terça-feira, 13 de setembro de 2016

Educação - Docência: uma carreira desprestigiada


Levantamento realizado pela Fundação Victor Civita comprova uma percepção alarmante: a profissão docente não é considerada uma opção atraente pelos estudantes do Ensino Médio. Apenas 2% desejam cursar Pedagogia ou Licenciatura

por: Rodrigo Ratier

"Se você comentar com alguém que está pensando em ser professor, muitas vezes a pessoa pode dizer algo do tipo: 'Que pena' ou 'Meus pêsames!'. Afinal, sabe que você vai ser desvalorizado e obter uma remuneração ruim." É com essa chocante clareza que Thaís*, aluna do 3º ano do Ensino Médio de uma escola particular em Manaus, sintetiza uma noção preocupante para a Educação brasileira: cada vez menos jovens desejam seguir a carreira docente. 

Embora essa impressão tenha se espalhado até mesmo entre quem não é da área, faltava dimensionar com contornos mais nítidos a extensão do problema. A área deEstudos e Pesquisas da Fundação Victor Civita (FVC) encomendou à Fundação Carlos Chagas (FCC) um mergulho no tema e os dados comprovam: apenas 2% dos estudantes que estão concluindo o Ensino Médio têm como primeira opção no vestibular graduações diretamente relacionadas à atuação em sala de aula - Pedagogia ou alguma Licenciatura. Outros 9% mencionam a intenção de cursar disciplinas da Educação Básica, como Letras, História e Matemática, o que não garante que venham a se interessar por lecionar (confira mais detalhes no gráfico da página 3).
* Ao longo deste especial, os nomes dos alunos ouvidos pela pesquisa foram trocados para preservar a confidencialidade do estudo. 
Os jovens que aparecem nos depoimentos em destaque são identificados normalmente, pois foram entrevistados pela equipe de NOVA ESCOLA.

A pesquisa ouviu 1.501 alunos de 18 escolas públicas e privadas

Patrocinado pela Abril Educação, o Instituto Unibanco e o Itaú BBA, o estudoAtratividade da Carreira Docente no Brasil é mais uma iniciativa da FVC para contribuir para a melhoria da qualidade da Educação Básica. A pesquisa ouviu 1.501 alunos de 3º ano em 18 escolas públicas e privadas de oito municípios, selecionados por seu tamanho, abrangência regional, densidade de alunos no Ensino Médio e oportunidades de emprego. Foram contempladas as cinco regiões do país. No Sul, as cidades escolhidas foram Joinville e Curitiba; no Sudeste, São Paulo e Taubaté; no Centro-Oeste, Campo Grande; no Nordeste, Fortaleza e Feira de Santana; no Norte, Manaus. 

Para entender melhor as respostas fornecidas pelos estudantes no questionário geral, o estudo contou ainda com uma fase de grupos de discussão, em que dez alunos de cada escola debateram o assunto e detalharam opiniões. Por fim, com as informações já compiladas, um painel de especialistas foi convidado a avaliar os resultados e propor soluções sobre o problema da atratividade docente. 

Na edição especial de NOVA ESCOLA traz os principais resultados da sondagem. Ao longo das reportagens, você vai conhecer em detalhes o que os jovens estudantes brasileiros pensam da docência como uma opção profissional. Em linhas gerais, apesar de reconhecerem a importância do professor, os entrevistados afirmam que a profissão é desvalorizada socialmente, mal remunerada e possui uma rotina desgastante e desmotivadora. Para a grande maioria, não é uma carreira interessante a seguir (leia mais no texto Por que a docência não atrai).

Perfil dos futuros professores e possibilidades de mudança

A pesquisa também permite construir um perfil dos futuros professores do país. Nesse sentido, é útil analisar a lista das carreiras mais procuradas de acordo com o tipo de instituição em que os jovens estudam. Nas escolas públicas, a Pedagogia aparece no 16º lugar das preferências. Nas particulares, apenas no 36º. A situação se repete também com as Licenciaturas - que, somadas, ocupam o 24º posto na rede pública e o 37º na particular (como mostra o gráfico abaixo). "Isso evidencia que, atualmente, a profissão tende a ser procurada sobretudo por jovens da rede pública de ensino, que em geral pertencem a nichos sociais menos favorecidos", afirma Bernardete Gatti, pesquisadora da FCC e supervisora do estudo (leia mais na reportagem Nossos futuros professores). 

Depois de obter um diagnóstico completo, o estudo deu ênfase à proposição de alternativas para reverter a situação. Para apontar soluções, a FVC e a FCC convidaram 17 especialistas de diversas áreas da Educação para um debate em novembro do ano passado. O consenso é o de que se deve atacar o problema por diversas frentes, do aumento salarial à melhoria das condições de trabalho, da proposição de planos de carreira à revisão das formações inicial e continuada, passando pela necessidade de valorizar o professor e tratá-lo como profissional (leia mais na reportagem Caminhos para atrair os melhores). 

Ao todo, são oito sugestões práticas, que podem ajudar a desatar o nó identificado por outra jovem do Ensino Médio, Cláudia*, aluna de escola pública em Feira de Santana, a 119 quilômetros de Salvador: "Hoje em dia, quase ninguém sonha em ser professor. Nossos pais não querem que sejamos professores, mas querem que existam bons professores. Assim, fica difícil".


quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Acordo histórico: Colômbia e Farc assinam cessar-fogo

Uma nova era se inaugura na Colômbia. Em cerimônia na cidade de Havana, capital de Cuba, o presidente colombiano Juan Manuel Santos e o líder do grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Rodrigo Londoño Echeverri, assinaram em junho um acordo de cessar-fogo definitivo, abrindo caminho para um tratado de paz que dê fim ao conflito armado mais antigo da América Latina.
Desde 1964 o conflito já matou mais de 220 mil pessoas e causou o deslocamento de seis milhões de colombianos. Ao longo dos anos, as Farc se tornaram uma organização coesa, presente em mais da metade do território da Colômbia e que chegou a ter 20 mil combatentes. As autoridades estimam que hoje existam oito mil guerrilheiros.
O acordo é o mais sólido já alcançado entre as partes, pois foi a primeira vez que desde meados da década de 1980 que ambos concordam com uma trégua bilateral. Os bastidores desse processo de paz revelam uma intensa negociação.
Desde novembro de 2012 representantes do governo colombiano e das Farc se encontram em Havana para costurar o acordo de paz. Cuba e Noruega atuam como países mediadores desse diálogo e também contam com o apoio da Venezuela e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon como observadores internacionais.
A etapa do cessar-fogo bilateral definitivo prevê o cumprimento de um cronograma para tratar diversos temas espinhosos para o fim do conflito, como o desarmamento, a reintegração à vida civil, a reparação para as vítimas das guerrilhas e garantias de segurança para os ex-guerrilheiros das Farc.
Com esse acordo, mais de sete mil guerrilheiros devem entregar as armas. Parte do arsenal de fuzis deve ser derretido para que a Organização das Nações Unidas possa criar três monumentos em homenagem à paz.

Origem das Farc

A história política da Colômbia é marcada por conflitos. Entre os anos de 1948 e 1958, os dois partidos tradicionais da República Colombiana protagonizaram um período conhecido como “A Violência”, marcado por confrontos armados. Nesse contexto, surgiram diversos grupos guerrilheiros de “autodefesa”, de inúmeras orientações políticas e ligados a diferentes partidos.
Resultado de imagem para farc
A origem das Farc é em um pequeno foco de resistência camponesa comunista. Em 1964, o movimento fez uma tentativa de fundar uma zona autônoma marxista e proclamou a criação da República de Marquetalia, que foi posteriormente atacada pelo Exército. A resposta a esse ataque foi a criação de diversos focos de guerrilha, que, unidos, se tornaram as Farc. Esses grupos montaram uma estrutura militar, com acampamentos em selvas e nas montanhas colombianas.
Inspirados pelo êxito da Revolução Cubana, o projeto político do grupo era pautado pela reforma agrária e a criação de um Estado socialista. Para isso, buscaram combater o governo. Uma das principais formas de financiamento do grupo era a cobrança do “imposto revolucionário”, uma taxa imposta à população local.
A partir dos anos 1980, os guerrilheiros também começaram a atuar no tráfico de drogas, na mineração ilegal e na indústria dos sequestros para financiar suas atividades. Em seus anos de maior atuação, as Farc praticaram sequestros, ataques e assassinatos. Por esses crimes, a organização integra a lista internacional de organizações terroristas. Apesar dos indícios, as Farc negam todas as acusações de envolvimento com o narcotráfico.
O poder das Farc na Colômbia contribuiu para o surgimento de grupos paramilitares de extrema direita, financiados por grandes fazendeiros e empresários. Muitos são contratados para assassinar guerrilheiros clandestinos e líderes de movimentos sociais. Atualmente, grupos paramilitares tentam controlar as zonas produtoras de coca e o comércio das drogas. 

O que há no processo de paz?

Durante as últimas décadas, várias foram as tentativas de negociação frustradas entre o governo colombiano e a guerrilha. A negociação entre as duas partes se dá com base em cinco eixos principais: situação das vítimas, minas armadilhas e explosivos, tráfico de drogas, entrada na vida política e reforma agrária.
Pesquisas de opinião mostram que a população colombiana anseia por colocar o fim à guerra, mas tem dúvidas sobre diversos pontos do acordo. Hoje, 70% da população apoiam as negociações para a paz. Apesar disso, 80% dos colombianos se opõem à proposta de anistia aos guerrilheiros, e 77% rejeitam a possibilidade de ex-combatentes se lançando como candidatos em futuras eleições.

• Participação política

A ideia é que as Farc se tornem um partido político. Agora, o acordo prevê o estabelecimento de garantias legais e segurança para o surgimento de forças políticas de oposição.

• Reforma agrária

A reforma agrária é uma das principais reinvidicações políticas das Farc. Se prosperar, a negociação lançará bases para uma aposta robusta do governo no modelo de produção agrícola familiar nas regiões mais afetadas pelo conflito.

• Reparação das vítimas

Em dezembro de 2015, as partes anunciaram um dos acordos mais complexos da negociação que busca reparar as vítimas e sancionar os responsáveis de delitos graves. Como parte desse acordo, serão formados tribunais especiais que julgarão os guerrilheiros e agentes do Estado envolvidos em crimes relacionados com o conflito. Os principais responsáveis por crimes hediondos deverão ser julgados e punidos.

• Minas e explosivos

Mesmo se a guerra acabar, a Colômbia terá de conviver com o perigo de minas enterradas em diversas regiões. Será preciso identificar os locais infestados e realizar a descontaminação. Essas operações serão realizadas por militares e deverão durar anos.

• Tráfico de Drogas

Desde a década de 1980, o narcotráfico alimenta e agrava o conflito. Em maio de 2014, as Farc chegaram a um acordo com o governo para a substituição de cultivos ilegais de coca em áreas de influência. Segundo o governo dos Estados Unidos, as Farc controlam cerca de 70% do território onde se cultiva a coca na Colômbia.

PARA SABER MAIS

As Farc - Uma guerrilha sem fins?, de Daniel Pécaut
Editora Paz e Terra (2010)
Por Carolina Cunha
Outra reportagem interessante sobre o tema: A vida de guerrilheiros das FARC após depor as armas  http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/02/internacional/1472809475_728055.html?rel=mas

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Tá tudo bem, vem cá. (Texto muito bom)

Esses dias, enquanto dirigia, eu ouvia uma música bem bobinha da Pitty, que eu adoro. Logo em seguida, o flow colocou Queen, que eu adoro. Mais duas músicas depois, Caetano. Depois, Novos Baianos, depois Led Zeppelin, Rolling Stones – para, enfim, eu trocar para rádio e estar tocando roupa nova. E eu cantei interpretando. Ri de mim mesma, na adolescência, eu jamais admitiria que amo pagode anos 90, que Fundo de Quintal e Raça Negra me fazem sair da cadeira e que estendi esse chamego até os 2000 e bolinha junto com Inimigos da Hp. Jamais a gótica que eu fui admitiria que, sim, ela amava (amo ainda) AC/DC, mas que também se sacudia com Zeca Pagodinho. Adolescente tem dessas.
E eles continuarão tendo, mas a gente – que é adulto e tão ou mais perdido – tem que avisar que tá tudo bem.
Tá tudo bem gostar de Megadeth e Sandy e Júnior. Gosto musical não é pílula do matrix, pode escolher os dois.
Tá tudo bem ser amiga do fulano e do beltrano, essa coisa de que a gente tem que criar inimigos é lendinha.
Tá tudo bem ser cristã, sabe? Não, não é verdade que o ateísmo é a marca da ciência e da inteligência suprema. Idiota é que não sabe dar espaço para a religião do outro. Aliás, tá tudo bem ser cristã e feminista; cristã/cristão e homossexual; cristão e curtir ir para festa. É claro que você pode optar seguir quaisquer dogmas, mas tá tudo bem se você optar só seguir seu coração e seu senso de justiça e bondade.
Tá tudo bem gostar de exatas e de humanas, essa separação só serve mesmo para fazer piada. Levá-la a sério demais põe em risco o que você tem de mais bonito: a chance de aprender um pouco de tudo.
Tá tudo bem se você não sabe do que você gosta, e pode ser em termos de roupa, de sexualidade, de profissão. É absolutamente normal. A diferença é que adulto não tem que prestar contas só para mãe e pai; a gente presta para uma sociedade inteira, e, às vezes, é mais fácil a gente fingir que sabe o que está fazendo só pra ninguém encher muito o nosso saco.
Tá tudo bem se sua mãe e seu pai não forem heroicos e invencíveis. Dói admitir que eles são só humanos e erram, mas com o tempo você vai parar de ver isso como defeito e tristeza, e vai ver como a possibilidade de que a vida é aprendizado mesmo, e tá tudo tá dando certo, então.
Tá tudo bem se você não quer ir na escola hoje, se tem preguiça da vida, se acha que ninguém gosta de você. Tá tudo bem ACHAR isso, mas não pare sua vida, ok? Eventualmente, a sensação passa e você perdeu matéria, diversão e boas amizades dando vazão para um sentimento que nem é tão certo.
Tá tudo bem se você gostar de Romero Britto, Pequeno Príncipe e camiseta amarela. Não me leve tão a sério, é tudo um jeito de te fazer sorrir.
Tá tudo bem se você não tem certeza do curso que presta. Essa dúvida sempre existe. Até as pessoas mais confiantes (eu, tá bem? euzinha) se questionam sobre sua profissão, sobre sua própria capacidade, sobre se de fato tem talento.
Tá tudo bem, aliás, nem ter talento pra nada: a gente não é smurf para nascer com habilidade pronta.
Tá tudo bem se tiver tudo ruim, faz parte da vida e é possível que passe. Só não tá tudo bem se alguém está se machucando com a sua conduta, especialmente se esse alguém for você mesmo. Não se maltrate demais, não se cobre mais do que a vida já cobra. Eu tô aqui, vem cá. Dá um abracinho.
miró

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Lixo: transformando chorume em água potável

Uma tecnologia criada no Espírito Santo vem ajudando um aterro sanitário a transformar chorume - líquido que resulta da decomposição de lixo - em água limpa, no município de Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com os responsáveis pelo projeto, o processo de purificação do líquido é rápido se comparado a outros, durando cerca de 30 minutos. Com a utilização de  métodos diferentes, esse tempo pode ser ampliado consideravelmente, chegando a uma semana. A água limpa que é resultado do processo não serve para consumo humano, mas pode ser usada para lavara estradas ou regar jardins, por exemplo.
De acordo com o empresário Poy Ramos, o tratamento deste produto é importante para garantir a preservação do meio ambiente, que pode ser prejudicado caso o chorume seja derramado. "Pode contaminar o lençol freático, de onde vem praticamente toda a água utilizada para consumo humano, bem como contaminar os rios, provocando a mortandade dos peixes e de outros seres vivos que ali vivem", explicou.
O processo começa com a chegada do lixo ao aterro, que recebe mensalmente uma média de 12 mil toneladas de resíduos por dia provenientes de Vitória, Cariacica, Viana, Serra e outros municípios do estado. A princípio, a carga é pesada e lavada para uma outra área. "A partir de três ou quatro horas depois do recebimento, dependendo se é dia de sol ou de chuva, o resíduo já pode liberar chorume", disse o engenheiro químico, Magmir Soares. Por dia, esse total de materiais descartados geram cerca de 135 mil litros de chorume.
Para poder recolher o produto, é preciso de um sistema de engenharia. Em um primeiro momento, é realizada uma escavação seguida pela compactação da terra. Depois, uma manta hipermeável é colocada no local e, sobre ela, o lixo é despejado. Com a utilização de uma tubulação, o chorume é drenado e conduzido até tanques.

Lá, ele recebe três produtos químicos e é levado para outro tanque, onde passa por um processo eletromagnético. "Placas de ferro são mergulhadas, por onde é transmitida uma corrente elétrica que provoca a dissociação das moléculas, fazendo com que todos os contaminadores do chorume possam ser retirados. Depois que a corrente elétrica atravessa o chorume, 5% dele viram lodo e os 95% são água que pode ser reutilizada", esclareceu o empresário Poy.
Por dia, aterro sanitário gera cerca de 135 mil litros de chorume (Foto: Reprodução/TV Gazeta)
A água que fica ainda passa por três filtros até ficar limpa. Depois de tratada, o líquido fica livre de contaminação e pode ser utilizada para diversos fins, como molhar estradas de chão, regar jardins e regar maquinários. "Pode ser usada para contato primário com o ser humano. Só não está boa para beber ou tomar banho, por exemplo", concluiu Poy Ramos.
* Com colaboração de César Fernandes, da TV Gazeta
fonte: http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/10/tecnologia-criada-no-es-transforma-chorume-em-agua-limpa.html

quarta-feira, 6 de julho de 2016

AUMENTO DO PREÇO DO FEIJÃO E O AGRONEGÓCIO

Li este texto na Caros Amigos.  
Por Alan Tygel
Do Brasil De Fato



O golpe ruralista e o preço do feijão







O que estranhamente não saiu em lugar nenhum foi um elemento muito simples: o agronegócio brasileiro não se preocupa em produzir alimentos para o Brasil. E isso fica muito claro quando olhamos a mudança na utilização das terras no país. Nos últimos 25 anos, houve uma diminuição profunda na área destinada à plantação dos alimentos básicos do nosso cardápio. A área de produção de arroz reduziu 44% (quase metade a menos), e a mandioca recuou 20%.
A área plantada com feijão, o vilão do momento, diminuiu 36% desde 1990, enquanto a população aumentou 41%. Apesar de ter havido um aumento na produtividade, a diminuição da área deixa a colheita mais vulnerável e suscetível a variações como estamos vendo agora.
E o agronegócio?
Os grandes latifundiários do Brasil, aliados aos políticos da bancada ruralista, à multinacionais de agrotóxicos e sementes como Bayer, Monsanto e Basf, e às empresas que dominam a comunicação no país não estão preocupadas com a alimentação da população. Este atores compõem o chamado agronegócio, que domina a produção agrícola no Brasil, e vê o campo apenas como local para aumentar suas riquezas.
Isso significa, na prática, produzir soja e milho para alimentar gado na Europa e na China, enquanto precisamos recorrer à importação de arroz, feijão e até do próprio milho para as festas de São João. Exportamos milho, e agora precisamos importar o milho. Faz sentido?
No mesmo período em que a área plantada de arroz e feijão caiu 44% e 36%, respectivamente, a área de soja aumentou 161%, enquanto o milho aumentou 31% e a cana, 142%. Somados os três produtos, temos 72% da área agricultável do Brasil com apenas 3 culturas. São 57 milhões de hectares que ignoram a cultura alimentar e a diversidade nutricional do nosso país em favor de um modelo de monocultura, que só funciona com muito fertilizante químico, semente modificada e veneno, muito veneno.
No caso da cana e da soja, é fácil entender que não são alimentos, e sim mercadorias ou (commodities) que vão ser comercializadas nas bolsas de valores pelo mundo. No caso do milho, basta ver que em 2015 foram exportados 30 milhões de toneladas de milho, em relação direta com a alta do dólar. Com o preço da moeda americana em alta, vale mais à pena exportar do que vender aqui. Assim, o que sobra no Brasil não é suficiente para o nosso consumo, e por isso temos que importar, o que também irá pressionar o preço. Hoje é o feijão, logo logo será o milho que vai explodir de preço.
Outro aspecto importante é analisar que quem bota o feijão na mesa do povo é a agricultura familiar. Os dados ainda de 2006 mostram que 80% da área plantada de feijão (e 70% a produção) são da agricultura familiar. E esta agricultura não tem espaço no reino do agronegócio.
O agronegócio ameaça a soberania alimentar no Brasil. Ao deixar de plantar comida para plantar mercadorias, ficamos extremamente dependentes do mercado externo, e vulneráveis às mudanças climáticas.
O primeiro passo: reforma agrária para dar terra a quem quer plantar comida. Com a terra na mão, precisamos de incentivo à agroecologia, para produzir alimentos saudáveis. Finalmente, essa produção deve ser regulada pelo Estado, via Conab, para garantir o abastecimento interno antes de embarcar tudo para fora.
O governo interino já admite privatizar a Conab, e pode em breve aprovar leis que facilitam ainda mais o uso de agrotóxicos e o uso de pulverização aérea nas cidades.
É, de fato, também um Golpe Ruralista.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Bônus demográfico: Maior população jovem da história é chance para desenvolvimento

Para a demografia, a ciência que estuda as populações humanas, o Brasil está em uma situação mais favorável agora do que há cinco décadas. O motivo? O país está mais jovem e passa por um momento demograficamente ideal para crescer. 
O fenômeno é chamado de “bônus demográfico” e ocorre quando há, proporcionalmente, um maior número de pessoas em idade ativa aptas a trabalhar. O Brasil possui 50 milhões de jovens. O aumento da população nessa faixa etária começou no início da década de 2010 e terá seu auge em 2020.
O bônus demográfico é resultado da redução da taxa de fecundidade (as famílias têm menos filhos) e da diminuição da mortalidade em uma população – quando as pessoas passam a viver mais. Isso aumenta a proporção de pessoas em idade de trabalhar (entre 15 e 64 anos) em relação à população dependente, crianças e idosos.  
Segundo o IBGE, a fecundidade das mulheres brasileiras vem caindo rapidamente. Em 1960, a taxa era de 6,3 filhos por mulher, esses números caíram para 5,6 (1970), 2,9 (1991), 2,4 (2000) e 1,9 em 2010. Enquanto isso, a expectativa de vida do brasileiro passou de 62,5 anos em 1980 para 75, 2 anos em 2015. 
A ONU indica que o bônus demográfico está ocorrendo atualmente em 59 países - entre eles o Brasil. Para a organização, a proporção de jovens na população mundial atingiu seu auge. Existem 1,8 bilhão de jovens no mundo, sendo que 87% deles vivem nos países em desenvolvimento. Uma força trabalhadora que poderia fazer a diferença. 
Sob o ponto de vista da economia, um período de bônus demográfico significa que um país tem mais força de trabalho do que pessoas inativas. Ou seja, há um excedente de pessoas para produzir e pagar impostos e assim alavancar o crescimento econômico. 
Uma população jovem pode servir de combustível para a industrialização e a geração de riquezas. O crescimento da economia aumenta a renda da população e, assim, amplia a capacidade das pessoas de ter acesso a melhores condições de vida. 
Outro fator é o aumento na quantidade de poupança e capital na economia. A acumulação de poupança cresce com a idade e chega a seu ponto mais alto nas idades próximas à aposentadoria. Com o crescimento da população ativa, aumenta a quantidade de dinheiro para investir no futuro. 
Países asiáticos como a China, o Japão, a Coreia do Sul e Cingapura aproveitaram o período de bônus demográfico e experimentaram momentos elevado crescimento econômico entre 1960 e 1990. A região teve a transição demográfica mais rápida e marcante da história. Nunca antes houve um grupo tão grande de países que manteve o crescimento de suas economias tão elevado e por tanto tempo.
Uma vez que essa população envelhece, as novas gerações tendem a ser menos numerosas e a base da pirâmide demográfica se afunila cada vez mais. No Brasil, as previsões apontam a década de 2030 como o período em que os efeitos do bônus começariam a se dissipar e a população se tornar mais envelhecida. A faixa dos mais velhos ultrapassará a dos mais novos. Depois, a pressão sobre os gastos de saúde e previdência social vão aumentar cada vez mais. 
O futuro do mundo vai depender de como os países serão governados e como vão criar um ambiente favorável para o crescimento. Ou seja, sem uma estrutura econômica e política sólida para apoiá-lo, o bônus demográfico não pode ser plenamente realizado.
Economistas acreditam que a melhor forma de aproveitar esse momento é investir em educação, na capacitação profissional e estimular novas oportunidades de emprego para os jovens. 
E quando o cenário não está propício para a economia? Países com recursos limitados ou economias frágeis enfrentam desafios de atender à crescente demanda por empregos e oportunidades de geração de renda para os milhões de pessoas que se aproximam da idade ativa.
No Brasil, o problema atual é a estagnação da economia. Em 2015, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial afirmaram que o país "perdeu a oportunidade de fazer crescer a economia com o impulso do bônus demográfico". Os economistas dessas instituições acreditam que precisamos fazer reformas para aumentar a produtividade e corrigir desequilíbrios nas finanças públicas.
A ONU alerta que o bônus demográfico é uma janela de oportunidade única na história. Mas, infelizmente, em muitos lugares, a população jovem tem sido tratada mais como um problema do que como uma solução.

A geração “nem-nem” 

O Brasil tem 10 milhões de jovens que não estudam nem trabalham. São os chamados jovens da geração “nem nem”. Segundo o IBGE, esse público representa 16% dos brasileiros entre 17 e 22 anos. 
Quase 30% deles não chegou a completar o ensino fundamental e abandonou a escola. Quando conseguem estudar até o ensino médio, a evasão também é alta - 55% não concluíram o ensino médio.
O problema atinge mais os jovens de baixa renda. Cerca de 70% dos “nem nem” estão entre os 40% mais pobres do país, morando em domicílios com renda per capita de até meio salário mínimo. 
A evasão escolar pode ser explicada por várias razões, como a necessidade de começar a trabalhar cedo para sustentar a família, a falta de perspectiva de vida e a gravidez precoce. 
As maiores representantes do grupo “nem nem” são adolescentes que tiveram filhos cedo. De cada 10 pessoas de 15 a 29 anos que se encontram nessa situação, sete são mulheres. Entre elas, 58,4% têm um ou mais filhos. E por causa do casamento e da maternidade, muitas mulheres deixam de trabalhar e estudar. 

O inverso ocorre na Europa 

A Europa já pode ser considerada como um continente de idosos. Lá o fenômeno é inverso: a população mais velha supera os jovens em idade ativa. Em alguns países, o número de nascimentos de bebês está em queda e não tem superado o número de mortes. 
A Itália é um exemplo claro de envelhecimento. A população com mais de 60 anos (27% do total) supera o número de pessoas com idade inferior a 20 anos. Na Alemanha, a previsão é de que em 2050 a porcentagem de moradores com mais de 60 anos chegue a 39%. 
O problema é que os idosos custam mais do que os jovens, principalmente em cuidados médicos. A população está envelhecendo e essas nações terão dificuldade para arranjar mão de obra ativa para sustentar seus aposentados e deixar o caixa da previdência em uma situação de equilíbrio. 
A tendência dos países europeus é aumento de impostos e corte nos gastos públicos, a chamada “política de austeridade no orçamento”. No longo prazo, a maior carga tributária somada a um corte das ajudas sociais deve contribuir para aumentar o custo de vida, a pobreza e a exclusão social. 

BIBLIOGRAFIA 

  • Relatório Situação da População Mundial 2014, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).
 
Carolina Cunha

fonte: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/demografia-maior-populacao-jovem-da-historia-e-oportunidade-para-o-desenvolvimento-global.htm

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

O que é o Triângulo das Bermudas?

Triângulo das Bermudas é uma região na parte ocidentaldo norte do Oceano Atlântico em que navios, aviões e pessoas, supostamente desaparecem misteriosamente.

Mapa: localização do famoso Triângulo das Bermudas. Fonte: NOAA.
Durante décadas, o lendário Triângulo das Bermudas do Oceano Atlântico tem fascinado a imaginação humana com seus desaparecimentos inexplicáveis ​​de navios, aviões e pessoas.

Alguns especulam que forças desconhecidas e misteriosas são responsáveis pelos desaparecimentos inexplicáveis, como extraterrestres que capturam seres humanos para estudá-los; o elo perdido do continente de Atlântida; vórtices que sugam objetos para outras dimensões; e outras idéias fantásticas (lunáticas). Algumas explicações são mais fundamentada na ciência: estas incluem (gás metano em erupção) flatulência oceânica e interrupções no fluxo de linhas geomagnéticas.

As considerações ambientais poderiam explicar muitos, se não a maioria, dos desaparecimentos. A maioria das tempestades tropicais e furacões do Atlântico passam pelo Triângulo das Bermudas, e nos dias anteriores à melhoria da previsão do tempo, essas tempestades perigosas ameaçam muitos navios. Além disso, a Corrente do Golfo pode causar rápidas, por vezes violentas, mudanças no clima. Além disso, o grande número de ilhas no Mar do Caribe cria muitas áreas de águas rasas que podem ser traiçoeiras para os navegantes. E há alguns indícios que sugerem que o Triângulo das Bermudas é um lugar onde uma bússola "magnética", por vezes, aponta para o norte "verdadeiro", ao contrário do norte "magnético". 

A Marinha e a Guarda Costeira dos EUA afirmam que não há explicações sobrenaturais para essas catástrofes marítimas. Por experiência, essa entidades sugerem que as forças combinadas da natureza e da falibilidade humana superam até mesmo a ficção científica dos mais céticos. Eles acrescentam que não existem mapas oficiais dos limites do Triângulo das Bermudas. O Conselho de Nomes Geográficos dos EUA não reconhecem o Triângulo das Bermudas como um nome oficial e não mantém um arquivo oficial sobre a área.

O oceano tem sido sempre um lugar misterioso para os seres humanos, e quando o mau tempo ou navegação em condições precárias estão envolvidas, pode ser um lugar muito mortal. Isto é verdade em todo o mundo. Não há evidências científicas de que os desaparecimentos misteriosos ocorrem com qualquer freqüência maior no Triângulo das Bermudas do que em qualquer outra área grande dos oceanos da Terra.

domingo, 8 de novembro de 2015

Mapitoba:Você já ouviu esse nome? Conheça a última fronteira agrícola do Brasil

“A travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas”, escreveu Euclides da Cunha no clássico livro Os Sertões, publicado em 1902. Mais de um século depois, a árida paisagem descrita pelo escritor no oeste da Bahia está cada vez mais parecida com a imagem de vastos campos de grãos.
Isso porque uma região geográfica que há duas décadas era considerada esquecida no interior do Norte e Nordeste está sendo apontada como o próximo grande celeiro do agronegócio no Brasil. Batizada de “Mapitoba” ou “Matopiba” pelo Ministério da Agricultura, hoje a região é a que mais cresce em área plantada no país. 
O nome curioso é um acrônimo referente às duas primeiras letras dos estados em que faz divisa: Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. A dimensão do território é calculada em 414 mil quilômetros quadrados, quase o tamanho da Alemanha, e com uma população de 1.800.000 habitantes espalhada por 337 municípios.
Até a primeira metade do século 20, essa grande área era coberta por pastagens em terras planas e vegetação de cerrado e caatinga. A agricultura era considerada improdutiva. Desde 2005, houve um fenômeno de expansão da atividade agrícola com o surgimento de fazendas de monocultura que utilizam tecnologias mecanizadas para a produção em larga escala, destinada à exportação de grãos como soja, milho e algodão. 
Apesar da sua deficiência em infraestrutura, a predominância do relevo propício à mecanização, as características do solo, o regime favorável de chuvas e o uso de técnicas mais modernas de produtividade constituem os principais fatores para o crescimento da produção de grãos. 
Segundo o Ministério da Agricultura, em 2012, os produtores rurais do Mapitoba produziram 15 milhões de toneladas de grãos. Projeções indicam que em 2022 a produção vai pular para mais de 18 milhões de toneladas. Enquanto a média de crescimento da produção de grãos do país é de 5%, no Mapitoba esse número atinge 20% ao ano.
O cultivo de soja é a atividade de maior rentabilidade e de maior expansão. Dados da Associação dos Produtores de Soja (Aprasoja) apontam que a região já é responsável por 10,6% da soja no país e que o preço das terras naquela região é bem mais vantajoso do que no Mato Grosso, outro grande produtor do grão. 
A ocupação desse território remonta à época da colonização portuguesa no Brasil, com o surgimento de arraiais movidos pela mineração, a criação de gado e a agricultura de subsistência. As populações tradicionais incluem indígenas e quilombolas, raizeiros e quebradeiras de coco.  
O Mapitoba começou a ser explorado para o agronegócio a partir da década de 1980. Agricultores da região Sul chegaram primeiro, atraídos pelas terras baratas. Logo, as pastagens extensivas em cerrados foram substituídas por uma agricultura mecanizada e áreas de irrigação.
Atualmente, o agronegócio é responsável pelo maior volume de exportações do Brasil e o setor é fundamental para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Em 2015, o governo formalizou a região como um novo território de desenvolvimento e quer criar políticas para estimular o crescimento da nova fronteira econômica, vista como a última fronteira em expansão do país. 

Crescimento das “cidades do agronegócio” 

A riqueza nesse polo de desenvolvimento transformou as áreas urbanas vizinhas com a chegada de indústrias e serviços integrados à cadeia da produção agropecuária. Houve um aumento do fluxo migratório e o crescimento de uma nova estrutura urbana e econômica.
Um exemplo é a cidade de Luís Eduardo Magalhães (BA), que tem o maior polo de produção agrícola do Estado e que converge boa parte da produção de soja destinada à exportação. Hoje, o município é o que mais cresce em população no Brasil. Desde sua emancipação, em 2000, sua população saltou de 18 mil habitantes para 80 mil. 
As cidades de Balsas (MA), Araguaína (TO) e Uruçuí (PI) também estão crescendo e se tornando novos vetores do agronegócio. Entre 2000 e 2015, Balsas viu sua população crescer de 50 mil habitantes para cerca de 90 mil. 
A produção de grãos do Mapitoba é escoada principalmente por meio da ferrovia Carajás e do porto de Itaqui, no Maranhão. No Oeste, os destaques são os portos baianos de Salvador e Cotegipe.

A pressão sobre o meio-ambiente

A questão da expansão da produção agrícola e a preservação da vegetação nativa é um conflito comum no espaço rural brasileiro. 
Estudos da USP indicam que a região do Mapitoba é a maior em conversão de vegetação natural em uso agrícola na atualidade. Ambientalistas avaliam que a expansão agrícola poderá acabar com áreas remanescentes do bioma cerrado. Uma realidade já vista nos últimos 40 anos, quando aproximadamente metade do cerrado brasileiro foi convertida em terras agrícolas e pastagens. 
O Mapitoba abriga as últimas áreas de cerrado nativas e o bioma está presente em 90% do território. Nos últimos anos, grandes extensões de terras foram desmatadas. Segundo a organização WWF Brasil, pequenos e médios produtores têm promovido desmatamentos ilegais no território e plantio sem manejo adequado. 
Para o Ministério da Agricultura, a tendência é de que a expansão no território ocorra principalmente sobre terras de pastagens naturais, convertendo áreas antes destinadas à pecuária em lavouras. 
Para que o equilíbrio de processos ecológicos na zona rural seja mantido é necessária a destinação de áreas de proteção com cobertura natural, de forma a cumprirem sua função de conservação e proteção da fauna e da flora originais. 

As fronteiras agrícolas na história do Brasil 

Uma fronteira agrícola corresponde ao avanço e expansão das atividades agropecuárias sobre um determinado meio natural. A expansão geralmente é movida pela necessidade crescente de produção ou, em alguns casos, de garantir a soberania nacional nos chamados “vazios territoriais”. 
As primeiras fronteiras agrícolas brasileiras surgiram após o descobrimento, em 1500, quando os colonizadores portugueses exploraram a zona litorânea composta pela Mata Atlântica em busca da madeira do Pau-Brasil e posteriormente o plantio de cana-de-açúcar em grandes engenhos da Zona da Mata que replicavam o modelo plantation colonial. 
No século 17, houve a expansão para o interior do Brasil estimulada por mineradores em busca de ouro. Já no século 19 aconteceu o crescimento da economia do Sudeste oriunda da riqueza do café. Mais recentemente, na década de 1970, o estímulo à produção agrícola da região do Mato Grosso (que atraiu migrantes do Sul) e a exploração da Amazônia Legal. 
Até os anos de 1960, acreditava-se que as últimas fronteiras agrícolas a serem exploradas no Brasil eram a região Norte e Centro-Oeste. Isso até nos anos 2000, quando o Mapitoba surgiu com o status de “a última fronteira agrícola”.

BIBLIOGRAFIA

  • Matopiba: caracterização das áreas com grande produção de culturas anuais. Vários autores.  Nota técnica Embrapa (2014) Disponível online
  • O crescimento da soja: Impactos e Soluções. WWF (2014). Disponível online
  • Desigualdades socioespaciais nas cidades do agronegócio, Denise Elias e Renato Pequeno (Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, 2007). Disponível online
Carolina Cunha
fonte: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/mapitoba-conheca-a-ultima-fronteira-agricola-do-brasil.htm

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Cinco cuidados para uma boa resposta - Repostagem

Reportagem da UOL vestibulares, vale a pena dar uma lida.

Cinco cuidados para uma boa resposta
Sueli de Britto Salles
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

O que significa escrever bem? Seria essa habilidade avaliada apenas na prova de redação? A grande preocupação de alunos e professores com as provas de redação em concursos e vestibulares faz com que, muitas vezes, crie-se um véu de esquecimento sobre a importância da boa escrita nas questões discursivas. Essa é uma falha grave e precisa ser corrigida.

Assim como nas provas de redação, todos os tipos de questões que precisam de respostas escritas (ou seja, as que não são objetivas, como os testes) avaliam o candidato em suas habilidades de leitura, interpretação e produção de texto. Isso acontece porque não basta que o candidato tenha conhecimento do assunto questionado: a pergunta precisa ser bem compreendida para que a produção da resposta esteja adequada ao que foi solicitado.

A dificuldade na elaboração de respostas discursivas é um problema que acompanha a maioria dos estudantes em todo o período escolar. Para lidar com este problema, observemos algumas de suas possíveis causas.

Resposta excessivamente objetiva

Perguntas orais, normalmente, recebem respostas curtas, diretas. Assim, diante da pergunta: "Qual a capital da Argentina?", comumente se responde apenas: "Buenos Aires". Entretanto, esse excesso de objetividade não é adequado para provas escritas, pois nesse caso a resposta não passará de palavras soltas que, isoladamente, não possuem sentido. A primeira dica importante para responder às questões discursivas de qualquer disciplina, é a visão da resposta como um pequeno texto, que deve possuir sentido completo.

Reprodução

Tema certo, resposta errada

No nervosismo decorrente da prova, o candidato lê a pergunta e, feliz por conhecer o assunto e ansioso por responder logo, passando para a próxima questão, registra seu pensamento de qualquer jeito, sem reler o que escreveu. Resultado: muitas vezes expõe muitos dados ligados ao tema, mas não responde ao que foi perguntado.

Reprodução

Pergunta objetiva, resposta prolixa

Na insegurança de dar uma resposta curta e errar, o candidato opta por escrever tudo que sabe sobre o assunto, inclusive a resposta esperada, mas sem destacá-la. O problema, porém, é que o avaliador não saberá se o candidato realmente sabe a resposta ou está arriscando colocar vários dados para ver se algum preenche o solicitado. Resultado: prejuízo na nota.

Reprodução

Resposta incompleta

Algumas perguntas são divididas em tópicos. Em alguns casos, isso vem marcado claramente (item a, b, c...), mas em outros não, ou seja, durante a redação da pergunta encontram-se várias solicitações. Em ambos os casos, o candidato deve ficar atento para responder a todas essas solicitações, criando um texto com todas as informações necessárias.

Reprodução

Excesso de abstrações em questão dissertativa

As questões dissertativas, normalmente, trazem um tema polêmico, que deve ser analisado de modo crítico, num espaço relativamente longo (cerca de quinze linhas). O problema é que, por ter mais espaço que o normal para responder uma pergunta, o candidato pode cair em divagações abstratas, ou perder-se na hora de organizar o conjunto de informações de que dispõe sobre o tema.

Reprodução

E não se esqueça de revisar os aspectos gramaticais, como ortografia, acentuação, regência, concordâncias e sintaxe, garantindo que todas as frases estejam corretas e bem construídas. Vale a pena gastar um pouco mais de tempo com a elaboração das respostas para garantir o máximo de pontuação em cada uma delas. Uma resposta bem elaborada pode valer muito mais do que duas com notas parciais.
Sueli de Britto Salles é mestra em língua portuguesa, leciona em cursos universitários e participa de bancas corretoras de redações em vestibulares.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos


Escócia proíbe cultivo de produtos transgênicos

escocia-ecod.jpg
"Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados", justificou o ministro Richard Lochhead (à esq.)
 Foto: Dave Donaldson/Flickr/CC
A Escócia vai proibir o cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território, para preservá-lo “verde e limpo”, afirmou no domingo, 9 de agosto, o ministro dos Assuntos Rurais, Richard Lochhead.
Segundo nota do ministério, o governo escocês tomou como base as novas regras europeias que permitem que os países recusem individualmente “culturas geneticamente modificadas autorizadas pela União Europeia”.
“Não temos nenhuma prova de que os consumidores prefiram produtos geneticamente modificados, e preocupa-me que a permissão do cultivo transgênico na Escócia possa trazer prejuízos para a nossa imagem de país limpo e verde, pondo em causa o futuro do setor de alimentos e bebidas, que vale 14.000 milhões de libras”, justificou Lochhead.
De acordo com uma decisão de janeiro do Parlamento Europeu, todos os países da União Europeia podem apresentar razões socioeconômicas, ambientais e de ordenamento do território para se opor ao cultivo de organismos geneticamente modificados em seu território.
O governo britânico é favorável às culturas geneticamente modificadas, mas as políticas agrícolas estão descentralizadas e, portanto, decididas pelos governos autônomos.
(Via Agência Lusa)