quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TIMOR LESTE - entenda mais

Uma nação jovem, pobre e vítima de conflitos internos

A ilha do Timor está localizada ao sul da Indonésia, em latitudes em torno de 9º sul, próximo à Austrália, o que lhe confere um clima quente e úmido. A parte oeste pertence à Indonésia e a parte leste tornou-se um país independente em 20 de maio de 2002. O Timor Leste é um dos países mais jovens e pobres do mundo.

A moeda do país é o dólar americano e as principais fontes de renda são a exportação de café e a renda obtida através da exploração de petróleo após a assinatura de um acordo com a Austrália em 2006.

O petróleo está em uma área marítima de disputa territorial entre os dois países, assim, pelo contrato, metade da renda vai para a Austrália e metade para o Timor Leste.

A população do Timor Leste gira em torno de um milhão de habitantes, que vive em uma área de 14.609Km2. Em sua maioria, são católicos (84,8%) e morram na zona rural (cerca de 75%). A capital do país é Dili.

Ocupações estrangeiras

No século 16, durante as Grandes Navegações, os portugueses ocuparam a ilha e lá estabeleceram entrepostos comerciais. Mais tarde, os holandeses ocuparam a parte oeste do Timor e Portugal abriu mão dessa área em 1914.

Na Segunda Guerra Mundial, o Japão ocupou a ilha, mas, com sua derrota no conflito, o Timor voltou a suas antigas metrópoles. No final da década de 1940, a Holanda entregou a parte oeste para a Indonésia.

Em 1975, o Timor Leste se tornou independente de Portugal. Da disputa pelo poder entre a UDT (União Democrática Timorense) e a Fretilin (Frente Revolucionária do Timor Leste Independente), de esquerda, resultou a vitória desta última. A ascensão de um governo socialista no Timor Leste provocou a invasão do país pela Indonésia, governada pelo general Suharto, ditador de direita.

Os timorenses iniciaram, então, uma guerrilha comandada por João Alexandre (Xanana) Gusmão, líder da Fretilin. Xanana Gusmão chegou a ser preso em 1992 e condenado à prisão perpétua. O governo Suharto iniciou uma forte e violenta repressão que resultou em mais de 180 mil timorenses mortos.

Independência

A luta pela independência frente à Indonésia ganhou reconhecimento internacional quando o bispo Carlos Ximenes Belo e o líder da Fretilin José Ramos-Horta ganharam o Prêmio Nobel da Paz, em 1996, e Nelson Mandela visitou Xanana Gusmão na prisão em 1997. Predominantemente, a população do Timor Leste possui língua e religião diferentes da Indonésia, o que aumentou as justificativas para a independência e apoio internacional.

Em 1998 o general Suharto se retirou do poder e as negociações para a independência do Timor resultaram na realização de um referendo em 1999. Cerca de 78% dos timorenses votantes decidiram pela independência. Em retaliação, milícias indonésias apoiadas pelo exército realizaram massacres contra timorenses, o que provocou uma intervenção de tropas da ONU.

A administração do Timor Leste passou a ser conduzida pela ONU, através do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, até a posse do presidente Xanana Gusmão (eleito em 2001 e empossado em 2002), quando a nova Constituição entrou em vigor. O Timor Leste tornou-se efetivamente independente. As tropas e funcionários da ONU permaneceram no país, porém, como missão de apoio.

Em 2006, um grupo de 598 militares do exército timorense (o número total das tropas é de 1250 soldados), liderados por Alfredo Reinaldo, se rebelaram contra as normas de promoção interna na instituição e pediram mudanças que diminuiriam os obstáculos de ascensão para os soldados originários do setor oeste da ilha do Timor.

O Primeiro-ministro Mari Alkatiri expulsou das tropas os revoltosos e teve início uma série de confrontos que levou à morte de 37 pessoas e o deslocamento de 155 mil. Semanas depois, Alkatiri renunciou, como forma de tentar evitar o acirramento do conflito. O presidente Xanana Gusmão indicou José Ramos-Horta como Primeiro-ministro.

Para conter a rebelião, o Timor Leste solicitou auxílio militar à Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal, que enviaram um total de aproximadamente 1.900 homens. Após várias negociações, rendições temporárias e fuga da prisão chegou-se a um impasse e o presidente Xanana Gusmão determinou a intervenção no exército e a prisão definitiva de Alfredo Reinaldo, em março de 2007.

Desdobramentos da rebelião

Em abril do mesmo ano, ocorreram eleições. José Ramos-Horta foi eleito presidente e Xanana Gusmão tornou-se primeiro-ministro. O presidente teria feito um acordo com o rebelde Alfredo Reinaldo que deporia as armas, seria preso e receberia perdão presidencial.

Apesar dos acordos, em 10 de Fevereiro de 2008, Horta sofreu um atentado em sua casa e foi hospitalizado. Os responsáveis pelo ataque também efetuaram disparos contra a residência do primeiro ministro do país Xanana Gusmão. Na ocasião, os guardas da casa do presidente mataram o rebelde Alfredo Reinaldo.

O Parlamento declarou estado de emergência e as tropas internacionais e do governo avançam em direção às montanhas onde estariam escondidos os revoltosos. Ainda não se pode prever os desdobramentos dos fatos, mas, aparentemente, a situação política e econômica do Timor Leste não deve sofrer grandes alterações.

4 comentários:

Fábrica dos Blogs disse...

Olá professor!

Desculpe o reparo mas olhe que não foi esse senhor Gusmão que deu inicio a guerrilha nenhuma, penso que se devia documentar melhor. O senhor Gusmão surge depois, um pouco mais para a frente. Teve algum mérito mas daí a ser ele o esclarecido, não era não.

No entanto seu trabalho tem muito acertado em dados históricos e é bem útil. Só faltam uns acertos para não induzir pessoas em erro e o acharem o tal herói que nunca foi.

Os heróis de Timor estão mortos. Dizem que alguns tiveram o contributo de certa pessoa para morrerem. Ainda estamos recolhendo as memórias mas está batendo certo nas coincidêndias narrativas.
Vamos ver.

Parabéns por seu trabalho, só falta acertar melhor.

touFartoDelesEdelas disse...

A Fábrica dos Blogs, fabricadora da manipulação informativa não podia deixar de vir aqui e apresentar os seus reparos que, afinal ficam por insignificantes reparos. Preocupada em tentar pôr um ponto num i esquece-se de outros iii e de muitos outros pontos.

É engraçado ler-se os mandantes políticos da Fretilin dizerem que Xanana Gusmão não foi herói. Talvez Mari Alkatiri tenha sido o grande herói, ou quiçá um António Veríssimo (um dos operacionais da propaganda), o grande herói.

Já agora uns reacertos. Gusmão não é João mas sim José. A Fabriqueta, claro está preferiu deixar de fazer reparos a questões históricas muito desacertadas aqui para se debruçar no ataque ao herói Kay Rala Xanana Gusmão mas acaba por dar os parabéns a quem idealizou este post. Só pode ser para rir.

Timor-Leste não se tornou independente a 20 de Maio de 2005!

É mentira que Timor-Leste se tenha tornado independente em 1975, o que aconteceu foi que houve declaração unilateral de independência por parte do partido Fretilin a 28 de Novembro de 1975. O que não é nada parecido com Independência. Essa, de facto aconteceu apenas a 20 de Maio de 2002. Chamaram-lhe Restauração. Pelos visto algo falhou à primeira...

Quais foram os países que reconheceram a declaração unilateral de independência de 1975?

A cronologia neste post mistura-se e desacerta. Não morreram 180 mil timorenses depois de Xanana ser preso.

Pena é que neste dia 12 de Novembro, este blog não tenha neste seu trabalho, referido o Massacre de Sta. Cruz como um dos elementos de mudança e despertar de consciências à escala mundial.

Antes dos prémios Nobel de 1996 a Ramos Horta e Ximenes Belo várias acções levaram a que a questão de Timor-Leste andasse nas bocas do mundo: prisão de Xanana em 92 e respectivo julgamento seguido atentamente pela comunicação social a nível mundial; invasão de embaixadas em Jakarta por parte de timorenses para a chamada de atenção e, aí sim, talvez por essa maior visibilidade da questão sobre a ocupação, violação constante dos direitos humanos em Timor-Leste por parte da Indonésia levaram a que a Academia Sueca tomasse uma posição e os Nobeis terem assim a visibilidade conhecida.

Acredito que seja bem mais útil lerem uma das biografias mais completas que existem na internet: http://www.axs.com.au/~salette/Xanana-Biografia.html

Cada escriba tenderá a fazer as suas "adaptações", as suas pesquisas mas não se pode tomar como seguras as indicações de personagens vindos de uma tal Fábrica dos Blogs que mais não que ferramentas de um aparelho partidário que obviamente tem todo o interesse em aniquiliar a imagem e deturpar a História de Timor-Leste. E é um facto que desde sempre trabalham para implementarem aquilo que lhes convém o que não é seguramente aquilo que mais convém ao povo timorense.

Não está certo e um dia ver-se-á quando for dada voz aos historiadores.

A História encarregar-se-á em o mostrar.

Kay Rala Xanana Gusmão é de facto um dos heróis vivos de Timor-Leste.

Varetinha disse...

Reconheço o erro na data de independência, o reconhecimento foi em 2002 e não 2005 vou retificar no texto.

Dani.el disse...

http://educacao.uol.com.br/geografia/timor-leste.jhtm