frio do Canadá se encontra com o ar tropical do Golfo do México. Só na região metropolitana de Oklahoma, onde vive 1,3 milhão de pessoas, houve mais de 120 tornados desde 1890. A região não passou mais de cinco anos sem um tornado (entre 1992 e 1998), embora a série tenha acabado com quatro em 13 de junho. Apesar de que os sistemas de detecção melhoraram muito, continuam havendo vítimas mortais. 11 pessoas morreram em maio de 2013, também em Oklahoma, quando aconteceu o tornado mais largo da história dos Estados Unidos. Três delas eram “caçadores de tormentas”.

7. Haiti: sem proteção natural para tormentas, furacões e terremotos

O Haiti é a metade ocidental da ilha Espanhola e foi colônia francesa entre 1697 e 1804. A outra metade é a República Dominicana, antiga colônia espanhola. Tal como explica Jared Diamond em Colapso, enquanto os espanhóis estavam muito ocupados com seus problemas em outras partes do mundo, os franceses se dedicaram ao cultivo intensivo da cana-de-açúcar e cortaram árvores para exportar madeira. Além disso, utilizaram a ilha como porto em seu tráfico de escravos africanos. O Haiti continuou explorando a cana-de-açúcar depois de sua independência e sofreu ditaduras sangrentas como as de “Papa Doc” Duvalier e seu filho.
Em consequência disso, esta metade da ilha ficou na pobreza e desmatada. Tal desmatamento também é responsável pelo fato de a chuva não encontrar obstáculos ao cair pelas encostas das montanhas, por isso não só os furacões, mas também as tempestades tropicais são um risco por causa dos deslizamentos de terra: em 2004 morreram 2.600 pessoas durante uma dessas tempestades. De fato e conforme aponta a revista Wired, o desmatamento poderia ter contribuído para o terremoto de 2010, depois da erosão provocada pelos dois furacões e pelas duas tormentas tropicais de 2008.
Mulher estende roupa entre os escombros do terremoto do Haiti, em 2010. / GORKA LEJARCEGI